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Grandes Brasileiros: Ford Royale

Versão da Quantum com acabamento Ford, ela uniu luxo e tecnologia ao estilo de sucesso da Belina

Por Fabiano Pereira 14 set 2017, 19h48 | Atualizado em 2 jul 2026, 14h51
As lanternas maiores e a coluna traseira preta eram características da Royale
As lanternas maiores e a coluna traseira preta eram características da Royale (Christian Castanho/Quatro Rodas)
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A carroceria era de VW Quantum, mas tinha só duas portas
A carroceria era de VW Quantum, mas tinha só duas portas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Foram mais de 20 anos de mercado. A Belina era, até então, a única perua da Ford no Brasil, considerando as duas gerações, de 1970 a 1991.

Como a marca fazia parte da Autolatina, uma joint venture com a Volkswagen, coube a esta ceder a base, a da Quantum, lançada em 1985. Com frente e traseira diferenciadas e duas portas a menos, a Versailles Royale chegou em 1992, um ano depois do sedã Versailles, a versão Ford do VW Santana.

Se a qualidade mais apreciada na Quantum, as cinco portas, era abdicada para reforçar uma diferenciação entre as duas peruas da Autolatina, a Royale compensava com preço 5% menor.

É verdade que a Belina sempre teve duas portas (o que justificava em parte a configuração da Royale), mas custava 40% menos que a Quantum.

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As lanternas maiores e a coluna traseira preta eram características da Royale
As lanternas maiores e a coluna traseira preta eram características da Royale (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com os mesmos 695 litros de porta-malas da Quantum, a nova perua Ford vinha nas versões GL (1.8 ou 2.0) e Ghia 2.0. Foi esta que QUATRO RODAS avaliou em abril de 1992.

As duas portas a menos eram descritas como uma incoerência. “Do ponto de vista de desempenho, a Royale nada deve à Quantum”, dizia o texto. As trocas de marcha eram destaque, assim como as frenagens, graças ao ABS, opcional.

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“A sensação de equilíbrio nas curvas mais velozes resulta da combinação entre uma suspensão bem arquitetada com amortecedores pressurizados e a direção hidráulica progressiva.”

Volante em estilo Ford, botões de ventilação da VW: herança da Autolatina
Volante em estilo Ford, botões de ventilação da VW: herança da Autolatina (Christian Castanho/Quatro Rodas)

As queixas iam para a disposição dos comandos e falta de instrumentos como voltímetro e manômetro, além da ausência de computador de bordo, check control e regulagem de altura do volante.

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Para 1993, a Ford preparou injeção eletrônica opcional para a GL 2.0. Os motores a gasolina ganhavam carburador eletrônico. Um ano depois viriam o teto solar e o CD player opcionais para a Ghia. A GL trazia ajuste lombar no banco e, como opcionais, regulagem de direção e rodas de liga.

O bom acabamento típico da marca agradava aos donos
O bom acabamento típico da marca agradava aos donos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A GL 1.8 passou a oferecer opção de ar-condicionado e direção hidráulica. No motor, a novidade era a injeção monoponto na GL 1.8 e multiponto na GL e Ghia 2.0, gasolina ou álcool. Mas o carburador eletrônico ainda era de série.

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É de 1994 a Royale GL 2.0 do paulista João de Jesus Cuppi, exibida nas fotos. “A mecânica VW e o acabamento Ford formam um conjunto superior”, diz ele.

Com duas portas a menos, a Royale era apenas 5% mais barata que a Quantum
Com duas portas a menos, a Royale era apenas 5% mais barata que a Quantum (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A linha 1995 trazia grade ovalada, lanternas de desenho mais simples, painel revisado e novo volante. A versão Ghia oferecia bancos de couro. Porém o melhor foi a carroceria de quatro portas, que tirou a de duas do mercado. O carburador também deu adeus.

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Com a importação do Mondeo, que custava menos que um Versailles Ghia completo e tinha uma moderna versão perua, a Royale começou a perder seu propósito dentro da marca. A concorrência também se acirrava.

A Ford reduziu o preço em 15%, mas o fim da Autolatina sepultou sua produção na fábrica da VW em São Bernardo do Campo (SP). A partir dali, a herança da Belina ficaria apenas na memória.


Ficha técnica – Royale 2.0 GL 1992

Motor: dianteiro, 4 cilindros, longitudinal, 1984 cm³, 2 válvulas por cilindro, carburador de corpo duplo
Diâmetro x curso: 82,5 x 92,8 mm
Taxa de compressão: 9,0:1
Potência: 105 cv a 5.200 rpm
Torque: 17,0 mkgf a 3.400 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Dimensões: comprimento, 461 cm; largura, 170 cm; altura, 144 cm; entre-eixos, 255 cm Peso: 1.160 kg
Suspensão: independente, McPherson, na dianteira; eixo de torção na traseira
Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira
Rodas e pneus: aço, 6×14; 195/65 HR14

 

Teste QUATRO RODAS – junho de 1992

Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,58 s
Velocidade máxima: 168,9 km/h
Frenagem 80 km/h a 0: 30,3 m
Consumo: 9,24 km/l (cidade), 12,51 km/l (estrada, a 100 km/h, vazio)
Preço (maio de 1992): Cr$ 65.360.756
Preço (atualizado IPC-SP/FIPE): R$ 140.191

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