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Renault, Nissan e Mitsubishi farão EVs iguais mas com estilo distinto

Renault, Nissan e Mitsubishi anunciaram seu roadmap, ou mapa de metas, que focará no desenvolvimento de veículos elétricos para o ano de 2030.

Por João Vitor Ferreira 28 jan 2022, 14h46

Renault, Nissan e Mitsubishi anunciaram um plano de metas que focará no desenvolvimento de veículos elétricos, com catálogo amplo previsto para o ano de 2030. A aliança, como as próprias empresas se referem a sua parceria, apresentou diversas propostas inovadoras para o futuro, que buscam também compartilhar tecnologias entre si.

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O projeto dá continuidade a estratégia Leader-Follower (ou Líder-Seguidor), apresentada em maio de 2020, onde a uma das três marcas lidera algum projeto, enquanto as outras duas dão o suporte necessário. No fim, todas as três poderão se beneficiar dos mesmos produtos desenvolvidos, com economia de escala.

 

 

O foco está no desenvolvimento sustentável. Até 2030 as empresas pretendem lançar 35 novos veículos elétricos, o que segundo elas constituiria na “maior gama de modelos elétricos do mundo”, todos baseados em cinco plataformas diferentes. O investimento para isso, está na casa dos 23 bilhões de euros nos próximos cinco anos.

“Esses são investimentos massivos, que nenhuma das três empresas poderia fazê-los sozinha. Juntos, estamos fazendo a diferença para um novo futuro global e sustentável, para a Aliança se tornar carbono neutro até 2050”, disse Jean-Dominique Senard, Presidente do Conselho da Aliança.

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Nissan Qashqai compartilhará a mesma plataforma com veículos da Mitsubishi e da Renault Divulgação/Nissan

Compartilhamento de plataformas e tecnologias

As empresas da Aliança criaram a metodologia “diferenciação inteligente”, que define nível de compartilhamento de tecnologias entre cada modelo específico. Dessa forma, são criados parâmetros para o uso comum de plataformas, plantas de produção, segmentos e motorização. 

Ou seja, seguindo o exemplo dado pela Aliança, Nissan Qashqai e X-Trail, Mitsubishi Outlander e Renault Austral compartilharão da mesma plataforma (exclusiva para os segmentos C e D) com um futuro SUV de sete lugares a caminho. Isso permitirá que cada uma das marcas possa focar na diferenciação de design e carroceria e outros aspectos individuais para atender melhor às demandas dos seus clientes e mercados. 

Atualmente, 60% dos modelos das três marcas compartilham plataformas entre si. A meta é aumentar para 80% do total combinado de 90 veículos até o ano de 2026. O pontapé inicial para essa iniciativa é o crescimento da participação da Mitsubishi na Europa, com a chegada de dois novos modelos que usam plataformas da Renault, entre eles o novo ASX.

Mitsubishi ASX Teaser
Nova geração do Mitsubishi ASX teve teaser lançado recentemente e será montado sob a plataforma da Renault Divulgação/Mitsubishi

Como o foco é na eletrificação, a Aliança já prepara 35 novos modelos totalmente elétricos, dos quais 90% utilizarão cinco plataformas em comum, cobrindo a maior parte dos mercados em todas as grandes regiões. São elas: CMF-AEV (base do Dacia Spring), KEI-EV (para veículos ultracompactos), LCV-EV (para furgões; base do Renault Kangoo e Nissan Town Star), CMF-EV (equipará mais de 15 modelos até 2030; base do Nissan Ariya e Renault Megane E-tech) e CMF-BEV (será lançada em 2024 e utilizada pela Renault, Nissan e Alpine).

O novo Renault R5 e um veículo desenvolvido pela Nissan compartilharão da plataforma CMF-BEV. O compacto japonês, que substituirá o Nissan Micra, exemplifica bem o sistema de compartilhamento das empresas, tendo projeto desenvolvido pelos japoneses e produção no polo industrial Renault ElectriCity, localizado no norte da França.

Renault R5
O R5 será um dos representantes da nova plataforma CMF-BEV Divulgação/Renault

A CMF-BEV promete uma redução de 33% nos custos de produção e 10% de consumo de energia se comparada com o Renault Zoe. Na pista, a Aliança diz que a plataforma oferecerá 400 km de autonomia e “incríveis performances aerodinâmicas”. Ao todo, as empresas estimam que essa plataforma será base para 250.000 carros produzidos por ano. Só não será mais popular que a CMF-EV, que estará presente em cerca de 1,5 milhões de veículos por ano.

Novas baterias para novas plataformas

Se as plataformas serão compartilhadas, as baterias também serão. As empresas começarão a trabalhar com os mesmos parceiros de negócios, buscando reduzir os custos das baterias em até 50%, em 2026, e 65% até 2028. A estratégia será encabeçada pela Renault e Nissan, que terão o mesmo fornecedor de baterias nos mercados-chave.

Isso resultará em um aumento de produção, que segundo a Aliança chegará em 220 gWh de baterias até 2030. Somado a isso, as três empresas também vão trabalhar juntas (com liderança da Nissan) no desenvolvimento e produção de baterias de estado sólido (SSB).

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toyota Novas
Funcionamento de uma bateria convencional e uma de estado sólido Reprodução/Quatro Rodas

Essa tecnologia de bateria, segundo as marcas, terá o dobro de densidade de energia em comparação com as baterias de íons de lítio líquidos atuais e reduzirá pela metade o tempo de recarga dos veículos. 

O objetivo é produzir as baterias ASSB em massa até 2028. Em seguida, a Aliança tentará diminuir os custos de produção para U$ 65, assim equiparando ao dos veículos a combustão.

 

 

Aumento na infraestrutura

Um dos principais problemas dos veículos elétricos está na infraestrutura para carregá-los, e o roadmap da Aliança também tem planos de investimento para isso.

A Mobilize Power Solutions será a parceira responsável pelo fornecimento de serviços, incluindo o desenvolvimento do projeto, instalação, manutenção e gestão otimizada da infraestrutura de recarga e todos os serviços relacionados. Porém, não foi divulgado quanto será destinado especificamente para infraestrutura, nem mesmo como e onde serão feitas as instalações.

Recentemente, a Aliança também assinou contrato com a Ionity, uma rede de estações de carregamentos de alta potência. Isso irá garantir aos proprietários tarifas preferenciais em toda a rede da empresa na Europa.

MEGANE RENAULT E-TECH
Agora SUV, o Megane E-tech utiliza a plataforma CMF-EV, que será a mais popular da Aliança Divulgação/Quatro Rodas

Conectividade e tecnologia

A conectividade também será aumentada, como forma de beneficiar o compartilhamento de tecnologias entre as marcas. Por isso, a Aliança pretende ampliar o funcionamento do Alliance Cloud. Esse sistema permite a troca de dados e informações, além de receber atualizações de software pelo ar (over the air).

Atualmente, a Aliança afirma que 3 milhões de veículos já estão conectados pelo sistema. A meta é aumentar para mais de 5 milhões de carros com o Alliance Cloud sendo produzidos por ano, totalizando 25 milhões de veículos em circulação.

  

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Na área de softwares e hardwares, a Aliança é dona de 100% dos seus programas e componentes responsáveis por controlar as baterias do veículo. Seguindo essa linha, a Renault está liderando o desenvolvimento de uma arquitetura eletrônica e elétrica centralizada comum, para convergir aplicações de hardware e software com o objetivo de oferecer o máximo de benefícios e um nível otimizado de performance.

Isso dará origem ao primeiro full software defined vehicle (veículo totalmente definido por software, em tradução livre). Esse tipo de veículo, como o nome sugere, tem seus sistemas e funções ativados por programas de computador, ou seja, são basicamente um dispositivo eletrônico sob rodas.

Os faróis são a principal novidade visual do modelo
Segundo a Aliança, a plataforma CMF-AEV do Dacia Spring é a “mais acessível do mundo” Dacia/Divulgação

Essa inovação permite que os carros recebam atualizações de software pelo ar de maneira otimizada, podendo encontrar e corrigir falhas de maneira mais rápida e efetiva, assim reduzindo os custos com manutenção e aumentando o valor de revenda. Outro benefício é a comunicação do veículo com o ecossistema digital, permitindo a comunicação direta com diversos aparelhos eletrônicos. 

O aumento da conectividade também facilitará a troca de tecnologias entre as marcas. Como foi anunciado, a intenção é que, até 2026, 10 milhões de veículos em circulação de 45 modelos diferentes estejam equipados com sistema de condução autônoma. Provavelmente que as três marcas usarão o ProPILOT da Nissan, ou então alguma variação baseada em sua tecnologia.

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Quatro Rodas 753 janeiro 2022 (1)
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