Grandes Brasileiros: Ford Versailles Ghia

Em tempos de Autolatina, a Ford se valeu do VW Santana para ter seu topo-de-linha

Ausência de grade e coluna "C" mais reta, próprias da Ford Ausência de grade e coluna “C” mais reta, próprias da Ford

Ausência de grade e coluna “C” mais reta, próprias da Ford (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O segundo fruto da Autolatina, a associação entre Ford e Volkswagen que teve início em 1986, foi lançado em meados de 1990. Primeiro foi o VW Apollo, versão do Ford Verona. Depois veio o Versailles, que chegou para compensar a lacuna deixada pelo Del Rey no topo da linha Ford. Seu DNA era o mesmo do mais nobre dos VW nacionais, o Santana.

Parecida com a do Ford Taurus americano e a do Scorpio e do Sierra europeus, sua frente não tinha grade. As colunas traseiras apresentavam desenho mais reto que no Santana e eram pintadas de preto na versão Ghia. Entre as lanternas desta, uma faixa reflexiva dava continuidade às lanternas logo acima da placa. O recorte da traseira era mais reto que no VW.

Faixa reflexiva unia as duas lanternas no Ghia Faixa reflexiva unia as duas lanternas no Ghia

Faixa reflexiva unia as duas lanternas no Ghia (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O painel também tinha estilo próprio, que lembrava tanto o do Del Rey quanto o do Escort. A mecânica, no entanto, era a mesma do VW. A versão GL, de entrada, era equipada com motor 1.8. Já a topo-de-linha Ghia, além de ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e retrovisores elétricos, vinha de série com motor 2.0.

A injeção eletrônica era opcional, assim como o câmbio automático. Mas a paridade técnica com o Santana não impediu que o Ghia se tornasse o nacional mais veloz testado por QUATRO RODAS na edição de julho de 1991. A 174,3 km/h, deixou para trás até o celebrado Gol GTi.

Versão Ghia tinha ar-condicionado, direção hidráulica e vidros e travas elétricos Versão Ghia tinha ar-condicionado, direção hidráulica e vidros e travas elétricos

Versão Ghia tinha ar-condicionado, direção hidráulica e vidros e travas elétricos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No primeiro comparativo, na edição seguinte, enfrentou Santana GLS 2000i e Chevrolet Monza Classic SE MPFI. Os elogios iam para as retomadas e, em especial, para a estabilidade proporcionada pelos amortecedores pressurizados nos dois carros da Autolatina.

Os instrumentos lembravam os do Del Rey Os instrumentos lembravam os do Del Rey

Os instrumentos lembravam os do Del Rey (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Na edição de fevereiro de 1992 era apresentada a aguardada versão Ghia de quatro portas, que trazia ABS opcional a tiracolo. Sem injeção eletrônica, com catalisador, 105 cv e 1300 kg, ele não passou dos 170,8 km/h. Os freios com ABS foram outro ponto positivo.

Não demorou para a linha Versailles ganhar uma perua, a Royale. A exemplo da antiga Belina, essa Quantum da Ford tinha só três portas, o que nunca ocorreu com a perua VW. Portas à parte, os 695 litros de capacidade de carga eram comuns às duas.

Mas foi a versão sedã de quatro portas que bateu a do Santana em um comparativo de modelos Ford e VW em junho de 1992. O fiel da balança foi o menor preço das peças de reposição.

A partir de 1994, os bancos vieram do Escort, um retrocesso A partir de 1994, os bancos vieram do Escort, um retrocesso

A partir de 1994, os bancos vieram do Escort, um retrocesso (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Repleto de veludo, acabamento do Versailles era melhor que o do Santana Repleto de veludo, acabamento do Versailles era melhor que o do Santana

Repleto de veludo, acabamento do Versailles era melhor que o do Santana (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Não foi essa, porém, a razão que levou o engenheiro catarinense Mário Trichês Júnior a adquirir o Versailles Ghia 1993 das fotos. “É a safra de que mais gosto”, diz. “Ela mantém o desenho original, mas já apresenta melhorias como os pára-choques pintados.”

A injeção eletrônica também deixava de ser exclusiva do Ghia. Mesmo sendo fã do modelo, Trichês não faz vista grossa. “A partir de 1994, ele passou a compartilhar os bancos com o Escort, o que foi um grande retrocesso”, afirma.

O engenheiro possui também um exemplar 1996 e pretende adquirir um 1994. “Foi o ano em que o carro ganhou a opção do teto solar”, diz. A chegada do Versailles 1995, com frente, rodas e lanternas novas, coincidiu com a oficialização do fim da Autolatina.

No ano seguinte o modelo saiu de catálogo. O moderno Mondeo, que chegava da Bélgica com motores 1.8 16V de 115 cv e 2.0 16V de 136 cv assumiria o posto de sedã topo de linha da Ford.

“Mecânicos mais experientes dizem até hoje que o Versailles é melhor que o Santana”, afirma Trichês. A julgar pela mecânica que o carro usava, não deixa de ser um elogio para a VW.

Ficha técnica – Ford Versailles Ghia

  • Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros, 1 984 cm³, injeção eletrônica
  • Diâmetro x curso: 82,5 X 92,8 mm
  • Taxa de compressão: 10:1
  • Potência: 125 cv a 5 800 rpm
  • Torque: 19,5 mkgf a 3 000 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
  • Dimensões: comprimento, 457 cm; largura, 169 cm; altura, 142 cm; entreeixos, 255 cm; Peso: 1162 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, McPherson, braços inferiores triangulares. Traseira: semi-independente, com eixo de torção
  • Freios: disco ventilado na frente e tambor atrás
  • Rodas e pneus: liga leve, pneus 195/60 HR 14

Teste QUATRO RODAS – Julho de 1991

  • Aceleração 0 a 100 km/h: 11,11 s
  • Vel. máxima: 174,3 km/h
  • Frenagem: 80 km/h a 0 28,3 metros
  • Consumo: 8,78 km/l (urbano), 12,96 km/l (estrada, 100 km/h, vazio)
  • Preço (junho de 1991): Cz$ 9.020.000
  • Preço (atualizado IPCA/IBGE): R$ 164.496
Comentários
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  1. Marcus Vinicius

    Com a saída em 1996 da Versailles eis a chegada em 1996 do Mondeo vindo da Bélgica para ser o sedan top de linha !

  2. Belo carro. Que acabamento bacana. Quando criança era um de meus preferidos. Uma pena a Ford ter deixado de usar a sigla Ghia nos veículos topo de linha.

  3. Dom Severiano Carvalho

    *Rafael Lima,* O Studio Ghia, estúdio de design italiano, foi comprado pela Ford por isso usava a nomenclatura Ghia nos carros mais caros.
    Como foi vendido não pode mais usar esta designação.

  4. Gabriel Ribeiro

    Meu pai tem um GL 2.0 com ar e direçao, herdado do meu bisavo, e esta com 60 mil km originais