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Renault Twingo E-Tech resgata passado e desafia chineses com preço baixo; já dirigimos!

Na quarta geração, o Renault Twingo resgata o conceito e as soluções que o consagraram no passado, agora no chassi de um compacto elétrico

Por Joaquim Oliveira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2026, 15h35
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Faróis e silhueta monovolume resgatam estilo do modelo original (Divulgação/Quatro Rodas)
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Em 1992, a Renault surpreendeu a todos com o lançamento de um compacto de vocação urbana, formas de monovolume e funcionalidade interior. Viviam-se os tempos dos monovolumes (Espace, Scenic…) e era essa a essência do Twingo original, que teve depois duas gerações até ser convertido num veículo totalmente diferente, feito no contexto da parceria com a smart enquanto marca do grupo Mercedes-Benz.

Agora, 34 anos depois, o Twingo ressurge na quarta geração, reunindo ideais do modelo original com a plataforma RGEV dos recentes Renault 5 e 4 elétricos – mas no seu caso com uma bateria menor, mais barata e com inferior densidade energética (química LFP, fosfato de ferro-lítio), que é um dos segredos para ser possível custar abaixo dos 20.000 euros.

É nesse contexto, de custo acessível, que nasce o novo urbano de quatro lugares com as dimensões exteriores compactas (3,79 m de comprimento), mas a habitabilidade do segmento superior graças ao entre-eixos longo (2,49 m) e também à possibilidade de avançar/recuar os dois bancos (individuais) da segunda fila em 17 cm (para favorecer o espaço para as pernas dos seus ocupantes ou a capacidade do porta-malas), um recurso que já existia no Twingo de 1992 (que possuía apenas um banco para duas pessoas em peça única).

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Bateria de 27,5 kWh rende autonomia de 263 km (Divulgação/Quatro Rodas)

Quase sem notar, já entramos sorrindo no Twingo, cujo nome é a contração dos nomes de três danças – Twist, Swing e Tango – e onde o bom humor é estimulado pelas cores do acabamento (em plástico nas portas e painel de bordo), em concordância com a cor da carroceria. Naturalmente (tendo em conta o segmento de mercado), todas as partes são de toque duro, mas a construção denota solidez.

A tampa do porta-luvas tem descida sustentada, há uns fundos de plástico emborrachado na região para colocar pequenos objetos entre os dois bancos da frente, e os botões de climatização, físicos, têm um agradável acabamento de aspecto metalizado – ainda que a sua fixação não seja tão sólida como é em outros modelos da Renault. Esse detalhe, a par de um ou outro parafuso à vista, são os que podem prejudicar um pouco a perceção de qualidade, ainda assim muito razoável para o segmento.

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Efeito contrário é o que gera a instrumentação digital colorida ( 7”) e, sobretudo, a tela central (10”) que utiliza o software Open R-link – conhecido a bordo dos mais recentes modelos da marca francesa, com Google integrado, comandos vocais e o divertido assistente Chat GPT Reno (de série nas versões mais equipadas ou oferecido como opção, nas básicas) – passando a ser claramente o modelo mais avançado nesse quesito, no segmento.

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Entre os concorrentes, é possível encontrar o Nio Firefly, o BYD Dolphin Surf ou o Leapmotor T03 (todos chineses, até hoje os únicos a conseguir vender automóveis elétricos abaixo dos 25.000 euros, sem nos esquecermos do Dacia Spring, que é um carro ainda mais elementar).

Internamente, a largura à frente e atrás é generosa para dois mais dois adultos e a sensação que temos a bordo do Twingo é muito diferente do que experienciamos na maioria dos rivais (especialmente o Leapmotor T03 ou o BYD Dolphin Surf, vendido no Brasil como Dolphin Mini), altos mas estreitos.

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O comprimento disponível para as pernas pode acomodar passageiros traseiros com até 1,80 m de estatura, se os bancos forem recuados os 17 centímetros da sua calha longitudinal. Mas, devido à posição elevada dos assentos traseiros, acima dos 1,80 m, os ocupantes destes lugares irão tocar com o topo da cabeça no teto (os mais baixos e crianças irão, no entanto, apreciar o claro efeito de anfiteatro gerado na segunda fila de bancos).

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O porta-malas tem uma capacidade que varia entre os 205 e os 305 litros (norma VDA), conforme os dois bancos traseiros estejam posicionados, o que pode ser feito a partir do porta-malas e que melhora a funcionalidade, dado que se fosse necessário fazê-lo pelas portas laterais posteriores seria muito pouco prático.

Nesta aplicação no Twingo, o chassi usa o mesmo eixo dianteiro (MacPherson) que está montado nos recentes Renault 5 e 4 E-Tech (com a bitola um pouco reduzida), enquanto o eixo traseiro substitui a suspensão independente traseira desses dois modelos citados por uma menos sofisticada e menos eficaz barra de torção. Existe apenas a mencionada bateria de 27,5 kWh que a Renault diz ser suficiente para uma autonomia de 263 quilômetros (WLTP).

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É a confirmação, caso fosse necessária, de que este é um automóvel cujo habitat natural é o espaço urbano ou estradas secundárias, enquanto em rodovias sua velocidade máxima de 130 km/h pode deixá-lo em situações de algum aperto. Suas acelerações, porém, são sempre suficientemente rápidas não apenas na selva urbana (5,8 s de 0 a 50 km/h, por exemplo, onde os seus 82 cv e 17,8 kgfm chegam e sobram para o que se espera, até por se tratar de uma entrega de força instantânea, como é nos carros elétricos.

É também nos roteiros urbanos que seu reduzido diâmetro de giro de 9,8 m mais irá ser apreciado, mas também a função one pedal drive, a par dos diferentes níveis de desaceleração regenerativa, selecionáveis a partir das borboletas atrás do volante. As mesmas que usamos para passar do nível zero de regeneração para o 1 e o 2, gradualmente mais fortes.

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Em estradas mais sinuosas, o Twingo colheu pontos favoráveis na resposta da direção (tendencialmente leve, mas bem adaptada aos objetivos do carro e também bastante direta: 2,6 voltas ao volante de topo a topo), cuja coluna pode ser ajustada em altura e profundidade, o que nem sempre é possível em modelos neste segmento (se quisermos colocar um ponto a ser melhorado, o volante poderia ter um diâmetro inferior, levando em conta as dimensões do carro, exteriores e interiores). E também na frenagem, com o pedal da esquerda pronto a responder mais rapidamente e de forma linear.

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Twingo é um compacto elétrico para rodar principalmente no perímetro urbano (Divulgação/Quatro Rodas)

No trajeto do teste composto por um misto de estradas secundárias sinuosas e trajetos urbanos – e que teve a extensão de 80 quilômetros –, apuramos um consumo médio de 12,4 kWh/100 km, (8 km/kWh) bem próximo aos anunciados 12,2 kWh/100 km (8,2 km/kWh), diferença aliás perfeitamente natural tendo em conta que se tratava de um teste no qual houve acelerações mais exigentes.

No final do teste, a bateria indicava uma carga de 59%, que daria para rodar 149 km, o que significa que a autonomia total real seria de 249 km, diante do alcance divulgado de 263 km.

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(Divulgação/Quatro Rodas)

Para as cargas de bateria, o Twingo pode fazê-lo em corrente alterna (AC) a 6,6 kW (10 a 100% em 4h05min) ou, com a aquisição do pacote Advanced Charge, a 11 kW AC (10 a 100% em 2h35min) e 50 kW em corrente contínua (DC) – 30 minutos de 10 a 80% –, uma opção que tem um custo em torno de 500 euros e que inclui ainda as funções V2L (para carregar um aparelho elétrico externo) e V2G (para devolver eletricidade à rede). Em alguns mercados – como o alemão – onde imperam os carregamentos trifásicos, esse pacote é incluído de série no Twingo, sendo que o preço do modelo sobe os mesmos 500 euros (R$ 2.922).

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Apesar da saudade que a primeira geração do Twingo deixou, a Renault não tem planos de trazer esta quarta geração para o Brasil.

Veredicto Quatro Rodas

A Renault foi feliz ao resgatar o conceito original do Twingo, nesta geração elétrica, mantendo o compacto como um modelo de entrada.

★★★★

Ficha Técnica – Renault Twingo E-Tech

  • Preço: 19.490 euros (R$ 113.910)
  • Motor: diant. elétrico (PSM), 82 cv/17,8 kgfm
  • Bateria: íons de lítio, 27,5 kWh
  • Câmbio: aut., 1 m, dianteira
  • Direção: elétrica, diam. de giro, 9,87 m
  • Suspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)
  • Freios: disco ventilado (diant.), disco (tras.)
  • Pneus: 195/50 R16
  • Dimensões: compr., 378,9 cm; larg., 172 cm; alt., 149,1 cm; entre-eixos, 249,3 cm; peso, 1.220 kg; porta-malas, 205/305 l
  • Desempenho*: 0 a 100 km/h, 12,1 s; veloc. máx., 130 km/h, consumo 8,2 km/kWh, recarga 6,6 kW AC (10 a 100%), 4h05

*Dados de fábrica

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Torcedor com camisa do Brasil e braços erguidos em estádio de futebol lotado, com bandeira brasileira e bola no campo. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, sobre fundo verde escuro. No canto superior direito, um ícone de árvore brancaTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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