Grandes Brasileiros: Fiat Tempra Stile

O excelente Tempra turbinado foi vítima de abuso pelos donos. Isso quase lhe custou a fama

Turbo exclusivo no Brasil, à altura do Lancia Dedra e Alfa Romeo 155 Turbo exclusivo no Brasil, à altura do Lancia Dedra e Alfa Romeo 155

Turbo exclusivo no Brasil, à altura do Lancia Dedra e Alfa Romeo 155 (Xico Buny/Quatro Rodas)

Até o final dos anos 80, um estigma pairava sobre os Fiat fabricados no Brasil. Modelos como o 147 e o Uno eram lembrados pelo câmbio de engates duros.

E por exigirem conhecimentos específicos na manutenção, problemas que renderam uma injusta percepção. A imagem da casa de Turim mudaria completamente em 1995, com a chegada do Tempra Stile.

Apresentado em 1991, o Tempra foi o primeiro modelo ítalo-mineiro a sepultar a má fama da transmissão, com engates macios e precisos.

Compartilhado com a Lancia desde 1966, o motor Bialbero Lampredi trazia duplo comando de válvulas, evidenciando o degrau entre o Tempra e projetos defasados como o do Monza, Santana e Versailles.

Àquele bloco só faltava desempenho, pois o quatro-cilindros de 2 litros era limitado a 99 cv e 16,4 mkgf. Em 1993, veio o cabeçote com quatro válvulas por cilindro, primazia nacional. Os 127 cv o levavam aos 191,5 km/h e o 0 a 100 km/h era feito em 10,54 s.

O quatro-cilindros era uma evolução do motor dos anos 60 O quatro-cilindros era uma evolução do motor dos anos 60

O quatro-cilindros era uma evolução do motor dos anos 60 (Xico Buny/Quatro Rodas)

O Fiat tinha freios a disco nas quatro rodas e rivalizava com o Omega CD 3.0 pelo posto de carro nacional mais moderno e completo.

O Stile mudou a imagem da Fiat ao garantir a supremacia do Tempra. O Bialbero Lampredi de oito válvulas passou a ser sobrealimentado com um turbo Garrett T3, com resfriador de ar e injeção eletrônica.

Seu desenvolvimento levou cerca de 18 meses e contou com a ajuda de engenheiros italianos para adequá-lo à qualidade da gasolina brasileira.

Comparado ao Tempra 16V, o Stile tinha freios readequados aos novos números de torque e potência. E só: a eletrônica se resumia ao ABS (opcional) e não havia nem sombra dos controles de tração e estabilidade, exigindo certa habilidade para domá-lo logo que o ponteiro do manômetro de pressão do turbo chegava à escala vermelha.

O Stile mudou a imagem da Fiat ao garantir a supremacia do Tempra O Stile mudou a imagem da Fiat ao garantir a supremacia do Tempra

O Stile mudou a imagem da Fiat ao garantir a supremacia do Tempra (Xico Buny/Quatro Rodas)

A suspensão era readequada ao desempenho: molas e amortecedores com maior carga, barras estabilizadoras mais grossas e cambagem negativa das rodas dianteiras para conter a fúria do turbocompressor.

Seu comportamento era típico dos turbinados: pacato em baixas rotações e explosivo a partir das 3.000 rpm. O câmbio ficava ainda melhor com a substituição do comando a varão por cabos de aço e embreagem de acionamento hidráulico – um sinal evidente de modernidade.

Apesar do atraso na resposta, o assobio característico da turbina soprando a 0,8 kg/cm2 era o prenúncio dos repentinos 26,5 mkgf de torque. Com 165 cv, ele perdia apenas para o irmão Tempra Turbo em números absolutos.

Rodas de 14" deram lugar ao aro 15 em 1997 Rodas de 14″ deram lugar ao aro 15 em 1997

Rodas de 14″ deram lugar ao aro 15 em 1997 (Xico Buny/Quatro Rodas)

Enquanto o cupê ia a 212,8 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 8,23 s, o Stile apresentava um desempenho ligeiramente mais discreto: 210,9 km/h de velocidade máxima e 9,0 s na prova de aceleração.

Mas era o suficiente para que os proprietários provocassem os Audi, Mercedes, BMW e outros importados pelas estradas. Outra vantagem da sobrealimentação eram as excelentes médias de consumo: o alto desempenho vinha acompanhado de um consumo médio de 8,9 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada.

Era mais econômico que o Tempra 8V (8,7 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada) e que o Tempra 16V (8,5 e 11,61 km/l em ambos os regimes de trabalho).

Completo, o painel monitorava a pressão e a temperatura do óleo lubrificante, trazendo ainda check control e computador de bordo. Entre os opcionais, estavam o sistema de ar-condicionado (digital), bancos dianteiros elétricos, toca-CD e revestimento de couro nos bancos e aro do volante.

Interior desenhado por Franco Mantegazza. O quatro-cilindros era uma evolução de motor dos anos 60 Interior desenhado por Franco Mantegazza. O quatro-cilindros era uma evolução de motor dos anos 60

Interior desenhado por Franco Mantegazza. O quatro-cilindros era uma evolução de motor dos anos 60 (Xico Buny/Quatro Rodas)

Nas fotos está o Stile 1995 do paulistano Victor Souza: “É um dos poucos que restaram com a injeção original Bosch, que não tem peças de reposição”. A opinião é compartilhada por Luiz Fernando Rodrigues, fundador do Tempra Clube: “Era um prazer comprar peças que vinham em embalagens da Lancia”.

Mas Rodrigues faz uma ressalva sobre os donos: “O carro não dava manutenção, mas muitos aumentavam a pressão do turbo para queimar etanol. Por isso os Stile foram quase extintos”.

O Stile 1996 recebeu faróis com duplo refletor e novas lanternas traseiras. Em 1997, ele foi rebatizado Turbo Stile, com rodas aro 15, pneus 195/55 e bancos de couro bege.

Saiu de linha sem receber as atualizações do Tempra 1998, mas foi sucedido pelo Marea Turbo em 1999. Desde então, a Fiat deixou de ser sinônimo de carrinhos pequenos com transmissão dura.

Veja também

Ficha técnica – Tempra Stile 1995

  • Motor: transv., 4 cil. em linha, 1.995 cm3, comando de válvulas duplo, inj. eletrônica, 165 cv a 5.250 rpm, 26,5 mkgf a 3.000 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
  • Dimensões: comprimento, 435 cm; largura, 169 cm; altura, 145 cm; entre-eixos, 254 cm; peso, 1.275 kg
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  1. Costumo ver estas porcarias abandonados em ruas