Toyota GR Yaris, Abarth 600e, Honda Prelude: conheça os esportivos do Salão de SP
Evento reúne três escolas de esportividade: a fúria do rali a combustão, a potência elétrica do escorpião e o renascimento híbrido do cupê japonês
O Salão do Automóvel de São Paulo sempre tem diversos carros esportivos mostrado por empresas de test-drive, mas não é sempre que as fabricantes disputam a atenção dos visitantes com modelos deste tipo. A volta do evento trouxe uma situação incomum, com três montadoras se enfrentando com três veículos esportivos com propostas bem distintas.
A Stellantis aposta na eletrificação total com o Abarth 600e, o carro elétrico mais potente já prepardo pela Abarth; a Honda apela à nostalgia tecnológica com o novo Prelude, combinando a carroceria cupê com uma motorização híbrida; e a Toyota chuta a porta com a confirmação do GR Yaris, um hot hatch “raiz” nascido nas pistas de rali.
Toyota GR Yaris: campeão do WRC
A Toyota confirmou o que QUATRO RODAS havia adiantado: o GR Yaris chegará ao mercado brasileiro. O lançamento demorou um pouco, agora marcado para abril de 2026. Baseado no carro campeão do Mundial de Rali (WRC) de 2025, o modelo desembarca com duas opções de câmbio e melhorias focadas em quem dirige.
Sob o capô está o motor 1.6 turbo de três cilindros, calibrado para entregar 300 cv e 40,2 kgfm de torque. A tração é a integral GR-Four, a mesma do GR Corolla. O cliente poderá escolher entre o câmbio manual de seis marchas ou a nova transmissão automática GR-DAT de oito posições. O peso varia pouco: 1.305 kg no manual e 1.325 kg no automático.
Para criar este monstro compacto, a Toyota uniu duas plataformas. A dianteira usa a arquitetura TNGA-B (do Yaris europeu) com suspensão McPherson. Já a traseira adota a base TNGA-C (do Corolla e Corolla Cross) para acomodar a suspensão independente do tipo double wishbone e o sistema de tração.
O visual é puramente funcional. O para-choque dianteiro tem grandes tomadas de ar, enquanto o traseiro exibe saídas para reduzir o arrasto. A marca removeu os faróis de neblina e as luzes de ré do para-choque para evitar danos em competições, e a terceira luz de freio saiu do aerofólio para facilitar a personalização da peça.
Por dentro, a postura de dirigir foi revista: o banco está 25 mm mais baixo e o volante foi reposicionado. O painel tem a borda superior rebaixada em 50 mm e o retrovisor mudou de lugar para melhorar a visão da pista. O quadro de instrumentos digital de 12,3″ traz modos exclusivos que, na versão automática, mostram até a temperatura do óleo do câmbio.
Um detalhe importante para o proprietário: o esportivo entra no programa de garantia de 10 anos da marca (Toyota 10), condicionada às revisões na rede autorizada.
Abarth 600e: O Escorpião Elétrico
No estande da Stellantis, o destaque é o Abarth 600e, o modelo mais potente da história da marca. Seu motor elétrico entrega 237 cv, superando com folga os 154 cv da versão civil e deixando para trás os irmãos nacionais Pulse e Fastback Abarth.
Exibido na versão limitada Scorpionissima (apenas 1.949 unidades globais), o SUV traz visual agressivo com rodas de 20 polegadas, pinças de freio em amarelo limão e um difusor traseiro funcional. Para manter a emoção, a marca incluiu um gerador de som que simula o ronco de motor a combustão. A bateria de 54 kWh é a mesma da versão Fiat, mas a autonomia focada em performance não foi detalhada.
Infelizmente, tudo indica que está no Brasil apenas a passeio. A Fiat não confirma a venda do esportivo elétrico no país, afirmando que está em estudos. Porém, nos bastidores, o cenário é de que não há espaço para o carro no nosso mercado. Vale lembrar que a fabricante chegou a confirmar o lançamento nacional do Abarth 500e para 2024, o que nunca aconteceu.
Honda Prelude: o retorno do cupê
Dois anos após seu anúncio global, o Prelude finalmente retornou e foi a grande surpresa do Salão do Automóvel. Isto porque não está sendo mostrado apenas para embelezar o estande da marca, mas sim por ter sido confirmado para o Brasil, chegando em algum momento de 2026 – a empresa atrasou o trabalho de homologação para não correr o risco do carro ser visto pelas ruas antes da hora.
Feito para substituir as versões cupê tanto do Civic quanto do Accord, o novo Prelude descarta a traseira mais comprida de um sedã para adotar um estilo liftback. Para não disputar espaço com o Civic Si ou mesmo o Type R, a Honda optou por equipá-lo com um sistema híbrido.
Assim como no Civic, o Prelude usa o motor 2.0 a gasolina de 142 cv que atua majoritariamente como gerador. Quem traciona as rodas dianteiras é o motor elétrico de 183 cv e 32,1 kgfm. A potência combinada é de 202 cv, com torque imediato de 32,1 kgfm.
Embora não tenha câmbio convencional, a Honda desenvolveu o sistema S+ Shift para o cupê. A tecnologia simula trocas de marcha e até o punta-taco nas reduções através das borboletas no volante, garantindo engajamento mecânico artificial.
Apesar da proposta mansa, o Prelude esconde segredos do irmão radical Civic Type-R. A configuração de suspensão e as bitolas mais largas vêm do hot hatch, assim como os freios com discos de 13,8 polegadas e pinças de quatro pistões na dianteira.
A diferença está na calibração. Os amortecedores adaptativos foram ajustados para conforto e os pneus 235/40 R19 são menores que os do esportivo, priorizando a absorção de impactos.
O Prelude mede 4,53 m de comprimento e tem 2,60 m de entre-eixos, sendo menor que o sedã Civic. Contudo, ao rebater os bancos traseiros bipartidos, o porta-malas chega a 428 litros.
No interior, a novidade são os bancos assimétricos. O assento do motorista foca em suporte e posição de dirigir, enquanto o do passageiro é mais largo e relaxado. A tecnologia inclui painel digital de 10,2″, multimídia de 9″ e sistema de som Bose Centerpoint.
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