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Alfa Romeo Spider Aerodinamica modernizou seu design sem alterar mecânica clássica

Terceira geração do conversível se manteve fiel ao projeto da década de 1960, mas revolucionou trazendo mais modernidade ao visual

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
17 fev 2026, 14h30 •
ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
Os apêndices aerodinâmicos não comprometeram a harmonia do estilo Pininfarina (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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  • A década de 1980 foi um período conturbado para os entusiastas dos conversíveis: normas de segurança cada vez mais rígidas fizeram com que os fabricantes abandonassem carrocerias abertas, notórias pela menor rigidez torcional e baixa resistência a impactos. A única a resistir foi a Alfa Romeo, que apresentou a terceira geração do roadster Spider, em 1983.

    Praticamente sem concorrentes diretos, o Spider ainda era o mesmo conversível que sacudiu o mundo automotivo no Salão de Genebra de 1966: o conceito original de Aldo Brovarone e Battista Pininfarina era tão avançado que, na década de 1970, superou concorrentes ingleses como Triumph TR6 e MG MGB com discretos aprimoramentos técnicos e estéticos.

    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    Traseira traz moldura de borracha (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Denominada “Aerodinamica”, a terceira geração do Spider continuava a ser produzida pela Pininfarina na histórica fábrica de Grugliasco, mantendo a tradição das gerações anteriores “Osso di Seppia” (1966-1969) e “Coda Tronca” (1969-1982). O desafio estava em manter o carisma e o apelo de um projeto que já sentia o peso dos seus 17 anos no mercado.

    Para tanto, a Pininfarina realizou um estudo aprofundado em túnel de vento e atualizou a carroceria com para-choques envolventes e um defletor dianteiro. O tradicional scudetto dianteiro teve suas proporções reduzidas e a traseira destacou-se pela presença de novas lanternas e um aerofólio de borracha preta sobre a tampa do porta-malas.

    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    Rodas aro 15 melhoravam comportamento dinâmico (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    A modernização do estilo não comprometeu a personalidade do Spider: os elementos básicos do estilo Pininfarina ainda eram os mesmos do protótipo Alfa Romeo Superflow (de 1956). Sua concepção mecânica permaneceu inalterada: estrutura monobloco, com motor dianteiro, câmbio manual de cinco marchas e tração traseira.

    Sob o capô permanecia o lendário motor de quatro cilindros em linha projetado por Giuseppe Busso, com duplo comando de válvulas e câmaras hemisféricas. No Spider 1600 a cilindrada era de 1,6 litro e seus 104 cv a 5.500 rpm o faziam acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 13 segundos, com máxima em torno de 175 km/h.

    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    Alavanca do câmbio próxima ao volante: ergonomia perfeita (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    No Spider 2000 a cilindrada era de 2 litros, resultando em 126 cv a 5.300 rpm: acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos e chegava aos 194 km/h. Se no mercado europeu o motor era alimentado por carburadores Weber (Spider 1600) ou Solex (Spider 2000), no mercado norte-americano a alimentação era gerenciada pela injeção eletrônica Bosch L-Jetronic.

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    Os freios a disco nas quatro rodas continuavam eficientes, mas o comportamento dinâmico do Spider era comprometido pelas limitações da plataforma (a mesma do cupê Giulia de 1963): a suspensão dianteira independente adotava braços sobrepostos e a traseira ancorava o já arcaico eixo rígido com braços arrastados e cintas limitadoras de curso.

    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    Versão Quadrifoglio trazia interior em cinza e vermelho (Fernando Pires/Quatro Rodas)
    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O interior permaneceu inalterado: o clássico volante Hellebore com aro de madeira estava à frente do painel, com conta-giros e velocímetro em primeiro plano. O console central acomodava instrumentos como marcador de combustível, temperatura da água e manômetro de pressão do óleo. O ar-condicionado Borletti estava entre os opcionais mais desejados.

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    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    O scudetto não prejudicava a refrigeração do lendário motor (Fernando Pires/Quatro Rodas)
    ALFA ROMEO SPIDER 3ª SÉRIE (AERODINaMICA)
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    A terceira geração teve três níveis de acabamento: o básico Graduate trazia bancos de vinil e rodas de aço estampado. O intermediário Veloce incorporava bancos de couro, rodas de liga leve Cromodora e acionamento elétrico de vidros e espelhos. O topo de linha Quadrifoglio recebia interior bicolor (cinza e vermelho), kit aerodinâmico e teto rígido removível.

    O painel só seria atualizado no modelo 1986: uma peça única contendo conta-giros, velocímetro, marcador de combustível, temperatura da água, manômetro de pressão do óleo e voltímetro. O console central recebeu saídas de ar-condicionado e o aerofólio traseiro (com terceira luz de freio integrada) passou a ser produzido em plástico rígido.

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    O sistema de injeção integrada Bosch Motronic foi um sopro de modernidade incapaz de conter o avanço de concorrentes modernos como Toyota MR-2 (lançado em 1984) e Mazda MX-5 Miata (de 1989). Este mesmo sistema de gereciamento foi utilizado no Spider de quarta geração, que em 1994 encerrou o ciclo de 28 anos de produção, o mais longevo na história da Alfa Romeo.

    Ficha Técnica

    ALFA ROMEO SPIDER QUADRIFOGLIO 1987
    Carroceria: aberta, 2 portas, 2 lugares
    Motor: long., diant., 4 cil. em linha, 1.962 cm3, alimentado por injeção eletrônica; 116 cv a 5.500 rpm, 16,5 kgfm a 2.750 rpm
    Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
    Dimensões: comprimento, 428 cm; largura, 163 cm; altura, 129 cm; entre-eixos, 225 cm; peso, 1.156 kg
    Pneus: 195 / 60 HR 15

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