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Ford Maverick V8 é antigo raro e seu preço até supera os R$ 300.000

Modelo foi um dos mais icônicos dos anos 70 e se tornou o maior rival do Chevrolet Opala

Por Felipe Bitu Atualizado em 17 abr 2022, 16h10 - Publicado em 17 abr 2022, 10h25

O Ford Maverick foi uma das maiores atrações do oitavo Salão do Automóvel de São Paulo, realizado no fim de 1972. Presente no mercado americano desde 1969, ele foi idealizado para ser um automóvel barato, confiável e fácil de manter (como seu antecessor, o Ford Falcon).

Ford Maverick
Linhas do Maverick são creditadas ao designer Tom Tjaarda Fernando Pires/Quatro Rodas

Aqui, ele ficaria posicionado entre o popularíssimo Ford Corcel e o sofisticado Ford Galaxie. O objetivo era ingressar na faixa de mercado que o Chevrolet Opala dominava.

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O lançamento só aconteceu em junho de 1973 devido a alterações como a adoção do motor de seis cilindros, 3 litros e 112 cv. Derivado de um antigo projeto Willys, esse motor nada tinha a ver com o do Maverick norte-americano, pois ainda usava válvulas de escapamento no bloco. Seu rendimento estava abaixo do esperado: 0 a 100 km/h em 20,8 segundos, com máxima de 150 km/h consumo médio de 7,7 km/l.

Ford Maverick
Caimento da linha de teto até o porta-malas caracteriza o estilo fastback Fernando Pires/Quatro Rodas

Percorrendo 7,2 km com 1 litro, o motor V8 era uma opção para as versões Super e Super Luxo: importado, tinha 5 litros de cilindrada e 197 cv. Vinha de série na versão esportiva GT, que ia de 0 a 100 km/h em 11,6 segundos, com máxima de 175,6 km/h.

Foi com esse V8 que o Maverick estreou nas pistas com uma vitória sobre o Chevrolet Opala nas 25 horas de Interlagos de 1973. Equipado com novo motor 250-S, o Opala deu o troco nas 25 horas de Interlagos de 1974. Mas, para superá-lo, o chefe de equipe Luiz Antônio Greco desenvolveu o lendário Maverick Quadrijet.

Ford Maverick
Compacto nos EUA, no Brasil era considerado carro de porte médio Fernando Pires/Quatro Rodas

O V8 recebeu carburador Holley de corpo quádruplo, coletor Edelbrock, comando de válvulas Iskenderian, cabeçotes com tuchos sólidos, molas duplas e juntas mais finas. A potência chegou a 257 cv, suficientes para o Maverick acelerar de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos e alcançar os 200 km/h. Avaliado em julho de 1974, o Maverick Quadrijet exigia habilidade nas arrancadas para evitar que os pneus perdessem tração. A taxa de compressão mais alta exigia o uso de gasolina azul: o consumo variava de 2,2 a 6,5 km/l.

Seu comportamento dinâmico estava no padrão da época, com suspensão de braços duplos sobrepostos na dianteira e eixo rígido com molas semielípticas na traseira. A direção é lenta, com muitas voltas de batente a batente e os freios exigem cautela.

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Ford Maverick
O kit Quadrijet custava quase 15% do valor de um Maverick GT Fernando Pires/Quatro Rodas

O domínio nas pistas não se refletiu no mercado: o Maverick foi afetado pela crise petrolífera de 1973, apenas quatro meses após seu lançamento e em uma época em que o Brasil importava 80% do petróleo consumido.

Ford Maverick
Fernando Pires/Quatro Rodas

A Ford bem que tentou provar que o motor de 6 cilindros era econômico. Mas, em junho de 1975, lançou o Ford OHC, de 4 cilindros, com comando de válvulas no cabeçote e fluxo cruzado de gases. Seus 2,3 litros de cilindrada resultavam em 99 cv declarados. Produzido na nova fábrica de motores de Taubaté, esse motor deixou o Maverick mais rápido e veloz: o 0 a 100 km/h caía para 15,3 segundos e a máxima subia para 155 km/h. O consumo era de 9,1 km/l.

Ford Maverick
Versão GT trazia conta-giros na coluna da direção e o volante original era de três raios FErnando Pires/Quatro Rodas

O menor peso sobre o eixo dianteiro melhorou até a sua estabilidade. Mas era tarde demais para salvar a imagem do Maverick. Baseado no alemão do Opel Rekord, o Opala oferecia maior espaço interno e pesava cerca de 150 kg a menos, com reflexos óbvios no consumo e desempenho.

Ford Maverick
Fernando Pires/Quatro Rodas

A segunda fase do Maverick no Brasil começou em 1977, com diversas alterações técnicas e estéticas, mas o prego no seu caixão foi martelado pela própria Ford: o Corcel II, lançado em 1978. Mais leve e eficiente, o novo carro exibia linhas retilíneas, que envelheceram ainda mais o estilo do Maverick.

A Ford chegou a considera uma reestilização completa do Maverick, mas o cenário incerto da economia mundial decretou seu fim e 1979. Pouco mais de 108.000 unidades foram produzidas e uma parcela considerável acabou sucateada ao longo das décadas de 1980 e 90.

Estima-se que hoje, apenas 7% dos Maverick produzidos no Brasil estejam em condição de rodagem. É o motivo pelo qual as unidades remanescentes figuram entre os modelos mais valorizados no mercado de antigos: um GT com motor V8 original tem valor aproximado de R$ 250.000, ao passo que os raríssimos Quadrijet superam os R$ 300.00.

Ficha Técnica: Ford maverick GT Quadrijet 1975

Motor: gas.; diant.; long.; V8, 4.950 cm3, comando de válvulas simples no bloco, carburador de corpo quádruplo.
Potência: 257cv a 4.600 rpm
Torque: 41,6 kgfm a 2.400 rpm
Câmbio: manual, 4m., tração traseira
Carroceria: aço estampado, cupê, 2 portas, 5 lugares
Pneus: diagonais D70-14
Dimensões: comprimento, 458 cm; largura, 179 cm; altura, 136 cm; entre-eixos, 261 cm; peso, 1.400 kg

quatro rodas 74
Reprodução/Quatro Rodas

Agosto de 1974

0 A 100 Km/h: 7,9 segundos
VELOCIDADE máx.: 200 km/h
CONSUMO MÉDIO: 2,2 km/l cidade; 6,5 km/l estrada
PREÇO: Cz$ 76.500 (maio/1975)
Atualizado: R$ 287.161

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