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Jetour T1 prova que nem todo carro off-road precisa de tração 4×4 – até a página 2

SUV híbrido entrega o visual off-road e não sofre na terra e na buraqueira, mas não queira colocá-lo na lama

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
3 fev 2026, 18h00 • Atualizado em 4 fev 2026, 10h46
Jetour T1
 (Jetour/Divulgação)
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  • Ninguém espera que um Fiat Uno ou VW Fusca seja capaz de enfrentar trechos off-road, mas quem faz trilha com carros 4×4 sabe que esses carros fazem parte da paisagem e são capazes de se enveredar pelos mesmos caminhos, mesmo que ninguém espere isso deles. O Jetour T1 sofre de uma expectativa oposta: todo mundo que o vê espera que ele seja muito valente no off-road. Pode até ser em algumas situações, mas nem 4×4 ele é.

    Daria para discorrer um monte sobre como o “parecer” vem antes do “ser” na sociedade moderna, mas seria muito chato. O fato é que o jipe híbrido chinês segue tudo aquilo que outros SUVs 4×4 de mesmo porte e estilo fazem, exceto a mecânica. E nem é pelo fato de ser um híbrido plug-in, mas por ter apenas tração nas rodas dianteiras.

    O Jetour T1 parte dos R$ 249.900 na versão Advance e chega aos R$ 264.990 na versão Premium, mais completa (veja todos os detalhes de equipamentos aqui). Ele não é pequeno e leve como um Uno ou Fusca, porém. Tem 4,71 m de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. É maior que um BYD Song Plus ou GWM Haval H6 e pesa 2.000 kg.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    Por outro lado, o T1 tem 28° de ângulos de ataque e saída: números melhores que os de muito SUV com tração 4×4, o que evitará que raspe nas piores rampas ou valetas. A altura livre do solo é que poderia ser maior que seus 19 cm, ainda mais considerando o longo entre-eixos. É culpa da bateria, de 26,7 kWh, montada no assoalho e que a fabricante diz estar bem protegida de impactos, água e poeira por mais exposta (e visível lateralmente) que esteja.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)
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    A força que chega às rodas dianteira sai de um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm e de um elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm que está integrado ao câmbio DHT de uma marcha. A potência combinada é de 315 cv.

    O primeiro contato com o Jetour T1 é no circuito do Autódromo Velocitta: asfalto perfeito, curvas longas e fechadas em trachos de subidas e descidas. É uma situação boa para notar que o motor que mais traciona o carro é justamente o elétrico. É notável sua entrega de torque imediata, fazendo o T1 ganhar velocidade como se fosse mais leve.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    Até é possível sentir quando o motor a gasolina está funcionando, mas não há como precisar quando ele está apenas gerando energia ou ajudando a tracionar o carro sem olhar para uma tela específica na central multimídia. A única marcha não dá tranco quando acopla. No entanto, em velocidades mais altas e constantes a tendência é que o gerenciamento dos motores dê preferência ao 1.5 turbo, até para poupar a bateria, que permite rodar até 88 km em modo elétrico.

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    Uma boa característica do Jetour T1 é que ele não limita tanto a aceleração em saídas de curva, permitindo ajudar a apontar melhor o carro. O fato de ser um carro com estrutura monobloco, em vez de usar carroceria sobre chassi, contribui para uma melhor dinâmica. Mesmo assim a carroceria se move bastante: inclina para trás nas acelerações, mergulha nas frenagens e pendula nas curvas, porque a suspensão também tem compromissos a cumprir onde não há asfalto.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    E foi na terra onde esse primeiro contato com o SUV híbrido continuou. Nada de terra batida em velocidade, mas uma pista off-road no próprio Velocitta que, em geral, é usada para demonstrações com picapes. Foi bom, principalmente, para mostrar que a suspensão macia realmente é capaz de filtrar obstáculos.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    Indo mais além, o T1 enfrentou subidas de pedra, valetas, trechos mais sinuosos sem demandar um modo de condução diferente do “Sport”, mas resolvi usar o modo “Snow” que, apesar do nome inapropriado, é o que define o controle de tração mais adequado para situações de perda de aderência. Essa gestão da tração é importante porque, na terra, a pronta resposta de um motor elétrico pode atrapalhar mais do que ajudar.

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    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    O Jetour T1 encara isso mesmo com pneus de asfalto. O que realmente faz diferença nessa situação é o tanto que ele afasta os para-choques e a carroceria do solo, evitando danos. Com características assim, sinceramente, praticamente qualquer carro é capaz de vencer um off-road leve, com terra seca. É com lama que a situação poderia ficar complicada.

    Jetour T1
    (Jetour/Divulgação)

    O argumento da Jetour é que grande parcela dos compradores de SUVs híbridos 4×4 escolhem seus carros simplesmente por serem os mais completos e não por necessitarem da tração. Só uma pequena parcela, dizem suas pesquisas, realmente utilizam a tração 4×4. Quem não faz uso do sistema, porém, é penalizado pelo maior peso e pela maior complexidade.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)
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    O T1 entrega o pacote de equipamentos completo, uma boa autonomia elétrica e o status que um 4×4 teria, mas sem insinuar, à primeira vista, que não é 4×4. Mas o comprador vai saber disso e não vai se enveredar por caminhos onde o seu chinês parrudo poderia passar vergonha.

    Outra vantagem do Jetour T1 frente aos seus concorrentes é que a carroceria quadrada, que tanto chama a atenção, também melhora o aproveitamento do espaço interno. É um carro largo, com espaço para cinco pessoas no banco traseiro e com sobra de espaço para as pernas. Para a bagagem, restam ainda bons 574 litros.

    Versões, equipamentos e preços do Jetour T1:

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    Jetour T1 Advance – R$ 249.900

    De série, tem rodas de liga leve de 19 polegadas calçadas com pneus 235/60, conjunto óptico é full-led, incluindo faróis de neblina,  racks no teto, central multimídia de 15,6″ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, quadro de instrumentos digital de 10,25″, ar-condicionado de duas zonas com saídas traseiras, chave presencial (Keyless) e bancos dianteiros com ajustes elétricos e ventilação. O pacote de segurança ativa (ADAS) é um dos pontos altos desta versão. A lista engloba controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de centralização de faixa (ICA), frenagem autônoma de emergência (AEB) e monitoramento de ponto cego (BSD). Para manobras, além dos sensores dianteiros, o motorista conta com o sistema de câmeras 540°.

    Jetour T1
    Jetour T1 (Jetour/Divulgação)
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    Jetour T1 Premium – R$ 264.900

    Soma porta-malas com abertura e fechamento elétricos, carregador indutivo de 50 W, luzes ambiente internas configuráveis, teto solar panorâmico, sistema de som Sony com 9 falantes, espelho retrovisor dianteiro com projeção a laser ‘Jetour’, bancos dianteiros com memória, banco do motorista com ajustes elétricos lombares, banco do passageiro dianteiro com apoio de pés ajustável.

    Motor 1.5 TGDI do Jetour T1
    Motor 1.5 TGDI do Jetour T1 (Jetour/Divulgação)

    Ficha técnica – Jetour T1

    Motor: gasolina, 1499 cm³, 135 cv, elétrico de 204 cv, 31,6 kgfm; potência combinada de 315 cv
    Bateria: LFP, 26,7 kWh, autonomia de 80 km Inmetro
    Recarga: de 30 a 80% em 30 min a até 40 kW DC
    Câmbio: automático 1-DHT, 1 marcha, tração dianteira
    Suspensão: McPherson  (dianteiro), Multilink (traseiro)
    Freios: disco ventilado (dianteiro), disco sólido (traseiro)
    Rodas e pneus: rodas de liga leve 19″, pneus 235/60 R19
    Dimensões: comprimento 4,71 m, largura 1,97 m, altura 1,84 m, entre-eixos 2,80 m, peso 2000 kg, vão livre 19,0 cm porta-malas, 574 litros; tanque 70 litros

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