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MG TD

Mais dócil e refinado que o antecessor, o roadster virou sucesso após adicionar uma boa dose de conforto aos prazeres da direção esportiva

Por Felipe Bitu | Fotos Marco de Bari - 30 Maio 2014, 19h15
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Fundada em 1924, a MG Car Company tornou-se célebre quatro anos depois, quando apresentou ao mundo sua linhagem de esportivos rápidos e acessíveis. Um de seus maiores sucessos foi o modelo TD, que representou um grande avanço sobre o antecessor, o TC. O compromisso de todo MG sempre foi o prazer de dirigir, mesmo renunciando completamente ao conforto: o TC era um esportivo puro e duro, ao ponto de descolar obturações e provocar hérnias de disco. Dor e prazer em quantidades iguais. Ele foi o primeiro MG do pós-guerra, mantendo sempre o volante do lado direito, as rodas raiadas e o eixo rígido dianteiro.

Mesmo exportando cerca de dois terços de sua produção para os EUA, a MG sabia que apesar do sucesso havia uma parcela do público avessa às agruras do indócil TC. O caminho da evolução estava claro: seu sucessor deveria ser mais refinado, com itens de conforto e conveniência capazes de tornar a experiência ao volante menos traumática.

Apresentado em 1950, o TD superou o desafio de evoluir sem macular a personalidade da marca: mais largo e baixo, o visual parecia quase o mesmo. Mantinha o radiador em pé, as portas recortadas, os longos para-lamas que formavam os estribos e o para-brisa basculante. Mas a transição não foi pacífica: para desgosto dos puristas, as rodas raiadas de 19 polegadas foram substituídas por outras convencionais de 15, de aço estampado. Tudo em nome do volume de produção: além de baratas, as novas rodas não exigiam o trabalho artesanal de um especialista.

Protestos à parte, todos os avanços eram bem-vindos. O TD se beneficiava de um chassi mais largo e rígido, melhorando o espaço interno. O motor era o mesmo do TC: um quatro-cilindros de 1 250 cm3 e 54 cv, capaz de levá-lo aos 124 km/h. Os 100 km/h eram alcançados em longos 22,6 segundos. Mas o TD é um desses carros que vão além dos números absolutos. Pela primeira vez um MG trazia a opção da direção do lado esquerdo da cabine, cuja precisão era resultado do sistema de pinhão e cremalheira. Outra novidade era a suspensão dianteira independente, responsável por um nível de conforto e dirigibilidade inéditos na marca.

Outra concessão feita aos americanos foi a adoção de itens de conveniência como rádio e ar-quente. O painel de madeira era novo, mas continuava sem marcador de temperatura ou combustível: só havia uma luz-espia que indicava os 11 litros de reserva do tanque de gasolina.

Em 1951 chegava a versão Mark II do TD, com taxa de compressão mais alta, carburadores maiores e suspensão redimensionada. A potência subia para 57 cv, melhorando o desempenho: 0 a 100 km/h em 19 segundos e máxima de 130 km/h. Rodas e pneus mais largos faziam parte dos opcionais.

Apesar de ter vendido três vezes mais que o TC (foram 30 000 entre 1950 e 1953), o estilo da década de 20 já não fazia frente a rivais de peso como Triumph TR 2 e Austin Healey 100. Em seu lugar surgiu o modelo TF, cujas linhas mais aerodinâmicas encerrariam a dinastia da família T da MG.

MG BRASUCA

Para os brasileiros, o MG TD tem valor importante: ele deu origem ao fora de série MP Lafer, feito sobre chassi de Fusca entre 1974 e 1988, por um fabricante de móveis. Mas o inglês continua vivo até hoje, sob forma da réplica TD2000, fabricada pela TD Cars na Malásia.

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