BMW M135 é a melhor resposta ao Golf GTI e um respiro entre tantos SUVs
O novo BMW M135 xDrive chega para acalmar quem sente falta de hatches médios esportivos – e para tirar o reinado solitário do VW Golf GTI
Entre tantos lançamentos de SUVs, picapes, carros elétricos, híbridos e chineses no mercado brasileiro, o BMW M135 xDrive surge quase como um respiro de alívio aos mais conservadores. Afinal, hatches médios são raridades por aqui, mais ainda sendo um alemão, com motor a combustão de mais de 300 cv e desempenho que o classifica como um legítimo esportivo.
Apostando nesta carência do mercado, ele fica responsável não apenas pela estreia da nova geração do Série 1 no Brasil, mas também por seu reposicionamento. A antiga era vendida só na configuração básica, a 118i. Agora, o modelo volta apenas na versão topo de linha, M135.
Por R$ 459.950, o modelo tem por aqui mais rivais do que parece. Entre eles: Golf GTI, por R$ 430.000; Civic Type R, por R$ 430.500; e GR Corolla, por R$ 461.990. O Audi A3 fica abaixo em posicionamento, por R$ 374.990, enquanto o Mercedes-Benz Classe A só é vendido na versão A45 AMG, em segmento superior, por R$ 619.900.
O novo Série 1 mantém elementos de design de antigas gerações, como as proporções (capô longo, cabine recuada e balanço traseiro curto) e um desenho limpo, sem os exageros dos demais carros atuais da marca.
Na dianteira, destacam-se os faróis full-led matriciais e a grade, em formato horizontal e com as bordas iluminadas (cuja função pode ser desativada). As laterais evidenciam o perfil esportivo do M135, com altura reduzida em relação ao solo (15,6 cm), rodas de 19” com pneus 235/40 e retrovisores com abas aerodinâmicas.
O número “1” em baixo-relevo na coluna “C” identifica o Série 1 e, note, não há nenhum detalhe cromado, substituídos por preto brilhante, como manda o figurino. A traseira chama a atenção por ostentar quatro saídas funcionais de escape. As lanternas são de led e o aerofólio tem formato aerodinâmico.
Por dentro, o M135 tem elementos arredondados e traços diagonais, seguindo a atual tendência da marca. O acabamento mescla materiais emborrachados, plásticos, alumínio e superfícies com revestimentos sintéticos, tudo de qualidade e bom gosto.
Há detalhes que não nos deixam esquecer que estamos em um BMW M: há as cores da divisão (azul-claro, azul-escuro e vermelho) em painel, bancos, cintos de segurança, volante, soleiras e chave.
Os bancos dianteiros são um capítulo à parte. Eles têm formato de concha, com abas laterais que seguram o corpo em curvas, revestimento em camurça, encosto de cabeça integrado e o logotipo da divisão M iluminado na área próxima ao pescoço dos ocupantes. Para os dois, os ajustes são elétricos, mas só há duas memórias para o motorista. Nenhum tem aquecimento, ventilação ou massagem.
Também está lá o conjunto curvo de telas, com uma de 10,25” para o quadro de instrumentos (altamente personalizável) e outra, com 10,7”, para a central multimídia, intuitiva e com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.
A lista de equipamentos inclui ainda câmeras 360o, estacionamento autônomo, carregador sem fio, head-up display, som Harman Kardon, luzes ambiente, teto panorâmico, ar digital bizona, ACC, frenagem de emergência, alerta de tráfego cruzado traseiro, monitoramento de pontos cegos e chave digital (para celulares e smartwatches).
O espaço interno, por sua vez, é mais contido do que as listas de equipamentos e o desempenho. Normalmente, hatches médios acomodam dois adultos com cerca de 1,75 metro de altura no banco traseiro. Não há aperto nem sobra, e o modelo deixa claro com o túnel central alto e o console (com saídas de ar e dois USB-C) que um ocupante central não é bem-vindo.
Também não haveria uma boa acomodação lateral, já que a cabine é estreita. A proposta do modelo passa longe de ser familiar, e isso também aparece no tímido porta-malas de 380 litros, ainda assim maior do que o do Golf GTI, que tem 344 l.
O BMW M135 faz parte da turma que deixou de usar motores seis-cilindros, mas não deixou de ser esportivo. Muito pelo contrário. Ele é equipado com um 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina, com 317 cv e 40,7 kgfm, sem eletrificação. Completam o conjunto o câmbio de dupla embreagem de sete marchas e a tração integral.
Nos nossos testes, o hatch foi de 0 a 100 km/h em 5 segundos, mais rápido que o GTI, que fez a mesma prova em 5,7 segundos. A unidade do GTI testada tinha especificação alemã, ou seja, 265 cv. Para o Brasil, terá 245 cv, o que deverá aumentar seu tempo de aceleração.
Mas, mais do que as acelerações rápidas e empolgantes, o BMW tem a esportividade em todos os seus parâmetros. A direção tem apontamentos diretos e peso adequado, e a suspensão adaptativa faz com que o carro pareça preso ao chão, com uma excelente estabilidade em velocidades mais altas e curvas fechadas. Isso faz com que, no dia a dia, o rodar seja mais rígido, mas sem grandes prejuízos de conforto – especialmente para quem gosta da tocada esportiva, caso de quem compra um M135.
Se o momento pedir uma condução mais tranquila, é possível sair do modo Sport para o Efficient (onde as médias de consumo ficam em 9,9 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada) ou para o Personal. Ele fica mais silencioso e menos arisco – mas ainda rápido.
O ronco do motor pode decepcionar, considerando as quatro saídas de escapamento. Há um tom encorpado, mas que poderia ser mais alto e ter mais “pipocos”, artifícios feitos até pelo Fiat Fastback Abarth.
No modo Sport, uma válvula se abre para que o ronco aumente, mas é discreto, e há uma amplificação do som do escape para a cabine. Ao menos não é fake. Mais alto que o som do motor é o da turbina trabalhando, com direito a espirros que provocam sorrisos.
Veredicto Quatro Rodas
O BMW M135 cumpre todos os requisitos de um esportivo e é uma opção mais atraente do segmento, tanto em desempenho quanto em tecnologia e status.
Ficha Técnica
Motor: gasolina, dianteiro, 4 cil., turbo, 16V, 1.998 cm³, 317 cv a 5.750 rpm, 40,7 kgfm a 2.000 rpm
Câmbio: automático, dupla embreagem, 7 marchas; tração integral
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multibraços (tras.)
Freios: disco ventilado nas quatro rodas
Pneus: 235/40 R19
Dimensões: comprimento, 436,1 cm; largura, 180 cm; altura, 145,9 cm; entre-eixos, 267 cm; porta-malas, 380 l; peso, 1.550 kg; vão livre do solo, 156 mm; tanque de combustível, 49 litros
Teste Quatro Rodas
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 5 s |
| 0 a 1.000 m | 24,2 s / 220,8 km/h |
| Velocidade máxima | 250 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 2,4 s |
| D 60 a 100 km/h | 3 s |
| D 80 a 120 km/h | 3,2 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 14,5/25,7/58,2 m |
| Consumo | |
| Urbano | 9,9 km/l |
| Rodoviário | 13,8 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | 38,4 / 64,6 dBA |
| 80/120 km/h | 65,6 / 68,2 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 98 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 2.000 rpm |
| Volante | 2 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 459.950 |
| Garantia | 2 anos |
Ergonomia
A: 154 cm (diant.) / 149 cm (tras.) B: 93,5 cm (diant.) / 94 cm (tras.) C: 103 cm (diant.) / 91 cm (tras.)








