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Toyota Hilux tem fama de imparável e fez sucesso nos cinemas e nos campos de batalha

Robusta como um jipe e confortável como um automóvel, ela já vendeu mais de 20 milhões de unidades em quase seis décadas

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 mar 2026, 10h00 •
toyota hilux
Presente em nosso mercado desde 1992, a Hilux passou a ser importada da Argentina em 1997 (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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  • Os utilitários representam um capítulo importante na história da Toyota Motor Corporation: a tradição que começou com o caminhão G1 (1935) e passou pelo jipe Land Cruiser (1951) consolidou-se com a picape Hilux. Apresentada em 1968, a Hilux foi desenvolvida pela Hino Motors, especialista em utilitários recém-adquirida pela Toyota. Seu nome era uma amálgama da expressão “high luxury” (alto luxo), plausível diante da notável evolução frente à simplíssima Toyota Stout. Após dominar os mercados japonês e australiano, a Hilux começou a ser exportada para os EUA, em 1969.

    toyota hilux
    Suspensão elevada era oferecida mesmo nas versões 4×2 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Com apenas 4,3 metros de comprimento e 1,6 metro de largura, a Hilux rapidamente se destacou frente às grandalhonas Chevrolet C-10 e Ford F-100. Seu pequeno motor de quatro cilindros, 1,9 litro e 85 cv dava conta de impulsionar seus 1.050 kg: no Japão seu motor era ainda menor, com apenas 1,5 litro e 74 cv.

    Prática e econômica, a Hilux era a picape compacta que faltava no mundo todo: a Toyota foi o primeiro fabricante a perceber que seu público não a utilizava apenas para o trabalho. A ergonomia dos comandos, o acabamento interno e o conforto das suspensões eram similares aos de um bom automóvel de passeio.

    toyota hilux
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Na segunda geração, o modelo 1973 trouxe a opção do câmbio automático e aposentou o nome Hilux nos EUA: virou apenas Toyota Truck. Redesenhada em 1975, recebeu o título de “picape do ano” e passou a oferecer câmbio manual de cinco marchas no pacote esportivo SR5 (Sport Runabout 5-Speed). Também era produzida na Indonésia, África do Sul, Filipinas e Nova Zelândia.

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    toyota hilux
    Plásticos de boa qualidade e suaves ao toque: no mesmo padrão do Corolla (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Em 1979, surge a terceira geração, a primeira a contar com cabine dupla de quatro portas (muito popular na Austrália) e tração 4×4: a capacidade no fora de estrada alavancou ainda mais a sua popularidade no mercado norte-americano. No modelo 4×2 a suspensão dianteira foi reprojetada para usar barras de torção e os pneus passaram a ser radiais.

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    Instrumentação completa auxilia o monitoramento do motor de 2,7 litros (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Versátil, a Hilux logo incorporou motores a diesel, rádio, ar-condicionado e um acabamento interno ainda mais esmerado. Em 1981, surge o Toyota Trekker, utilitário esportivo desenvolvido em parceria com a norte-americana Winnebago. No segundo semestre de 1983, surge a quarta geração: o Trekker foi sucedido pelo Hilux Surf, vendido nos EUA como 4Runner.

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    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Estrela do filme De Volta Para o Futuro, a quarta geração foi a primeira a oferecer cabine estendida e motor V6, luxos necessários para encarar novas concorrentes como Chevrolet S-10 e Ford Ranger. Também fez sucesso nos campos de batalha: a guerra entre o Chade e a Líbia, em 1987, foi marcada pela presença de picapes Hilux e Land Cruiser, conflito que foi coloquialmente denominado “Guerra Toyota”.

    Discreta evolução, a quinta geração chegou em 1988 e foi produzida também na Argentina e Colômbia. Na Alemanha foi produzida como VW Taro, primeira incursão do fabricante de Wolfsburg neste segmento. Em 1991, a produção norte-americana teve início na Califórnia: foi a última geração da Hilux naquele mercado, sendo substituída pela Tacoma, em 1995.

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    Espaço para dois adultos. Caçamba em peça única reduzia o risco de corrosão (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    A robustez da Hilux foi colocada à prova pelo programa de TV Top Gear: um exemplar de quarta geração com mais de 300.000 km rodados sobreviveu a um banho de maré alta, à queda do alto de um edifício implodido e até um incêndio. A picape sofreu graves danos estruturais, mas voltou a funcionar com ferramentas comuns.

    Levemente reestilizada, a sexta geração veio em 1997, sendo novamente atualizada em 2002. Foi a última geração produzida no Japão. Maior e mais pesada, a Hilux de sétima geração foi desenvolvida e produzida na Tailândia com um desenho extremamente moderno: a supressão de cromados indicava uma proposta cada vez mais urbana.

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    (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    Sentindo o avanço da Ford Ranger e VW Amarok, a Toyota apresentou a oitava geração em 2015: foi a primeira Hilux a aposentar a tradicional alavanca para acionamento da tração 4×4, substituída por um botão giratório. Recém-apresentada, a nona geração é a primeira Hilux com versões eletrificadas: tudo indica que a picape continuará tendo um futuro promissor.

    Ficha Técnica – Toyota Hilux CS DX 2.7 16V 4×2 2003

    Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 2.693 cm3, alimentado por injeção eletrônica
    Potência: 142 cv a 4.800 rpm
    Torque: 23,2 kgfm a 4.000 rpm
    Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
    Carroceria: picape, 2 portas, 3 lugares
    Dimensões: comprimento, 489 cm; largura, 169 cm; altura, 173 cm; entre–eixos, 286 cm
    Peso: 1.650 kg
    Pneus: 215 / 80 R16

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