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Karmann Ghia TC era quase um Porsche 911 nacional, mas sucumbiu à ferrugem

Com linhas que lembram um Porsche 911 e soluções mais práticas que seu antecessor, ele tinha tudo para dar certo. Mas a chuva estragou tudo

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 fev 2026, 13h31 •
Karmann-Ghia-TC-modelo-1973-propriedade-de-Carlos-Dib._3
 (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)
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  • Publicado originalmente em março de 2004

    O manual do proprietário supostamente serve para ajudar o dono a conservar o veículo em boas condições. Essa é a regra geral no universo automotivo. A foto de capa do livreto de instruções de fábrica, no entanto, mostrava um Karmann Ghia TC à beira do mar com as rodas na água.

    A prática de expor o veículo à água salgada é sabidamente condenável. No caso do TC, a cena chega a ser irônica, visto que o modelo clássico teve uma existência breve, de 1970 a 1976. Grande parte desse ciclo curto de produção se deve à justificada fama do modelo de enferrujar ao primeiro sinal de chuva.

    Karmann-Ghia-TC-modelo-1973-propriedade-de-Carlos-Dib._3
    (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    Várias suspeitas foram levantadas para diagnosticar a oxidação precoce. O tratamento incorreto das chapas metálicas e o armazenamento inadequado foram as principais. Além disso, as entradas de ar dianteiras atuavam como coletores de chuva, transformando as caixas de ar em pequenos reservatórios de água.

    Os aros dos faróis e a moldura da janela traseira eram outros pontos vulneráveis causados por falhas de projeto. Na sensibilidade às intempéries pode estar a resposta para explicar o encerramento de um projeto que tinha grande potencial.

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    Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de Carlos Dib.
    (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    O TC era um veículo exclusivo para o mercado brasileiro, desenvolvido para suceder o pioneiro Karmann Ghia. Ao contrário do antecessor, a criação do TC foi de autoria dos estilistas da Volkswagen. A marca alemã repassou o projeto para a Karmann Ghia, responsável por fabricar as carrocerias.

    O fastback era montado sobre a plataforma da VW Variant e do TL, com linhas que remetiam ao Porsche 911. O projeto trazia vantagens sobre o antecessor, como a capacidade de acomodar até cinco passageiros e um porta-malas de volume satisfatório. Havia também a opção de rebater o banco traseiro bipartido para aumentar o compartimento de carga.

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    Interior do Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de CArlos Dib.
    (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    O habitáculo eliminou dois inconvenientes do modelo antigo: a turbulência interna com os vidros abertos e o desconforto causado pela incidência do sol na nuca dos ocupantes. A visibilidade era superior, assim como o espaço na dianteira. Por pouco mais de 10% de acréscimo sobre o valor do Karmann Ghia tradicional, com o qual conviveu por três anos, o comprador levava um veículo mais moderno e prático.

    Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de Carlos Dib.
    (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    Em matéria de desempenho, o modelo mantinha a limitação dos 65 cv do motor VW 1600 refrigerado a ar. A velocidade máxima de 142 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h em 23 segundos não condiziam com a proposta visual do fastback. Em compensação, o consumo de combustível recebia elogios na época.

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    O câmbio tinha acionamento suave e preciso. A suspensão era calibrada para o conforto, apesar das rodas de aro 15 originais. Na década de 1970, a primeira providência tomada por quem desejava um perfil mais esportivo era adotar pneus radiais de aro 14 no lugar dos diagonais de fábrica. Um leve rebaixamento na suspensão também fazia parte das modificações habituais, assim como ajustes mecânicos no motor.

    Interior do Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de Carlos Dib.
    Interior do Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de Carlos Dib. (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    Com as vulnerabilidades de projeto evidenciadas, as vendas do TC não corresponderam às expectativas da Volkswagen, que encerrou a produção do modelo em 1976. Nem o TC e tampouco o VW SP2, lançado em meados da mesma década, foram capazes de ocupar a fatia de mercado deixada pela primeira geração do Karmann Ghia.

    Janeiro de 1971

    “O desempenho do Karmann Ghia TC não corresponde ao seu aspecto agressivo. Foi o que concluímos com nosso teste, em que verificamos que ele é um carro econômico, bem-acabado e resistente, mas não corre nem acelera como se poderia esperar por sua aparência: pode chegar aos 140 km/h e faz de 0 a 100 km/h em 22,9 segundos (…). A distribuição de massas é boa, e os dois faróis são coerentes com o conjunto. (…) As grades dianteiras cromadas, que cobrem as entradas de ar, e o distintivo VW destoam (…). O painel do TC é igual ao do Karmann Ghia antigo: pobre e com poucos instrumentos. Faltam no mínimo um conta-giros e um termômetro de óleo. (…) O volante comum não combina com a natureza esportiva do TC.”

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    Karmann Ghia TC, modelo 1973, propriedade de Carlos Dib._3 (2)
    (Ricardo Rollo/Quatro Rodas)

    Teste QUATRO RODAS – janeiro de 1971

    Aceleração de 0 a 100 km/h: 22,9 s
    Velocidade máxima: 136,7 km/h
    Consumo: 7,8 a 10 km/l (médio)

    Preço

    Janeiro de 1971: Cr$ 21.128
    Atualizado: R$ 194.129 (IGP-DI, janeiro de 2026)

    Ficha técnica – Karmann Ghia TC

    Motor: traseiro, 4 cilindros opostos, Cilindrada: 1.584 cm³
    Potência: 65 cv a 4.600 rpm
    Torque: 12 mkgf a 2.600 rpm
    Câmbio: manual, 4 marchas, tração traseira
    Suspensão: dianteira independente; traseira por barra de torção
    Dimensões: comprimento de 420 cm; largura de 162 cm; altura de 131 cm; peso de 920 kg

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