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Impressões: Jaguar F-Pace P400E evolui bastante e tem atitude enérgica

A primeira reestilização do Jaguar F-Pace incluiu, além do retoque visual, mais tecnologia na cabine e nos sistemas de propulsão, agora com opções híbridas

Por Joaquim Oliveira/Press-Inform Atualizado em 11 set 2021, 10h04 - Publicado em 10 set 2021, 11h22
O novo F-Pace já estreou no Brasil, nas versões equipadas com motores 3.0 V6 e 5.0 V8
O novo F-Pace já estreou no Brasil nas versões equipadas com motores 3.0 V6 e 5.0 V8 Jaguar/Divulgação

Há cinco anos, quando o Jaguar F-Pace fez sua estreia, o sucesso foi instantâneo. Logo no ano seguinte, 2017, o primeiro SUV da marca inglesa superou a soma de todos os outros modelos da fabricante, com 76.000 unidades vendidas no mundo. Com o tempo e o aumento da concorrência, as coisas mudaram e no ano passado os emplacamentos caíram pela metade. Era o momento de mexer, e a reação está aí.

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O modelo recebeu uma reestilização de meia vida, que incluiu também alterações no interior (mais conectividade e novas telas virtuais) e uma bem-vinda eletrificação. O visual passou por aquela levantada para encarar a segunda etapa desta primeira geração. Na dianteira, são novos o capô, para-choque, entradas de ar e a própria grade. Os faróis são mais finos e ganharam tecnologia led pixel, com o funcionamento seletivo para não ofuscar os motoristas dos veículos que trafegam à frente.

Por dentro as mudanças são mais evidentes. O painel ganhou uma nova tela de 11,4” (que substitui a anterior, de 10”), ligeiramente curva e dotada de uma fina moldura de magnésio. A Jaguar afirma que o monitor é três vezes mais luminoso do que o antigo. E que, como pudemos comprovar, sua operação é mais intuitiva e simplificada. Segundo os engenheiros, 90% das funções mais comuns podem ser feitas em até dois toques na tela.

Seletor de marchas que antes era rotativo ganhou alavanca
Seletor de marchas que antes era rotativo ganhou alavanca Divulgação/Jaguar

Essa nova geração de arquitetura eletrônica (2.0) completa-se com um quadro de instrumentos virtual de alta definição e 12,3”, configurável e com gráficos melhorados. Agora a tela central e o quadro de instrumentos parecem pertencer ao mesmo carro e à mesma década, o que não era o caso no F-Pace original, no qual o monitor central tinha estilo e iluminação antiquados.

Couro legítimo, alumínio e superfícies em preto brilhante revestem painel e volante
Couro legítimo, alumínio e superfícies em preto brilhante revestem painel Divulgação/Jaguar

Há conectividade com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, head-up display, carregamento de celular por indução, sistema de cancelamento de ruído na cabine e também a possibilidade de receber atualizações de software remotamente. O novo seletor do câmbio de oito marchas da ZF não é mais rotativo. Agora, a manopla assumiu forma mais convencional. Tem acabamento que mistura metal e couro, e garante encaixe perfeito na palma da mão. Há também um novo seletor para os diversos modos de condução (Comfort, Eco, Rain/Ice/Snow e Dynamic).

Versão plug-in tem porta-malas com 485 l de capacidade
Versão plug-in tem porta-malas com 485 l de capacidade Jaguar/Divulgação

O sistema auto hold foi melhorado. Antes ele mantinha o carro parado na rampa apenas durante dois segundos, mas agora ele segura as pontas mesmo em fortes subidas até que o motorista volte a pisar no acelerador. Nos novos painéis das portas, os porta-objetos estão mais amplos, e os botões dos vidros estão em local mais acessível.

O elétrico I-Pace emprestou o sistema de ionização do ar e de filtro de pólen, o que vai agradar especialmente quem tem alergias respiratórias. Os bancos ficaram maiores e melhoraram os serviços de massagem, aquecimento e refrigeração em relação aos anteriores.

Acabamento nobre se repete no volante
Acabamento nobre se repete no volante Divulgação/Jaguar

As dimensões não mudaram, e o SUV britânico segue como um dos SUVs mais espaçosos da turma, em grande parte por ter a maior distância entre-eixos (2,87 m) e de ser também o mais comprido (4,75 m). Embora a nova geração do Mercedes GLC tenha igualado a distância entre-eixos, o Jaguar continua a ser um dos melhores para ocupantes do banco traseiro.

Em altura, pessoas de até 1,90 m viajam sem constrangimento. O mesmo não se pode dizer do passageiro central traseiro, que precisa conviver com um enorme túnel de transmissão (todos os F-Pace são 4×4).

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O novo F-Pace já estreou no Brasil, nas versões equipadas com motores 3.0 V6 e 5.0 V8, com preços a partir de R$ 463.750. Mas a principal novidade da linha são as novas versões híbrida leve e híbrida plug-in (mostrada aqui).

O híbrido leve é composto por um motor de arranque/alternador que acumula a energia em desaceleração e frenagem, enviando-a a uma bateria de 48 volts de íons de lítio. Essa força auxilia o motor a combustão nas acelerações e retomadas de velocidade, e também possibilita funcionamento mais suave do sistema stop-start. Mas a principal novidade é o conjunto híbrido plug-in 400e, o mesmo do novo Land Rover Defender, que custa 73.000 euros (cerca de R$ 438.000), na Europa.

Passageiros das janelas têm amplo conforto. O do meio sofre com o largo túnel de transmissão sob os pés
Passageiros das janelas têm amplo conforto. O do meio sofre com o largo túnel de transmissão sob os pés Divulgação/Jaguar

Ele une o 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina de 300 cv a um motor elétrico de 143 cv. Com isso, a potência máxima salta para 404 cv, e o torque chega a 65,2 mkgf. O motor elétrico é alimentado pela bateria de íons de lítio de 13,6 kWh utilizáveis (17,1 brutos).

Segundo a fabricante, ela permite percorrer 53 km em modo 100% elétrico. Em carregador de 7,4 kW de corrente alternada (CA), a marca divulga 1h40m para uma carga de 80%. Já em um ponto de 32 kW de corrente contínua (CC), o mesmo nível de carga é obtido em 30 minutos.

Depois de um suave arranque em modo totalmente elétrico, dá para apreciar o silêncio a bordo, cortesia do sistema de cancelamento de ruído e também devido à suavidade com que o sistema start-stop desliga e religa o motor. Quase não se notam as passagens de marcha. Entre as várias formas de dirigir, o motorista pode optar pela condução híbrida e puramente elétrica (desde que haja bateria suficiente).

volante. Central multimídia tem tela de 11,4”
Central multimídia tem tela de 11,4” Divulgação/Jaguar

Há também a Save (salvar, economizar). Nesse caso, o sistema guarda carga de bateria para um final de viagem em percurso urbano. Mesmo no modo Eco a aceleração é forte, porque boa parte do torque está disponível em baixos giros. A do motor a gasolina aparece em sua plenitude a 1.500 rpm, mas a do ajudante elétrico vem antes. Por isso, não espanta que, apesar dos 2.190 kg (quase 200 kg a mais que a versão só a gasolina com esse motor), o F-Pace 400e necessite de apenas 5,3 s para disparar até os 100 km/h e de somente 3,3 s para recuperar de 80 a 120 km/h.

  • Em caso de piso escorregadio (chuva, por exemplo), o carro também oferece um ajuste em que o câmbio sai em segunda marcha, o torque do motor é reduzido e a maior parte da tração fica na traseira. Durante a avaliação com o modelo híbrido plug-in em um circuito misto, o consumo médio ficou entre 16 e 20 km/l, o que é aceitável, embora longe dos 45,4 km/l divulgados pela fabricante. Os modos ajustam a resposta da direção (que poderia ser um pouco mais comunicativa), do câmbio, do acelerador e dos amortecedores eletrônicos variáveis.

    Recarga pode ser feita em corrente contínua ou alternada
    Recarga pode ser feita em corrente contínua ou alternada Divulgação/Jaguar

    Mesmo não tendo um comportamento de Porsche Macan, a suspensão controla bem o rolamento da carroceria e favorece a agilidade do F-Pace. O porta-malas está na média da classe. O modelo sem nenhum tipo de propulsão elétrica acomoda 613 litros, capacidade que cai para 501 l no modelo híbrido leve e para 485 l na versão híbrida plug-in 400e. Depois das mudanças, a Jaguar espera dar novo fôlego ao seu SUV para recuperar o volume de vendas e mantê-lo em alta até a chegada da nova geração.

    Ficha técnica do Jaguar F-Pace P400E:

    • Preço: 73.000 euros
    • Motor térmico: gasolina, dianteiro, 4 cilindros, 16V, 1.997 cm³; 300 cv a 5.500 rpm, 40,8 kgfm a 1.500 rpm.
    • Motor elétrico: potência e torque combinados, 404 cv e 65,2 kgfm; baterias, 17,1 kWh (brutos.
    • Câmbio: automático, 8 marchas, tração 4×4.
    • Direção: elétrica, diâmetro de giro, 11,9 m.
    • Suspensão: duplo A (dianteira), multi-braços (traseira).
    • Freios: disco ventilado (dianteira), sólido (traseira).
    • Pneus: 255/55 R19
    • Dimensões: comprimento, 474,7 cm; largura, 207,1 cm; altura, 166,4 cm; entre-eixos, 287,4 cm; peso, 2.189 kg; porta-malas, 485 l; tanque, 69 l
    • Desempenho: 0 a 100 km/h, 5,3 s; velocidade máxima de 240 km/h; consumo (misto), 45,4 km/l.

    Veredicto

    Mesmo nas versões equipadas com motores V6 e V8 convencionais, vendidas no Brasil, o F-Pace evoluiu bastante na atualização que recebeu. ⋆⋆⋆⋆

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