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Clássicos: Volkswagen Quantum (2ª geração) era uma perua de família

Com espaço, estabilidade e motor, ela foi mais do que uma perua Santana. Era um convite para cair na estrada

Por Felipe Bitu 13 jul 2013, 18h49 | Atualizado em 2 jul 2026, 15h53
VW Quantum (2ª geração)
Linhas curvas buriladas em túnel de vento  (/)
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Volkswagen Quantum
Linhas curvas buriladas em túnel de vento (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Em 1992, SUVs e minivans eram coisa de seriado americano: as peruas povoavam os sonhos das famílias brasileiras e todos os fabricantes ofereciam pelo menos uma opção. Pois foi nesse cenário que a segunda geração da Quantum chegou às ruas, pegando carona no sucesso do irmão Santana.

Nesse ano, o sedã estava na crista da onda: com ABS, injeção eletrônica e bom desempenho, foi o Eleito do Ano de QUATRO RODAS, superando Monza, Versailles e Tempra.

A Quantum surfaria em outra praia: a quinta porta facilitava o acesso da farofa, da galinha e da vitrolinha, como dizia a célebre música do Ultraje a Rigor na época, enquanto o bagageiro no teto carregava as pranchas. A viagem em família era seu habitat.

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Volkswagen Quantum
A ampla tampa dava acesso ao porta-malas de 385 litros (até o vidro) (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Ambos haviam sido reformulados com linhas inspiradas no Passat alemão e nos Audi: do modelo anterior ficaram apenas a estrutura e as portas. Todo o resto era novo, desenhado no computador e testado em túnel de vento: frente, para-brisa e teto, tudo era revisto em função da aerodinâmica.

A concorrência não perdeu tempo: a Ford oferecia a Royale, uma versão de duas portas da própria Quantum (na era Autolatina), a GM apresentou a Suprema e pouco depois a Fiat importou a Tempra SW. Mas a Quantum liderava soberana entre as peruas grandes.

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Volkswagen Quantum
Volante de três raios e painel inspirado no Passat alemão (Marco de Bari/Quatro Rodas)

No entanto, não era fácil conviver com certos detalhes: apesar do projeto de 195 milhões de dólares, permaneciam os anacrônicos quebra-ventos, junto da maçaneta do tipo gatilho, quase a mesma do Passat 1974. Mas o interior ficou mais caprichado, com painel arredondado (de iluminação alaranjada).

O fraco 1.8 voltava a equipar a básica CL, enquanto GL e GLS recebiam o 2.0 e diferencial mais longo. Opcionais exclusivos da GLS eram o câmbio automático de três marchas e a injeção Bosch LE-Jetronic, superior ao carburador eletrônico das versões inferiores. A suspensão trazia amortecedores pressurizados e os freios eram discos dianteiros ventilados resistentes ao fading, um problema da geração anterior.

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Volkswagen Quantum
O espaço interno era um dos maiores valores da Quantum (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Outro opcional da versão GLS era o ABS, inserindo a Quantum no ranking nacional de frenagem: a 80 km/h, percorria 26,9 metros até parar, em total segurança.

A novidade para 1993 foi a injeção monoponto FIC na CL, dando mais fôlego ao motor 1.8: 0 a 100 km/h em 14,11 segundos, com máxima de 165,3 km/h, no teste da edição de julho de 1993. A GL ganhava opção da injeção Bosch e ficava ainda melhor: 179,2 km/h e 0 a 100 km/h em 12,27 segundos. Se o desempenho mudava, a estabilidade era ótima em todas as versões: ela era superior à maioria dos nacionais, exibindo comportamento neutro, com tendência ao subesterço no limite. Nada mau para um veículo familiar, sem pretensões esportivas.

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Volkswagen Quantum
Discos ventilados eram novidade na segunda geração (Marco de Bari/Quatro Rodas)

Em 1994, os 2.0 aposentavam a injeção analógica Bosch LE-Jetronic, que cedeu lugar à FIC multiponto digital. Em 1996, a Quantum passou a ser oferecida em quatro versões distintas: 1.8 Mi e 2000 Mi (básicas), Evidence (intermediária com detalhes esportivos, como o volante do Gol GTI) e a top Exclusive.

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Com os anos 90 chegando ao fim, caía a predileção pelas peruas: em 1998, para-choques e faróis foram modificados e os quebra-ventos, suprimidos. A VW fazia o que podia para manter o fôlego para encarar as jovens Fiat Marea Weekend e Ford Mondeo SW. Em vão: a Quantum aposentou-se em 2002, após dez anos de vida, quando chegou a custar menos que a Parati. Sem investimentos, encerrou sua carreira sem o brilho dos bons tempos, deixando órfã uma legião de apaixonados que recordam com carinho de suas maiores qualidades: espaço e estabilidade.

Teste – julho de 1993 – Quantum CLi 1.8
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,11 s
Velocidade máxima 165,3 km/h
Frenagem de 80 km/h a 0 26,7 m
Consumo urbano 9,66 km/l
Consumo rodoviário 12,64 km/l
Preço (junho de 1993) US$ 22.966
Preço (atualizado) US$ 37.000
Ficha técnica – VW Quantum Evidence 1996
Motor longitudinal, 4 cilindros em linha, 2 válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no cabeçote, alimentação por injeção eletrônica digital multiponto
Cilindrada 1.984 cm³
Potência 112 cv a 5.600 rpm
Torque 17,5 mkgf a 3.400 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Dimensões comprimento, 461,2 cm; largura, 170 cm; altura, 144,5 cm; entre-eixos, 255 cm
Peso 1.210 kg
Pneus 185/65 R14, radiais

 

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