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Chevrolet C-10: como a picape evoluiu no Brasil com visual exclusivo e mais conforto

Da rústica 3100 à Chevy SL, a trajetória da Chevrolet C-10 no Brasil mostra como a picape ganhou conforto, novas versões e motores ao longo de duas décadas

Por Felipe Bitu
16 fev 2026, 11h56 •
Chevrolet C-10
Design da Série 10 era exclusivo do Brasil (Xico Buny/Quatro Rodas)
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  • Ávidos consumidores de picapes, os americanos parecem ter se afastado da origem desses utilitários, que nasceram para o trabalho. Estilo, conforto e desempenho passaram a ser prioridades a partir de 1955, quando a GM lançou a Cameo Carrier.

    Criada pelo designer Luther Whitmore Stier, ela trazia pintura em dois tons, motor V8, câmbio automático, direção hidráulica e freios assistidos — itens incomuns para o segmento até então.

    Chevrolet C-10
    Nesta C-10 Chevy SL 1978, a decoração externa maquiava o desenho de 14 anos, como as faixas e rodas com calotas e sobrearo – espelhos retrovisores eram do Opala (Xico Buny/Quatro Rodas)

    No Brasil, o cenário era outro. A produção da picape 3100 começou apenas em 1958. “Conhecido como Chevrolet Brasil, era uma solução local”, disse André Beer, executivo da GM do Brasil por quase 50 anos.

    O resultado era um utilitário rústico, com falhas de acabamento decorrentes da má qualidade da matéria-prima e outras limitações do projeto. O ponto positivo estava no seis-cilindros em linha de 4,3 litros e 142 cv.

    Imitação de madeira e câmbio de 4 marchas com alavanca no assoalho
    Imitação de madeira e câmbio de 4 marchas com alavanca no assoalho (Xico Buny/Quatro Rodas)
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    Importado, o motor gozava de boa reputação pelo torque e pela confiabilidade. Foi nacionalizado, mas o restante do utilitário era inferior ao modelo americano de 1960: a dianteira utilizava eixo rígido e os pedais de embreagem e freio brotavam do assoalho. O estilo pouco refinado deixava clara a origem: um caminhão em menor escala.

    Poucos sabiam que Luther Whitmore Stier chegou ao Brasil em 1957 para assumir o departamento de estilo. Sua primeira missão foi adequar o desenho da nova geração à linha de produção de São Caetano do Sul (SP). O resultado apareceu em 1964, com os modelos C-14 e C-15.

    Chevrolet C-10: origem da Série 10 no Brasil

    Chevrolet C-10
    C-10 1978 esbanjava estilo e personalidade (Xico Buny/Quatro Rodas)

    Denominada internamente C-1404, a picape de chassi curto (2,9 m de entre-eixos) estava 15 cm mais baixa, facilitando o acesso à cabine. Havia ainda a C-1414, única no país com cabine dupla para seis pessoas. Já a C-15 era maior (3,1 m de entre-eixos), chamada internamente de C-1505, oferecida apenas com cabine simples.

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    A principal novidade era a suspensão dianteira independente com molas helicoidais, que melhorava conforto e comportamento dinâmico. O conjunto aproximava a Chevrolet C-10 de um automóvel: pedais suspensos, quatro faróis na dianteira e coluna A inclinada evidenciavam a preocupação com a aerodinâmica — Stier era engenheiro aeronáutico. O câmbio manual de três marchas com alavanca na coluna foi mantido.

    Atualizações e novas versões da Chevrolet C-10

    Chevrolet C-10
    Picape carregava listras preta na lateral além do nome C 10 (Xico Buny/Quatro Rodas)

    Em 1967, o modelo recebeu nova grade, com dois faróis maiores, painel de instrumentos redesenhado, alternador no lugar do dínamo e motor recalibrado para 151 cv. A primeira marcha passou a ser sincronizada e surgiram versões 4×4 transformadas pela Engesa.

    O conforto evoluiu em 1971 com a oferta de direção hidráulica. Como nos Estados Unidos, as picapes passaram a se chamar apenas C-10 em 1974.

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    Dois anos depois surgiu a versão Chevy 4, equipada com o quatro-cilindros do Opala. Com modestos 17,0 mkgf, a solução foi adotar o câmbio M20 de quatro marchas com alavanca no assoalho e reduzir a relação do diferencial.

    O desempenho limitado foi amenizado na linha 1978 com a versão Chevy SL. A Chevrolet C-10 Chevy SL 1978 recebeu bancos individuais, painel e forrações de porta da Veraneio Luxo, rodas aro 15 com calota e sobrearo, faixas laterais, espelhos do Opala e opção de câmbio de quatro marchas para as versões seis-cilindros, como neste exemplar, que está aos cuidados da oficina Garage do Guilherme. Raríssima, a Chevy SL durou menos de um ano.

    Chevrolet C-10
    Estepe ficava dentro da caçamba da C-10 (Xico Buny/Quatro Rodas)
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    No mesmo ano nasceu a D-10, equipada com motor Perkins 3.8 diesel de 77 cv e 30 mkgf, que se tornaria referência entre profissionais. Depois veio a A-10, de quatro cilindros a álcool (89 cv e 17,1 mkgf). Em 1980, a grade passou a ser produzida em plástico e os freios ganharam hidrovácuo e discos dianteiros.

    Em 1981, o 4.3 seis-cilindros deu lugar ao 4.1 do Opala, a gasolina ou álcool. Após 20 anos da Série 10, surgia a nova Série 10/20. Luther Stier jamais deixou o Brasil: aposentou-se aqui e permaneceu em São Paulo até morrer, em 2010, aos 97 anos.

    Ficha técnica – Chevrolet C-10 Chevy SL 1978

    Motor: longitudinal, 6 cilindros em linha, 4.278 cm³, comando de válvulas no bloco, carburador
    Potência: 151 cv a 3.800 rpm
    Torque: 32 kgfm a 2.400 rpm
    Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
    Dimensões: comprimento, 484 cm; largura, 197 cm; altura, 184 cm; entre-eixos, 292 cm; peso: 2.270 kg
    Pneus: 6.50 x 16

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