Grandes Brasileiros: Fiat Marea Turbo

O mais potente nacional de sua época combinava a fúria de um motor turbo com a classe de um sedã italiano

Fiat Marea Turbo Só o logo na lateral e a saída de ar no capô denunciam a versão

Só o logo na lateral e a saída de ar no capô denunciam a versão  (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Primeira cartada da Fiat no segmento dos sedãs médios, o Tempra tornou-se a referência nacional em desempenho nos anos 90, com as opções de motor multiválvulas e turbo. Aclamadas pela crítica e pelo mercado, suas versões de alto desempenho mudaram a imagem da casa de Turim e foram sucedidas em 1999 por outro ícone ítalo-brasileiro: o Marea Turbo.

Ítalo-brasileiro porque a adição do turbo era exclusividade da filial de Betim. Disponível nas duas configurações de carroceria (sedã e a perua Weekend), a versão esportiva acrescentava um sopro de selvageria ao ótimo motor de cinco cilindros em linha e 20 válvulas, célebre pela suavidade de funcionamento e pelo ronco encorpado e singular.

Pacato em baixas rotações, o assobio da turbina Garrett T28 mostrava-se presente já a 2 000 rpm, soprando vigorosamente a partir de 3 000 rpm. Em linha reta, nenhum automóvel nacional era capaz de superar o MareaTurbo em aceleração e velocidade final. No teste da edição de março de 2000, chegou aos 100 km/h em apenas 8,12 segundos e alcançou os 219 km/h de velocidade máxima.

Fiat Marea Turbo Em 2002, a lanterna triangular substitui a versão horizontal

Em 2002, a lanterna triangular substitui a versão horizontal  (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Além do turbo, o motor recebia coletor de admissão próprio, bielas e pistões redimensionados e válvulas de escape refrigeradas a sódio. Havia também radiador de óleo e intercooler, este último de suma importância para os altos números de torque e potência: 27 mkgf a 2750 rpm e 182 cv a 6000 rpm.

Sem controle de tração e estabilidade, era preciso habilidade para conter tanto desempenho: a suspensão mais firme apresentava equilíbrio acima da média, resultado de uma revisão na carga de molas e amortecedores. De eletrônica, só ABS com distribuição de frenagem entre os eixos, atuando em freios a disco nas quatro rodas, também redimensionados.

Fiat Marea Turbo CD player com desenho integrado ao painel era um dos diferenciais do interior elegante

CD player com desenho integrado ao painel era um dos diferenciais do interior elegante  (Acervo/Quatro Rodas)

Externamente, o Marea Turbo era sóbrio e discreto: apenas grade, logotipos, saídas de ar no capo e rodas de desenho exclusivo (meia polegada mais largas) denunciavam a versão. Até os pneus 195/60 R15 eram os mesmos dos Marea comuns, mas com código W, capazes de alcançar 270 km/h com segurança. Em 2002, a traseira do sedã foi reestilizada, com forte inspiração no Lancia Lybra.

Seu desempenho não deixava a desejar em relação aos importados. Só dois nacionais rivalizavam com ele: os primos VW Golf GTI e Audi A3, ambos turbo. Os três viraram os queridinhos das oficinas de preparação, que buscavam extrair sempre o máximo de seus motores sobrealimentados. No caso do Marea, isso ficava ainda mais fácil: na configuração original, o motor turbo de cinco cilindros rendia 220 cv, pois havia sido idealizado para o Fiat Coupé italiano. A engenharia amansou o motor para evitar alterações ainda mais profundas na suspensão e nos freios, que fatalmente comprometeriam sua proposta familiar. Mas muitos proprietários buscavam apenas o desempenho puro e simples, motivo pelo qual é muito difícil encontrar um Marea Turbo em seu estado original nos dias de hoje.

Fiat Marea Turbo Airbag do motorista era de série, mas o couro era opcional

Airbag do motorista era de série, mas o couro era opcional  (/)

Não é o caso do carro das fotos, que pertence ao delegado André Luiz Tewfiq. Adquirido novo em 2002, rodou só 70000 km desde então. “Passei a usar mais o Marea depois que precisei realizar viagens constantes: é nas estradas que ele encontra seu habitat natural”, diz. “A reserva de potência do motor garante ultrapassagens sempre seguras, fora o prazer que proporciona a quem gosta de dirigir.”

Mais potente veículo de sua época, o Marea Turbo não deixou sucessor: a proposta do recém-finado Linea T-JET é a do downsizing e não da esportividade, já que o desempenho de seu motor turbo corresponde ao de um bom motor 2.0 aspirado. Ao todo, apenas 2 690 unidades foram comercializadas: 1 643 sedãs e 1 047 peruas até janeiro de 2007, para tristeza dos fãs da Fiat e dos turbinados de alto desempenho.

Teste QUATRO RODAS – março de 2000
Aceleração de 0 a 100 km/h: 8,12 s
Velocidade máxima: 219 km/h
Frenagem de 80 km/h a 0: 26,7 m
Consumo médio: 9,59 km/l
FICHA TÉCNICA
Motor transversal, 5 cilindros,20V, duplo comando com variador de fase, injeção multiponto sequencial e turbocompressor
Cilindrada 1997 cm3
Diâmetro x curso 82×75,6mm
Taxa de compressão 8,5:1
Potência 182 cv a 6000 rpm
Torque 27 mkgf a 2750 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Dimensões comprimento, 439,3 cm; largura, 254 cm; altura, 145 cm; entre-eixos, 254 cm
Peso 1310 kg
Porta-malas/caçamba 430 litros
Tanque 63 litros
Suspensão dianteira independente, McPherson
Suspensão traseira braços oscilantes longitudinais
Freios disco ventilado na frente e sólido atrás, com ABS
Pneus 195/60 R15
Preço (fevereiro 1999) R$ 38.569
Preço (atualizado IPC-A / IBGE) R$ 121.111
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  1. Louise Marques de Lima Santos

    Tenho um marea turbo 2007 com 40.000Km, acredito que seja a mais nova nos dias atuais.