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VW Super Fuscão 1600 S: o Fusca que saiu das pistas para a fábrica

O motor 1600 fez tanto sucesso nas ruas e pistas que acabou sendo oferecido pela VW, que apelidou de Fusca Bizorrão

Por Felipe Bitu 17 Maio 2026, 18h17 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h30
VW Super Fuscão 1600 S
O célebre apelido Bizorrão veio da publicidade da VW da époc (Marco de Bari/Quatro Rodas)
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Simples e acessível, o Volkswagen Fusca ganhou popularidade no mercado brasileiro logo após o início de sua produção nacional, em 1959. O sucesso comercial impulsionou uma indústria de acessórios voltada aos proprietários que buscavam aprimorar o visual espartano e o desempenho do motor boxer de 1,2 litro, que entregava 36 cv.

Para melhorar o desempenho, a Volkswagen aumentou a cilindrada do motor para 1,3 litro em 1967 (versão Tigre) e para 1,5 litro em 1970 (Fuscão). Como o ganho ainda era considerado conservador, pilotos como Wilson Fittipaldi recorriam à importação de kits para elevar a capacidade aos 1,6 litro. Outra modificação frequente era a adoção da dupla carburação, estratégia mecânica que otimizava o rendimento e reduzia o consumo de combustível.

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Rodas de 14 polegadas davam mais estabilidade (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Com o motor 1600, o Fusca tornou-se competitivo nas ruas e nos autódromos, onde disputava espaço com modelos maiores, como o Chevrolet Opala. O êxito nas pistas levou o então presidente da VW, Wolfgang Sauer, a anunciar em 1973 a criação da SuperVê, uma categoria de monopostos equipada com essa motorização. Simultaneamente, a engenharia da fabricante desenvolvia uma versão oficial com apelo esportivo para as ruas.

Lançado em 1974, o modelo foi batizado de Super Fuscão 1600 S. A estratégia de lançamento envolveu uma campanha publicitária focada no público jovem, responsável por popularizar o apelido Bizorrão. O exterior trazia como diferenciais a tomada de ar preta sobre o capô traseiro e rodas de 14 polegadas com bitolas mais largas, semelhantes às utilizadas no Volkswagen Brasília.

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O volante esportivo obstruía a visão do conta-giros (Marco de Bari/Quatro Rodas)
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A cabine trazia um nível de acabamento superior ao padrão da linha, com forração interna em carpete e bancos dianteiros reclináveis. O volante de três raios da marca Walrod dividia espaço com a alavanca de câmbio encurtada. O motor 1.6 boxer, herdado do Brasília, rendia 65 cv de potência — um ganho de 5 cv obtido diretamente pelo sistema de dupla carburação.

O painel contava com instrumentação abrangente para a época: conta-giros, relógio, amperímetro e termômetro de óleo, equipamento essencial para monitorar a temperatura em motores a ar mais exigidos.

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O 1600 boxer de 65 cv vinha da Brasília (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Sem o rádio de série, oferecido apenas como opcional, o destaque acústico na cabine ficava por conta do escapamento com saída esportiva única à esquerda. O velocímetro marcava até 160 km/h, embora a velocidade máxima real atingisse 136 km/h. Na aceleração de 0 a 100 km/h, no entanto, o tempo de 16,5 segundos era mais rápido que os esportivos SP-2 e Karmann-Ghia TC.

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Esse desempenho permitia ao Super Fuscão 1600 S apresentar números superiores aos de concorrentes diretos da época, a exemplo de Chevrolet Chevette, Dodge 1800 e Ford Corcel, além de acompanhar o ritmo do recém-lançado Volkswagen Passat.

Apesar dos limites de aderência dos pneus diagonais 175 S14, o comportamento dinâmico era considerado ágil. O uso de rodas mais largas e a presença da barra compensadora no eixo traseiro ajudavam a atenuar a tendência ao sobre-esterço. Para garantir a segurança, o sistema de freios contava com discos na dianteira como item de série.

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A entrada de ar com carenagem clássica (Marco de Bari/Quatro Rodas)

O exemplar das fotos pertence ao colecionador Cesar Cardoso, que possui outras duas unidades do modelo nas cores Vermelho Rubi e Branco Lotus, além deste Amarelo Imperial. A produção do Super Fuscão 1600 S foi encerrada no primeiro semestre de 1975, quando foi substituído pelo Fuscão 1600 — configuração que se manteve no mercado até o término da fabricação nacional do Fusca, em 1986.

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TESTE QUATRO RODAS – Outubro de 1974

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Aceleração 0 a 100 km/h: 16,5 s
Velocidade máxima: 136 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 25,7 segundos
Frenagem 80 a 0 km/h: 28,8 m
Consumo médio: 10,2 km/l (cidade), 11,9 km/l (a 80 km/h)

PREÇO
Dezembro de 1974: Cr$ 27.154
Atualizado: R$ 111.794 (IGP-DI, FGV)

Ficha técnica:

Motor traseiro, 4 cilindros boxer, 2 válvulas por cilindro, alimentação por dois carburadores Solex 32 PDST
Cilindrada 1584 cm³
Taxa de compressão 7,2:1
Potência 65 cv a 4600 rpm
Torque 12 mkgf a 3000 rpm
Câmbio manual de 4 marchas, tração traseira
Dimensões comprimento, 402,6 cm; largura, 154 cm; altura, 148,5 cm; entre-eixos, 240 cm
Peso 800 kg
Pneus 175 S14
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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil ao fundo e uma bola no gramado. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, com um carro vermelho em destaque. Um ícone de árvore branca aparece no canto superior direitoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca.
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