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Picape média da Ram será Toro gigante com até 270 cv e produção nacional

Maior que a Fiat Toro e menor que a Ram 1500, a nova picape entrará no segmento das picapes médias em 2023

Por Eduardo Passos
Atualizado em 25 fev 2023, 14h58 - Publicado em 1 abr 2022, 11h45

Em 2019, a antiga FCA já sonhava com a ideia de vender uma picape média no Brasil, formando um trio de sucesso junto das Fiat Strada (que logo ganharia nova geração) e Fiat Toro.

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Para isso, entretanto, era necessário acostumar o consumidor local com a marca Ram, há alguns anos emancipada da Dodge e escolhida para identificar essa nova caminhonete, prevista para 2023.

Apelidada de “Torona” nos corredores da Fiat, as linhas do “projeto 291” são bem mais próximas às da Ram 1500, coroando a iniciativa de trazer a caminhonete grande para o mercado nacional, ignorado pelas concorrentes Ford (F-150) e Chevrolet (Silverado).

Picape média da RAM

A 1500 não ligou para pandemia ou dólar nas alturas e, a surreais R$ 469.990, acumula filas de espera, enquanto a Ram vem se tornando uma marca objeto de desejo.

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As margens cada vez mais apertadas da indústria, porém, jamais tornariam viável um projeto exclusivamente nacional. Posta em xeque durante a fusão que originou a Stellantis, a picape média também precisava servir aos EUA, que neste momento procura como nunca as intermediárias Ford Maverick e Hyundai Santa Cruz.

RAM 1200
Faróis terão recortes que lembram as irmãs maiores (Renato Aspromonte/Quatro Rodas)

Ainda que ambas tenham dimensões mais próximas às da Toro, esse sucesso é um sinal importante por se tratar de dois modelos em monobloco. Afinal de contas, fontes ligadas ao projeto 291 nos confirmaram que a novidade será feita sobre a longeva plataforma Small-Wide 4×4, que já serve de base a Toro, Renegade, Compass e Commander.

Em relação aos modelos nacionais, haverá novos motores (ver destaque) e nova geometria de suspensão, mas o câmbio automático de nove marchas deve ser reaproveitado, bem como o sistema de tração 4×4.

Esqueleto de Toro, cara de Ram

Separando suas várias marcas em propósitos distintos, a Stellantis sabe muito bem a importância de encantar o consumidor brasileiro, que está mais próximo do americano no apego material ao carro.

O grupo, inclusive, conta com uma gerente de storytelling e content; ou seja, uma profissional de comunicação dedicada à construção da imagem de cada fabricante da holding.

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Caberá à nova Ram o papel de ser um produto de prestígio como a 1500 – missão muito difícil de ser capitaneada pela Fiat, por questão de posicionamento.

Caçamba terá gavetas internas para acomodar objetos menores
Caçamba terá gavetas internas para acomodar objetos menores (Renato Aspromonte (REPRODUÇÃO PROIBIDA)/Quatro Rodas)

Para facilitar o trabalho do marketing, entretanto, a nova picape monobloco será bem parecida com a 1500, ainda que aproveite portas dianteiras da Toro.

Em relação à intermediária, o projeto 291 prevê entre-eixos maior, com cabine alongada. De comprimento na casa dos 5 metros, a nova picape reforçará a “urbanização” desse segmento, com cabine dupla e caçamba menor que a de concorrentes, mas com uma versão interna da Ram Box (porta-objetos embutido na carroceria) e abertura da tampa para os lados.

Os pormenores seguem em debate, mas a dianteira terá faróis ao estilo das Ram americanas, junto ao capô bem marcado para dar um aspecto musculoso. Internamente, espere o quadro de instrumentos de 10,25” do Compass Limited com grafismos mais bem trabalhados.

Em time que está ganhando não se mexe: design da 1500 será bem seguido no projeto 291
Em time que está ganhando não se mexe: design da 1500 será bem seguido no projeto 291 (Renato Aspromonte (REPRODUÇÃO PROIBIDA)/Quatro Rodas)

A multimídia vertical, também usada na Toro, é outra boa probabilidade, assim como o estilo sertanejo off-road, equivalente do visual que a Jeep trouxe nos últimos anos.

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O processo de entrada da Jeep no Brasil também servirá de inspiração à Ram, que repetirá dos “puxadinhos” em concessionárias ao investimento maciço em propaganda e conteúdo midiático para se tornar parte da cultura nacional.

Quanto ao nome da caminhonete, o portal Autos Segredos crava na aritmética escolha por Ram 1200. Consultores ligados à Stellantis pensam diferente e apostam na ressurreição (com batismo levemente alterado) da Ram Dakota, recomeçando a história da extinta picape média que, ainda sob a tutela da Dodge, foi fabricada no Brasil entre 1998 e 2001.

Conhece-te a ti mesmo que eu me conheço bem

Flagra por Rogério Transjal (2)
Stellantis comprou as picapes monobloco da concorrência (Rogério Transjal/Quatro Rodas)

Ao contrário da 1500, a nova Ram média será mais adequada para os centros urbanos, atraindo um público menos dependente de capacidade off-road extrema.

Obviamente, a picape terá tração nas quatro rodas e geometria de suspensão própria, mas a evolução das estradas e da qualidade construtiva tornou viável a opção pelo monobloco, que também é mais leve, o que favorece o consumo.

Um flagra realizado no mês passado mostrou uma Ford Maverick e uma Hyundai Santa Cruz subindo a BR-381, em Pouso Alegre (MG), as quais confirmamos, depois, foram compradas pela Stellantis.

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Em Betim (MG), as concorrentes serão submetidas a uma espécie de engenharia reversa, a fim de analisar vícios e, sobretudo, virtudes que permitiram a elas quebrar a obsessão norte-americana pelos chassis. A tração integral inteligente, cada vez mais valorizada, também é um ponto de estudo, assim como os ajustes de suspensão.

Uma mula que diz muito…

Mula RAM 1200
Improviso visto nos EUA é um ensaio do que as ruas brasileiras terão em breve (Acervo/Quatro Rodas)

Durante os testes para o lançamento do Jeep Grand Wagoneer, projetistas utilizaram uma mula que ilustra bem como será a nova picape no mundo real. A 1500 “artesanal” flagrada nos EUA tem entre-eixos mais curto, assim como a caçamba. Em relação ao projeto 291, as diferenças estéticas se concentram na altura, tamanho do capô e retrovisores.

Motor a gasolina

Motor a gasolina
(Divulgação/Quatro Rodas)

Temos certeza quanto ao motor a gasolina 2.0 turbo da família GME. Também embarcado em carros da Maserati, Alfa Romeo e Jeep, o quatro-cilindros tem versões que chegam aos 274 cv e 40,8 kgfm, podendo ser flex no Brasil. Tão importante quanto a produção em larga escala, seu projeto permite a eletrificação leve, favorecendo torque em baixas rotações e emissões dentro dos limites cada vez mais rígidos. A grande redução de peso frente ao uso de chassis abre possibilidade para ótimos números de consumo.

Motor a diesel

Motor a diesel
(Divulgação/Quatro Rodas)

A versão diesel da nova Ram trará o 2.2 Multijet II, também usado por Alfa e Jeep. A tendência é que ele seja aprimorado para ir além dos 200 cv e 45 kgfm, também com possibilidade de eletrificação leve. Com os predicados do 2.0 GME, entretanto, não se surpreenda se a marca mais uma vez subverter a lógica, agora revivendo as picapes médias flex no Brasil.

 

 

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