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Dodge Dart V8 foi o carro com o maior motor já feito no Brasil

Famoso pela rapidez e velocidade, o Dart abusou da cilindrada e tornou-se um legítimo representante da escola de Detroit

Por Felipe Bitu
17 Maio 2025, 10h10 • Atualizado em 17 Maio 2025, 10h22
  • Dodge Dart
    O Dart nacional acaba de se tornar um cinquentão (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    Menor e mais barato modelo da divisão Dodge, o Dart foi apresentado nos EUA em 1960 e logo assumiu o posto de mais vendido da marca.

    Seu sucesso atravessou a década e chegou ao Brasil em 1969, mercado em que o compacto americano se tornou um de nossos maiores e mais sofisticados automóveis.

    A história do nosso Dart começa nos anos 50, quando a Chrysler Corporation decidiu reforçar sua participação no mercado europeu.

    A expansão do grupo consolidou-se em 1963, ao assumir o controle da francesa Simca, em São Bernardo do Campo (SP) desde 1958. Por uma obra do destino, a filial brasileira da Simca originou a Chrysler do Brasil S.A. em 1967.

    Com quatro portas e quase 5 metros de comprimento, a quarta geração do Dart era bem atual frente ao irmão americano, lançado só três anos antes nos EUA.

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    Oferecido em versão única, ocupou a lacuna entre o Chevrolet Opala e o Ford Galaxie e destacou-se pela harmonia de estilo e pelo charme do vidro traseiro côncavo.

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    O V8 de 5,2 litros ainda é o maior feito no Brasil (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    Igualmente atual era o V8 de 5,2 litros, o maior já feito no Brasil. Era o mesmo usado nos caminhões Dodge, com câmaras de combustão em formato de cunha e válvulas acionadas por tuchos hidráulicos.

    Tinha torque e potência de sobra para os 1.480 kg do Dart: 41,5 mkgf a 2.400 rpm e 198 cv a 4.400 rpm. O primeiro teste oficial confirmou as impressões que o jornalista Expedito Marazzi teve ao avaliar uma unidade pré-série.

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    O Dart era o carro brasileiro mais veloz: precisou só de 33 segundos para percorrer 1.000 metros, chegou a 173 km/h e foi de 0 a 100 km/h em 12 segundos. Era rapidez suficiente para agradar até o tricampeão de F-1 Jackie Stewart.

    Apesar de ser o rei da estrada, o V8 era notório pelo consumo: os 6,6 km/l a 100 km/h constantes eram acentuados pelo tanque de apenas 62 litros, resultando em autonomia pouco superior a 400 km.

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    O sedã atingia 70 km/h em primeira marcha, 120 em segunda e 175 em terceira (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    O comportamento dinâmico era prejudicado apenas pelo pesado eixo traseiro, um problema em pisos irregulares. Os freios a tambor nas quatro rodas não contavam com assistência a vácuo.

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    O primeiro contra-ataque ao Dart veio da Ford. A principal novidade para 1970 foi uma versão mais simples e barata do Galaxie, equipada com o motor de 4,8 litros e 190 cv.

    A Chrysler se valeu da mesma fórmula e respondeu com a versão “super-standard” com grade dianteira sem pintura, estofamento simplificado e supressão de frisos e calotas integrais.

    A partir da oferta do “super-standard”, o Dart comum assumiu a denominação De Luxo: mais de 10.000 unidades foram produzidas em 1970. A carroceria cupê foi a maior novidade da Chrysler para a linha 1971 de tal forma que o sedã passou a representar só 30% da produção do Dart.

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    Teto revestido de vinil e direção hidráulica entraram para a lista de opcionais, seguidos pelo câmbio automático Chrysler A-727 de três marchas, ar-condicionado e freios dianteiros a disco.

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    Calotas inspiradas nas dos Plymouth americanos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

    Recém-lançado, o Dart Gran Sedan fez o Dart Sedan De Luxo sair do catálogo Dodge em 1973: poucas unidades foram produzidas, quase sempre destinadas a frotas de empresas e agências governamentais.

    A situação só foi revertida no modelo 1975: a ignição eletrônica como item de série foi a única alteração significativa até 1978. As modificações mais extensas vieram na linha Dodge 1979: a reestilização baseada no Dart americano de 1974 deixou o nacional 18 cm maior.

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    Além da nova grande dianteira, o tradicional par de lanternas verticais deu lugar a quatro horizontais. O tanque de combustível passou a comportar 107 litros e o câmbio manual de quatro marchas com alavanca no assoalho entrou para a lista de opcionais.

    Mas o fim estava próximo: a venda da Chrysler Europe ao Grupo PSA, em 1978, era um indício de que o mesmo poderia ocorrer com a filial brasileira.

    Os rumores se concretizaram e, em julho de 1979, a Chrysler do Brasil foi adquirida pela Volkswagen: as últimas unidades do Dodge Sedan De Luxo deixaram a fábrica de São Bernardo do Campo em 1981.

    Dodge Dart 1969
    Motor: Longitudinal, V8, 5.212 cm3, 2válvulas por cilindro, comando de válvulas simples no bloco, carburador de corpo duplo; 198 cv a 4.400 rpm; 41,5 mkgf a 2.400 rpm
    Câmbio:  Manual de 3 marchas, tração traseira
    Dimensões:

     

    Comprimento, 496 cm; largura, 177 cm; altura, 144 cm; entre-eixos, 282 cm; peso, 1.480 kg
    Pneus:  7.35 x 14 diagonais

     

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