VW Polo 1.0 TSI nacional terá 128 cavalos e tecnologias do Golf

Novo Polo traz refinamento de carro médio para brigar com Fiat Argo e Chevrolet Onix

Protótipo sem chapas externas serviu para antecipar os sistemas do novo Polo

Protótipo sem chapas externas serviu para antecipar os sistemas do novo Polo (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Um pequeno Golf. Esta é a melhor definição para a nova geração do Volkswagen Polo que chegará às lojas brasileiras entre novembro e dezembro.

Mas a comparação não se dá pelo design dos principais elementos visuais — neste aspecto ele está mais para um Passat hatch. A questão é que o compacto premium terá tanta tecnologia embarcada quanto o hatch médio.

Antes da estreia oficial, agendada para novembro, a Volkswagen utilizou esqueletos do hatch para antecipar detalhes da plataforma modular, do quadro de instrumentos digital configurável e do conjunto formado pela associação do motor 1.0 TSI de 128 cv com o câmbio automático Tiptronic de seis marchas.

Lanternas são definitivas e, pelo menos nesta versão, não têm iluminação de led

Lanternas são definitivas e, pelo menos nesta versão, não têm iluminação de led (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Boa parte das novas tecnologias estão vinculadas à plataforma modular MQB-A0, que facilita o compartilhamento de peças, componentes eletrônicos e sistemas eletrônicos até então restritas a segmentos superiores. Ela também padroniza o processo de montagem entre os modelos.

 (Divulgação/Volkswagen)

O novo Polo é deste jeito com carroceria

O novo Polo é deste jeito com carroceria (Divulgação/Volkswagen)

A MQB-A0 é uma variante da plataforma modular MQB (já usada pelos VW Golf e Passat e Audi A3) destinada a veículos compactos. Lá fora ela também deu origem aos novos Seat Ibiza e Arona. Por aqui, dará origem a outros três modelos: o sedã premium Virtus, um SUV compacto do porte do Jeep Renegade e uma picape intermediária que concorrerá com Fiat Toro e Renault Oroch.

Na plataforma MQB tudo é modular, apenas a distância entre o centro das rodas dianteiras e os pedais não muda

Na plataforma MQB tudo é modular, apenas a distância entre o centro das rodas dianteiras e os pedais não muda (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Mas o novo Polo nacional não será igual ao europeu – que só chegará ao mercado em setembro. Há adaptações que fazem parte da tropicalização. Uma delas é a suspensão elevada em 2 cm, outra é a barra estabilizadora dianteira mais robusta, com 2 cm de diâmetro. Nosso Polo terá arquitetura McPherson na dianteira e traseira por eixo de torção, como na Europa.

O Polo tem eixo de torção na traseira e sua distância do solo será 2 cm maior no Brasil

O Polo tem eixo de torção na traseira e sua distância do solo será 2 cm maior no Brasil (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Por aqui, todos os Polo terão direção elétrica, sistema Isofix, suporte de celular no painel, bancos traseiros bipartidos, volante com ajuste em altura e profundidade e o sistema M-ABS. Este nada mais é do que um controle de tração que atua diretamente no torque do motor para reduzir o escorregamento das rodas durante a aceleração ou quando o veículo começa a destracionar.

Já o controle de estabilidade (ESC) será item de série apenas nos Polo com motor TSI. Nos com motor aspirado será opcional.

Portas têm uma segunda chapa interna, o que ajudará a reduzir o ruído de vento dentro da cabine

Portas têm uma segunda chapa interna, o que ajudará a reduzir o ruído de vento dentro da cabine (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Freios a disco nas quatro rodas também serão exclusivos do TSI, que passa a ser o único compacto a abolir o tambor no eixo traseiro. Ele naturalmente reduz a fadiga em condições de uso intenso, e traz um sistema autolimpante.

Trata-se do BSW, que atua junto ao controle de estabilidade para aproximar as pastilhas dos discos de freio dianteiros por frações de segundo e de forma imperceptível para secar os componentes. Isso ocorre acima de 70 km/h e com o limpador de para-brisa acionado, em intervalos de 3 km.

O excesso de água nos discos e pastilhas pode reduzir a capacidade de frenagem – é daí que vem a recomendação de dar leves toques nos freios regularmente ao enfrentar chuva ou passar por poças.

Veja também

Há outros sistemas vinculados ao ESC. O bloqueio eletrônico do diferencial é um deles. Sua função é acionar o freio da roda com menor tração, transferindo o torque para a roda com maior aderência.

A função XDS+ permite intervenções seletivas nos freios das rodas internas às curvas nos dois eixos para que o carro aponte para dentro da curva, proporcionando mais agilidade e segurança.

Estepe tem pneu convencional, mas é de uso temporário

Estepe tem pneu convencional, mas é de uso temporário (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

O assistente de partida em rampas e o sistema de monitoramento dos pneus também dependem do ESC. A pressão dos pneus é checada por um sensor lê a vibração gerada por cada um dos pneus. Dependendo da vibração, o carro sabe se a pressão está correta. Mas é necessário resetar as definições do sistema, por meio do computador de bordo, toda vez que os pneus são calibrados.

Mais potente que o Golf

Desta vez a Volkswagen só falou do motor 1.0 TSI. Não escondeu que o Polo terá motores aspirados no Brasil, mas não disse quais serão – ou qual será. O mais cotado é o 1.6 16V MSI de 120 cv e 16,8 mkgf de torque, combinado com câmbio manual de seis marchas e opção de câmbio automático.

O motor 1.0 MPI (que gera 82 cv em Gol, Up! e Fox) também está nos rumores. Mas vale lembrar que o Polo 1.0 lançado em 2002 foi um dos maiores fiascos da Volks: vendeu tão pouco que ficou nas lojas por apenas 10 meses, canibalizado pelo Gol. Hoje, um suposto Polo 1.0 MPI teria a concorrência das versões mais caras de Fox e Gol – e até do Up!.

Tricilíndrico gera 128 cv e 20,4 mkgf

Tricilíndrico gera 128 cv e 20,4 mkgf (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

O três cilindros com turbo e injeção direta aparecerá no Polo em sua configuração mais potente vista até agora no mundo inteiro. Serão 128 cv (3 cv a mais que o Golf 1.0 TSI) e 20, 4 mkgf de torque a 1.500 rpm com álcool. Para efeito de comparação, o novo Golf Bluemotion europeu traz uma versão do motor 1.5 TSI com 130 cv e os mesmos 20,4 mkgf.

Diante do desafio de mostrar o quão forte é seu motor 1.0, a Volkswagen decidiu mudar a nomenclatura de seus motores na traseira dos veículos. Este 1.0 TSI será identificado como “200 TSI”, referente aos 200 Nm (Newton-metro) de torque – ou seja, 20,4 mkgf – gerados pelo motor. Esta regra começou pela China e pelo Oriente Médio e será padrão no Brasil em carros com motores TSI.

É por esses logotipos que você identificará um Polo 1.0 TSI nas ruas

É por esses logotipos que você identificará um Polo 1.0 TSI nas ruas (Divulgação/Volkswagen)

O Newton-metro é a unidade de medida internacional para torque, assim como o metro e o litro são as respectivas unidades internacionais para comprimento e volume, e o kilowatt é a unidade para potência. Mas para motores utilizamos cavalo-vapor (cv) e o quilograma-força (mkgf ou kgfm). Mas é verdade que ficaria estranho ver um Polo com “20,4 TSI” na traseira.

Não, este Gol não tinha 1000 Nm – nem 102 mkgf…

Não, este Gol não tinha 1000 Nm – nem 102 mkgf… (Reprodução/Internet)

Também é inédita a combinação do motor 1.0 TSI com o câmbio automático de seis marchas com função Tiptronic – o mesmo AQ250-6F dos Golf, Jetta e Audi A3. Ele terá modo Sport e opção de trocas sequenciais na alavanca e nas borboletas atrás do volante. A princípio, não haverá opção de câmbio manual para o Polo TSI.

Se lembrarmos que o Golf 1.0 TSI é vendido no Brasil apenas com câmbio manual de seis marchas, sua existência (assim como a da versão 1.6 MSI) torna-se ainda mais delicada. No início da semana, o presidente da marca no país chegou a dizer que, caso as vendas dos hatches médios continuem em declínio, o Golf pode deixar de ser fabricado por aqui.

Câmbio automático é o mesmo de seis marchas encontrado em outros Volkswagen

Câmbio automático é o mesmo de seis marchas encontrado em outros Volkswagen (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Na Europa o painel tem várias partes em cores contrastantes

Na Europa o painel tem várias partes em cores contrastantes (divulgação/Volkswagen)

Por dentro, o que mais salta aos olhos é o quadro de instrumentos digital configurável, batizado de Active Info Display. A tela de 10,3″ que substitui os mostradores analógicos exibe informações de condução, navegação, assistência e até mesmo dados da central multimídia. Ela está um passo à frente da tela personalizável dos Audi.

A comunicação entre o quadro de instrumentos e a central Discover Midia é feita por cabos de fibra ótica que somam 4 m. A fibra não é tão maleável quanto cabos metálicos, por isso um comprimento tão grande para uma distância tão curta.

As duas telas, de 10,3″ e 8″ comunicam-se entre si a uma taxa de 150mbit/s

As duas telas, de 10,3″ e 8″ comunicam-se entre si a uma taxa de 150mbit/s (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Pode-se alternar as telas de informação do quadro de instrumentos através de  comandos no volante. E as informações exibidas nessas telas podem ser personalizadas pela central multimídia. É possível memorizar até três telas personalizadas.

Além disso, a central Discover Midia tem integração com Android Auto, Apple Carplay e possibilita o espelhamento de tela de smartphones. E não abre mão do leitor de CDs.

O quadro de instrumentos é totalmente personalizável

O quadro de instrumentos é totalmente personalizável (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

São sistemas complexos, o que leva a crer que serão opcionais caros. Mas a Volkswagen diz que os valores poderão surpreender (positivamente, presume-se) muita gente.

O quadro de instrumentos padrão não foge ao estilo dos outros Volks: velocímetro (lado direito) e conta-giros (esquerdo) analógicos com telinha do computador de bordo no meio, todos com fácil leitura e iluminação branca.

Quadro de instrumentos convencional tem fácil leitura, mas não é vistoso

Quadro de instrumentos convencional tem fácil leitura, mas não é vistoso (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

O Volkswagen Polo terá opções de rodas com 15, 16 e 17 polegadas. Todas as versões terão centrais multimídia ao menos como opcional. 

Equipamentos como acesso e partida sem chave, acendimento automático dos faróis, ar-condicionado automático digital, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, rebatimento elétrico dos retrovisores e entrada USB para o banco traseiro (por padrão, todos terão ao menos duas portas USB para os bancos dianteiros) também devem compor os pacotes. 

A Volkswagen não fala em preços, nem em gama de versões. Contudo, admite que os alvos do Polo serão o Fiat Argo a partir da versão Drive 1.3 (R$ 53.900) e o Chevrolet Onix LTZ 1.4 (R$ 56.650). Pelos valores, ele também concorreria com as versões mais caras do Hyundai HB20, além do Citroën C3 e Ford New Fiesta.

Com o Fox Comfortiline 1.6 8V partindo dos R$ 53.990, o preço inicial de R$ 57 mil é uma boa aposta de preço inicial para o provável Polo MSI, com motor 1.6 16V.

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  1. Marcelo santos

    Esse painel ficou 10!!!

  2. Carlos Silva

    Vai esperando!!! Vão mudar tudo no carro, a começar pelos faróis, painel digital só em sonho, vão pegar o carro para se adequar ao nosso mercado de otários, com preço duplicado, e se duvidar ainda com manivela nos vidros, sem contar com o acabamento interno todo em plástico, isso é um desrespeito com o brasileiro, enquanto a Europa fica com a nata da tecnologia, nós ficamos com as sobras.