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Grandes Brasileiros: VW Gol GTI 16V tinha alma brasileira e coração alemão

Potente e arisco, ele ganhou coração alemão, não deixou herdeiro e até hoje é um dos melhores VW esportivos

Por Felipe Bitu Atualizado em 16 out 2020, 22h34 - Publicado em 5 jan 2014, 17h08
A bolha sobre o capô era exclusiva do Gol GTI 16V Marco de Bari/Quatro Rodas

Quando a segunda geração do Gol surgiu, em meados de 1994, o contraste com a anterior, de linhas retas, fez com que ganhasse o apelido de Bolinha. A ansiedade agora era saber como ficariam as versões nervosas, que desde 1988 disputavam o título de melhor esportivo nacional.

O GTS não veio, mas o GTI deu as caras em novembro: com 0,95 g de aceleração lateral, virou o campeão de estabilidade entre os nacionais, mas seu brilho foi ofuscado pelo novato Corsa GSi. Com um 1.6 16V importado da Hungria, o Chevrolet andava mais, gastava menos e freava melhor, graças ao ABS.

  • Mas a VW preparava a resposta. O GTI 16V chegou no fim de 1995, com motor importado da Alemanha. A arquitetura era a do AP 2.0 de 109 cv, mas o bloco era mais alto para acomodar as bielas 15 mm maiores, que reduziam a aspereza em alto giro.

    Volkswagen Gol GTI 16V

    Com 141 cv, o motor entregou muito mais potência e refinamento: era apoiado em coxins hidráulicos e o torque de 17,8 mkgf era contido por longarinas reforçadas e uma transmissão superdimensionada, vinda do Audi A4. A embreagem hidráulica colocava um fim no velho endurecimento progressivo do pedal.

    Bom de giro, o motor alemão brilhava acima de 3.500 rpm e chegava ao limite de rotação sem muito esforço, bem diferente do GTI 8V, que apesar do generoso torque em baixas rotações apagava acima dos 5.000 rpm – não era fácil arrancar com o 16V sem deixar rastro de borracha no asfalto.

    Volkswagen Gol GTI 16V

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    O ganho no 0 a 100 km/h, no entanto, foi menor do que se esperava: 10,21 segundos, 1 segundo a menos que o 8V. Mas os 32 cv a mais fizeram a diferença na máxima, que saltou de 185 km/h para expressivos 203,2 km/h. Os freios eram a disco, mas o ABS ainda era opcional.

    A suspensão recalibrada, as rodas aro 15 e o pneu de perfil 50 sacrifcavam o conforto, mas a barra estabilizadora atrás diminuía a aderência (0,93 g), em prol de um comportamento arisco. Era fácil provocar a saída de traseira para aplicar o contraesterço, acelerando fundo nas saídas de curva. Diversão pura.

    Volkswagen Gol GTI 16V

    Por fora, o destaque eram os novos apêndices aerodinâmicos e a bolha no capô, indispensável para acomodar o motor mais alto.

    No interior, a novidade era a presença de um subwoofer, com opção de CD player e revestimento dos bancos de couro bicolor, como o GTI 16V das fotos, do empresário Fabrício Soares, que sonhou com o esportivo desde o lançamento: ”Levei dez anos para encontrar um igual ao publicado na QUATRO RODAS de setembro de 1995”.

    Volkswagen Gol GTI 16V

    Ele dava um banho de desempenho até no Golf, mas a importação da quarta geração do hatch médio alemão acabou com o reinado do brasileiro em 1998. O golpe de misericórdia veio na terceira geração: o GTI 16V perdeu a bolha no capô e o acabamento esportivo era oferecido até com motor 1.0. Caro e sem personalidade, saiu de linha em 2000.

    Teste – setembro de 1995
    Aceleração de 0 a 100 km/h 10,21 s
    Velocidade máxima 203,2 km/h
    Retomada de 40 a 100 km/h 21,06 s
    Frenagem de 80 km/h a 0 29,0 m
    Consumo urbano 8,35 km/l
    Consumo rodoviário 12,32 lm/l
    Ficha Técnica – Gol GTI 16V 1995
    Motor longitudinal, 4 cilindros em linha, 1 984 cm3, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote, alimentação por injeção eletrônica multiponto. Potência: 141 cv a 6.250 rpm. Torque: 17,8 mkgf a 4.500 rpm
    Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
    Suspensão McPherson na frente e eixo de torção atrás
    Freios a disco nas 4 rodas, com ABS opcional
    Rodas e pneus 195/50 R15 radiais
    Dimensões comprimento, 381 cm; largura, 159 cm; altura, 150 cm; entre-eixos, 246 cm; peso, 1 119 kg
    Porta-malas 269 litros

     

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