Grandes Brasileiros: Fiat Tipo

Bom, bonito e barato, o modelo conquistou os brasileiros na mesma velocidade que os incêndios levaram para macular sua reputação

Fiat Tipo O sucesso foi tanto que ele destronou o Gol como líder de vendas em 1995

O sucesso foi tanto que ele destronou o Gol como líder de vendas em 1995  (/)

Após enfrentar na estreia no país a fama de fragilidade e de câmbio com engates duros e imprecisos, as coisas melhoraram para a Fiat na virada dos anos 80 para 90, com a estreia do sedã Tempra e a exportação do Uno e da perua Elba. A partir dessa logística, surgiu a ideia de importar o Tipo, aproveitando os mesmos navios que iam para a Itália.

Lançado na Europa em 1988, o Tipo parecia uma versão maior do Uno, com linhas assinadas pelo próprio centro de estilo da marca. Sua ampla área envidraçada proporcionava excelente visibilidade e o aproveitamento de espaço era excelente, especialmente quando comparado a VW Golf, Ford Escort e Opel Kadett. Não à toa, arrebatou o título de Carro do Ano na Europa em 1988, superando até BMW Série 5 e Honda Civic.

As primeiras unidades desembarcaram no Brasil em 1993: a racionalização do transporte marítimo permitiu que o Tipo chegasse custando apenas US$ 17 000, incluindo aí a desejada direção hidráulica. Disponível com duas ou quatro portas, oferecia como opcionais ar-condicionado, teto solar e acionamento elétrico de vidros e travas.

A estimativa inicial da Fiat era comercializar cerca de 1 500 unidades mensais: o custo-benefício evidenciado pelo conforto, ergonomia e espaço interno fez com que a demanda disparasse, mesmo com o modesto porta-malas de 246 litros. Nem a falta de fôlego do motor 1.6 com injeção monoponto conteve os ânimos: eram apenas 82 cv para carregar 1  130kg.

Fiat Tipo Boa aerodinâmica ajudava a baixar o consumo, assim como o motor fraco

Boa aerodinâmica ajudava a baixar o consumo, assim como o motor fraco  (/)

Os números não mentem: testado em agosto de 1993, levou 15 segundos no 0 a 100 km/h e não foi além de 160 km/h. Mas a excelente aerodinâmica (Cx de 0,31) resultava em um consumo comedido: 9,41 km/l na cidade, 14,09 km/l na estrada. Muito estável, o hatch se beneficiava das suspensões independentes nas quatro rodas: dianteira McPherson e traseira por braços arrastados conferiam comportamento dinâmico notável, entre os melhores da época. O lado negativo surgia nas provas de frenagem: os discos sem ventilação exigiam 33,1 metros para parar vindo a 80 km/h.

Seu sucesso foi tamanho que não bastou se firmar como o importado mais vendido: em janeiro de 1995, o Tipo conseguiu a proeza de quebrar a hegemonia do VW Gol, ainda que por apenas um mês: vendeu 1 785 unidades a mais que o longevo líder, estabilizado no trono há quase 10 anos.

Sem rivais diretos, a concorrência também apelou para as importações: a Chevrolet trouxe da Bélgica o Astra, enquanto a VW recorreu à Alemanha para trazer o Golf. A súbita elevação do imposto de importação levou a Fiat a nacionalizar o Tipo, prestes a ser descontinuado na Itália. O exemplar das fotos é um dos 169 819 veículos importados e pertence a Ayrson e Adriano Krempel, pai e filho.

Os primeiros carros fabricados em Betim vieram em 1996, já com injeção multiponto: a potência saltou de 82 para 92 cv. Foi o primeiro nacional com airbag (só para motorista), primazia conquistada apenas um dia antes do Chevrolet Vectra.

Fiat Tipo Projeto racional, ele parecia maior por dentro do que por fora

Projeto racional, ele parecia maior por dentro do que por fora  (/)

Porém, um revés abreviou sua carreira: em junho de 1996 vieram os primeiros incêndios. Um recall foi convocado para substituir o tubo convergedor de ar quente do motor, sem sucesso. Novos casos ocorreram, motivando o segundo recall, na direção hidráulica: o fluido vazava e pingava no início do escapamento, dando origem ao fogo. Era tarde demais: a imagem do Tipo havia sido arranhada, a ponto de ganhar apelidos como Fiat Lux e Fiat Zippo.

Apenas 12 570 unidades foram produzidas aqui até 1997, o que só aumentou sua rejeição e desvalorização. Recentemente, porém, a Fiat decidiu ressuscitar o nome Tipo para batizar seu novo sedã global em alguns mercados. Sinal de que a fama, no resto do mundo, ainda carrega prestígio.

 

TESTE – Fiat Tipo (agosto/93)

Aceleração: 0 a 100 km/h: 15,0 s

Velocidade máxima: 160 km/h

CONSUMO (rodoviário): 11,56 km/l

Preço: US$ 17.000

FICHA TÉCNICA
Motor transversal, quatro cilindros em linha
Cilindrada 1.580 cm³, duas válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no cabeçote, alimentação por injeção eletrônica monoponto
Potência 82 cv a 5.750 rpm
Torque 13,3 mkgf a 3.000 rpm
Câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira
Dimensões 395 cm (comprimento); 170 cm (largura); 144 cm (altura); 254 cm (entre-eixos)
Peso 1.130 kg
Pneus 175/65 R14
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