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Audi RS 7

Com desempenho de superesportivo, o modelo mostra na pista por que ele é um R8 para quatro pessoas

Por Vitor Matsubara 24 jun 2015, 11h02
testes

Tony Stark é um cara de sorte. Quando não está ocupado combatendo os vilões na pele do Homem de Ferro, o playboy milionário curte a vida pilotando esportivos da Audi. O R8 Coupé foi coadjuvante do primeiro filme, cedendo espaço para o R8 Spyder na segunda parte da saga. No terceiro episódio, a participação foi em dose dupla, com o R8 V10 Plus e o R8 e-tron – que não deve ser produzido tão cedo. Mas não me espantarei se a próxima aparição do herói nas telonas acontecer dentro de um RS 7. Poucos modelos conseguem aliar o desempenho arrebatador de um superesportivo com o conforto de um sedã de alto luxo como este Audi.

Essa combinação não chega a ser novidade para os fãs da marca de Ingolstadt. Todo modelo identificado com as letras R e S no nome faz bonito na hora de acelerar. Só que a história é um pouco diferente no caso do RS 7. O suprassumo da linha esportiva alemã surpreende até quem está acostumado a acelerar carrões de alta performance.

Do alto de seus 20 anos de experiência na profissão, nosso assistente de testes Jorge Luiz Alves não conteve a empolgação após fazer as medições. “Esse carro é mais interessante que o R8, até porque dificilmente esperamos números de superesportivo num sedã.” A empolgação de Jorge não é à toa. Afinal, são raros os casos em que um carro supera os números da própria fábrica. Em nossa pista de testes, o carro levou apenas 3,5 segundos para ir de 0 a 100 km/h – quase 0,5 segundo abaixo do dado declarado pela Audi. A façanha credencia o RS 7 ao segundo lugar no ranking de veículos mais rápidos testados por nós no último ano, perdendo apenas para os 3,1 segundos do Porsche 911 Turbo, um puro-sangue de 520 cv que custa quase R$ 1 milhão. Embora tenha 30 cv a mais, o RS 7 fica atrás do 911 por causa da relação peso/potência – são 3 kg/cv, ante 3,5 kg/cv no Audi.

Como os heróis dos quadrinhos, a versão endiabrada do A7 tem vários segredos. Um deles é o controle de largada, ativado por um ritual tão emblemático quanto a transformação de Stark no Homem de Ferro. Após desligar o controle de estabilidade, o motorista ativa o modo Dynamic e põe o câmbio na posição Sport. Com um dos pés pressionando o freio e o outro afundado no acelerador, basta esperar o giro subir até 3 000 rpm e liberar o pé esquerdo. Aí o RS 7 arranca com a mesma rapidez dos foguetes da armadura de Stark, jogando seu corpo contra o banco de couro revestido de Alcantara.

Como a maioria dos esportivos RS (que em 2015 completam 20 anos de presença no Brasil), o RS 7 devora o asfalto com apetite voraz. Foram necessários apenas 21 segundos para vencer os primeiros 1 000 metros.

Na pista de testes, o head-up display projetava 287 km/h diante dos meus olhos quando atingimos o limite da distância segura de frenagem no fim da reta. Ou seja, dava para acelerar mais. O carro transmite segurança em quase todas as situações, fazendo curvas com enorme facilidade graças à tração integral e à eletrônica, que distribui o torque entre todas as rodas e praticamente anula a rolagem da carroceria, de acordo com a Audi.

Difícil é não se contagiar pelo ronco grave emitido pelas duas ponteiras ovais. Se o modo Dynamic estiver ligado, então, o motorista é brindado com estampidos típicos de um carro de corrida nas reduzidas de marcha. Assim fica fácil entender por que nem liguei o potente sistema de som Bang & Olufsen. Além da disposição na hora de acelerar, o RS 7 tem o mesmo ímpeto quando precisa parar, mérito dos discos de freio com composto cerâmico que recheiam as enormes rodas de liga leve 21 polegadas.

Apesar do temperamento explosivo, o carro se transforma em um pacato sedã ao selecionarmos o modo Comfort. Se a intenção for poupar combustível, o motor V8 pode virar um V4 com o sistema COD (“cilindro sob demanda”, em português), que desliga metade dos cilindros em situações de aceleração constante.

No fim das contas, não seria loucura trocar um R8 pelo RS 7. Se eu tivesse a fortuna de Tony Stark, faria isso sem titubear. Até porque nem todos os carros são pacatos no dia a dia e poderosos quando provocados. Como convém a todo super-herói.

AVALIAÇÃO DO EDITOR

MOTOR E CÂMBIO

A transmissão troca as marchas com rapidez, casando bem com o vigoroso motor V8.

★★★★☆

DIRIGIBILIDADE

Com tração integral e controle de rolagem da carroceria, ele faz curvas com competência de R8.

★★★★SEGURANÇA

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Tem oito airbags, controles eletrônicos por todos os lados e freios com composto cerâmico.

★★★★☆

SEU BOLSO

Deve custar mais de R$ 600 000, mas quem compra um RS 7 não está tão preocupado com isso.

★★★☆

CONTEÚDO

Surpreende até quem está habituado com carrões, trazendo câmera de visão noturna e som premium.

★★★★

VIDA A BORDO

Alia o requinte de um sedã para andar no banco de trás com o desempenho de um superesportivo para assumir a direção.

★★★★

QUALIDADE

Acabamento de primeira linha, com couro Alcantara nos bancos e apliques de fibra de carbono.

★★★★☆

VEREDICTO

Caro e exclusivo, o RS 7 sofre uma deliciosa crise de dupla identidade: é veloz como um superesportivo e confortável como os melhores sedãs.

★★★★

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