Carros usados até R$ 20.000: as escolhas da equipe de Quatro Rodas
Resolvemos transformar as horas perdidas em classificados online em algo útil. Ou quase isso: há opções desde antigos a compactos modernos e sensatos
O problema não é apenas o orçamento apertado. Com a valorização dos carros usados, no último ano, também ficou mais difícil encontrar boas opções de carros baratos.
Por isso, resolvemos eleger os carros usados que compraríamos se o orçamento fosse limitado em R$ 20.000.
Quando falamos em “boas opções”, quer dizer que nossa escolha foi feita pensando em carros que conseguem entregar um mínimo de conforto, alguma confiabilidade após anos de uso e, quase sempre, baratos de manter e consertar.
E não custa enfatizar: nós realmente teríamos esses carros.
Honda Civic 2001 – Eduardo Passos, repórter
Mais de 20 anos se passaram e os primeiros Honda Civic fabricados no Brasil continuam bem quistos por mecânicos e têm seu público cativo. Na faixa de preço dos R$ 20.000 é possível encontrar tanto os Civic de sexta geração, com motor 1.6 16V de 106 cv, ou de sétima geração, com moto 1.7 16V de 115 cv.
A maioria dos carros têm câmbio manual de cinco marchas, mas não é difícil encontrar exemplares com o câmbio automático de quatro marchas, que não é problemático.
Chevrolet Astra Sedan 2003 – Paulo Campo Grande, redator chefe
O modelo 2003 marcou a reestilização do Chevrolet Astra. Àquela altura a gravatinha ainda era prateada e o motor 2.0 8V Família II queimava apenas gasolina para entregar 116 cv (a mesma potência do atual Onix 1.0 turbo).
É um carro robusto e confortável. Se não é tão espaçoso para os padrões atuais (exceto pelo porta-malas de 460 litros) é relativamente bem equipado. Com sorte, é possível encontrar Um Astra CD, com computador de bordo, airbags, ABS e ar-condicionado digital que se encaixa no orçamento.
Uber – Fernando Pires, editor de foto e vídeo
Ele tem carteira, mas não dirige e defende que, a longo prazo, sai mais barato pedir um carro de aplicativo do que manter um carro mais usado e velho.
Chevrolet Celta Life 4p com ar – Leonardo Barboza, piloto de testes
“Depois de dirigir qualquer carro mais moderno, você percebe que o Celta é um carro muito simplório”, conta. Não custa lembrar que o Chevrolet Celta é um Corsa ainda mais simplificado, tinha até menos peças de acabamento para economizar no desenvolvimento e produção.
O lado bom disso: é leve e não tem muito o que dar defeito. Na verdade, não precisa nem se preocupar com ralados nos para-choques pois até 2010 (os mais novos à venda por R$ 20.000) eles – bem como as maçanetas e os retrovisores – não eram pintados.
O ar-condicionado é praticamente um item de luxo e o motor 1.0 8V VHCE, com até 78 cv, garante agilidade e baixo consumo. E o mais importante: tem peças baratas e nenhum mecânico se nega a mexer nele.
Peugeot 206 SW Escapade – Fabio Black, editor de arte
Com o gosto peculiar de quem já teve Dodge Dakota, Jeep Willys, Citroën Aircross e Chevrolet Meriva SS Easytronic, nosso editor de arte vê na Peugeot 206 SW Escapade um caso raro de um carro completo com preço de usado. E não é mentira.
Por R$ 20.000 encontra-se as Escapade 1.6 16V 2008, algumas até com baixa quilometragem. Tem visual aventureiro, ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, airbags e freio ABS. E não ter câmbio automático de quatro marchas é um livramento. O motor 1.6 16V gerava 113 cv na época e não é problemático.
VW Fox 1.0 2007 – Isadora Carvalho, repórter
“Foi o meu primeiro carro e não me deu problemas”, lembra a repórter. Em 2007 o VW Fox passava por uma pequena atualização no para-choque frontal, que vale para os modelos 2008. Mas isso não mudava muita coisa: ainda era um carro simplório, compacto mas com uma boa sensação de amplitude na cabine.
Nessa faixa de preço, encontra-se unidades com ar-condicionado e trio elétrico, em sua maioria com duas portas. O motor 1.0 8V EA111 era flex e tinha 72 cv àquela altura. Desempenho não é seu forte, mas era econômico para a época.
Citroën C3 1.6 GLX 2007 – Guilherme Fontana, repórter
O Citroën C3 de primeira geração parecia um tanto excêntrico, mas moderno para a época. Tinha direção elétrica, velocímetro digital, teto elevado e muitos itens de conforto, especialmente na versão intermediária GLX.
O grande segredo é fugir das versões com motor 1.4 e das 1.6 com câmbio automático. Como qualquer carro, vale fazer uma revisão após a compra, mas convém incluir a suspensão na checagem.
Palio Fire 1.0 Celebration 2008 – Henrique Rodriguez, editor
O Palio Fire passava longe das primeiras posições nos comparativos da época, mas é um carro que envelheceu bem. O projeto era antigo e a suspensão voltada para o conforto prejudicava a dinâmica, contudo, é um carro resistente e que não exige muito mais do que a manutenção básica e uma eventual limpeza do corpo de borboletas.
A partir de 2007, o pacote Celebration oferecia os equipamentos mais desejados em um carro popular (ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros elétricos e preparação para som) por um preço módico. Alguns, porém, não têm direção hidráulica.
Na época, o motor 1.0 8V Fire flex gerava meros 66 cv e, obviamente, não fazia do Palio o popular mais ágil do mercado. Longe disso. Mas anda bem, gasta pouco e o motor é confiável. Tanto que já teve pelo menos quatro atualizações desde então e continua equipando carros novos.
VW Fusca – Alexandre Ule, colaborador
“O Fusca para mim representa a verdadeira essência do automóvel, pois ele vai te levar e trazer de volta. Uma meia feminina serve de correia do motor. Um pano molhado faz a bobina voltar a funcionar e até mesmo um galho verde leva a corrente da bobina para o dínamo/alternador. Funciona com três cilindros, vai na lama e na enchente. Para mim, não há carro mais “carro” do que ele”, defende.
Alexandre anda de Fusca no dia a dia e defende que ainda é possível comprar um bom Fusca por R$ 20.000, independente do ano ou do motor.
Chevrolet Classic – Felipe Bitu, colaborador
Das muitas possibilidades entre carros antigos e novos, escolheu o Chevrolet Classic como a opção mais racional. “Um Classic 1.6 automático com ar-condicionado seria perfeito, mas estoura os R$ 20.000”, explica.
Esse valor contempla unidades modelo 2010 e 2011, justamente a transição do Classic do visual clássico para o do Chevrolet Sail chinês. É possível encontrar carros com ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico sem estourar o orçamento. A mecânica é a mesma do celta, o bom 1.0 VHCE com até 78 cv.