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Grandes Brasileiros: Fiat Tempra

Com luxo, porte e desempenho, o Tempra levou a Fiat para garagens onde compactos não entravam

Por Fabiano Pereira - Atualizado em 23 nov 2016, 21h21 - Publicado em 12 jul 2016, 20h27
Fiat Tempra Ouro 16V
O motor 16V trouxe o desempenho que faltava Arquivo/Quatro Rodas

Já debutante no Brasil, no último trimestre de 1991, a Fiat marcou seus 15 anos de atividades por aqui em alto estilo. Até então, sua linha de automóveis era constituída exclusivamente por modelos compactos originados a partir de uma plataforma comum. Assim foi com o 147, que gerou a 147 Pick-up, a Fiorino, a Panorama e o Oggi. O mesmo ocorreu com o Uno, origem de Prêmio, Elba, City e a nova Fiorino. Coube ao Tempra elevar as pretensões da marca por aqui.

Lançado na Itália em 1990, ele era um sedã médio baseado no Tipo e veio enfrentar os já cansados Chevrolet Monza, Volkswagen Santana e Ford Versailles. No desenho, o Fiat se destacava pela inclinação suave do pára-brisa e das colunas traseiras e, principalmente, pelo elevado porta-malas. A modernidade do projeto aparecia nos vidros rentes à carroceria e no ângulo de abertura das portas. Apesar dos apenas 4,35 metros de comprimento, o espaço interno era destaque e o porta-malas de 413 litros só perdia para o do Prêmio.

Fiat Tempra Ouro 16V
Modernidade em detalhes como vidros rentes ? carroceria Acervo/Quatro Rodas

Vidros e travas elétricas, ar-condicionado, direção hidráulica progressiva, toca-fitas, rodas de liga leve e até acabamento de madeira faziam parte do cardápio de equipamentos da linha Tempra, dividida nas versões básica e Ouro. Em seu teste de estréia na edição de dezembro de 1991 de QUATRO RODAS, o motor 2.0 de 99 cv do Tempra, com duplo comando de válvulas e carburação dupla, decepcionou no desempenho. O carro atingiu 166,6 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 100 km/h em 13,78 segundos. Mas essa era a versão 8V de um motor que renderia ainda mais.

Fiat Tempra Ouro 16V
Direção hidráulica progressiva fazia parte do cardápio de equipamentos da linha

Fiat Tempra Ouro 16V
Velocímetro vai até 240 km/h

Uma relação final de transmissão mais curta amenizou certa letargia do motor quando, em setembro de 1992, surgiu a versão duas portas. Com colunas traseiras um pouco mais largas, ela nunca chegou a repetir o sucesso do sedã. Finalmente, em abril de 1993, saiu a versão 16V do Tempra, testada por QUATRO RODAS na edição daquele mês. Primeiro motor nacional com quatro válvulas por cilindro, ele já possuía injeção eletrônica multipoint e, com seus 127 cv, chegou a 191,5 km/h. O tempo de 0 a 100 caiu para 10,54 segundos. Componentes do câmbio foram reforçados, assim como a suspensão. Discos de freio vinham nas quatro rodas, auxiliados por ABS opcional.

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Fiat Tempra Ouro 16V
O Tempra inaugurou por aqui a era das quatro válvulas por cilindro

Bancos de couro, CD player e check-control também podiam ser escolhidos pelo dono. “A versão 16V aliou certa dose de luxo, esportividade e modernidade na época, a um preço razoavelmente acessível”, afirma o engenheiro catarinense Mário Trichês Júnior, dono do Tempra Ouro 16V 1995 das fotos. “Embora tenha um motor multiválvulas, o torque em baixa rotação é abundante e a potência parece maior do que a declarada, de 127 cv”, diz.

As 16 válvulas ajudaram, mas a Fiat queria mais. Em maio de 1994, QUATRO RODAS apresentava o Tempra Turbo. Na versão duas-portas, ele trazia faróis extras de longo alcance, rodas iguais às do Uno Turbo e aerofólio, além de painel remodelado. O motor oito válvulas com injeção eletrônica e turbina Garrett T3 rendia 165 cv e superou todos os carros nacionais da época. Alcançou 212,8 km/h e foi de 0 a 100 km/h em 8,23 segundos. A suspensão foi reforçada e os freios, redimensionados. A distribuição de peso mereceu crítica. Por deixar 61% para o eixo dianteiro, propiciava saídas de frente e fazia a traseira “flutuar” em altas velocidades.

Fiat Tempra Ouro 16V
No painel, aviso de lâmpadas queimadas e portas abertas

Fiat Tempra Ouro 16V
Computador de bordo ao centro

Em abril de 1994, o Tempra 8V 1995 abandonava o carburador pela injeção eletrônica e produzia 105 cv. Suspensão, freios dianteiros e painel eram os mesmos do Turbo e a grade ganhava um desenho mais simples. Ainda em 1994, a Fiat passou a importar a perua Tempra, com sua traseira de cortes retos e painel exclusivo. Para 1995, o motor do Turbo passou a equipar o Tempra de quatro portas na versão Stile. Em 1996, quando já se falava na aposentadoria do modelo, os faróis ficaram mais estreitos. Outros retoques vieram em 1998 – grade, pára-choques, maçanetas e colunas pintadas de preto – para tentar mantê-lo interessante, mesmo com a chegada anunciada do Marea, nova geração de Fiat médio.

Fiat Tempra Ouro 16V
Acabamento caprichado, com opcionais como bancos de couro com regulagem elétrica

Fiat Tempra Ouro 16V
Apoio de braço atrás e bom espaço para as pernas

O ano de 1999 foi o último do modelo. Reflexo dos novos tempos da Fiat, um projeto moderno, sofisticado e inovador como o Tempra não chegou a completar uma década. Mesmo com seus atrativos, o Marea, lançado em 1998, nunca alcançou o carisma e o status do Tempra em seus melhores dias. A Fiat certamente não reclamaria de ver um pouco dessa história de renovação e superação se repetir com o futuro Linea.

Teste QUATRO RODAS – abril de 1993
Aceleração de 0 a 100 km/h 10,54 s
Velocidade máxima 191,5 km/h
Frenagem de 80 km/h a 0 28,7 m
Consumo urbano 8,5 km/l
Consumo rodoviário 11,61 km/l
Preço (março de 1993) Cr$ 412.097
Preço (atualizado IGP-M/FGV) R$ 118.100
Ficha Técnica – Tempra Ouro 16V
Motor transversal, 4 cilindros, refrigerado a água, 1 995 cm3, 16 válvulas, duplo comando, injeção multipoint, gasolina; Diâmetro x curso: 84 x 90 mm; Taxa de compressão: 9,5:1; Potência: 127 cv a 5 750 rpm; Torque: 18,4 mkgf a 4 750 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria sedã, 4 portas
Dimensões comprimento, 435 cm; largura, 170 cm; altura, 146 cm; entreeixos, 254 cm
Peso 1.260 kg
Suspensão Dianteira: McPherson, com braços inferiores transversais e amortecedores pressurizados. Traseira: McPherson, com braços inferiores transversais, tensores longitudinais e amortecedores pressurizados
Freios discos ventilados (diant.) e disco rígido (tras.), servofreio e ABS
Direção pinhão e cremalheira
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