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Por que a vida útil do motor é medida em quilômetros e não horas?

Aeronaves e máquinas pesadas tem suas manutenções previstas em horas de uso. Nos carros usa-se quilômetros rodados para isso.

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2017, 11h57 | Atualizado em 2 jun 2017, 21h40
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O Fiat Uno tem horímetro no computador de bordo, mas informação não é usada para manutenção (divulgação/Fiat)

Por que a vida útil do motor é medida em quilômetros e não em tempo? Mesmo em marcha lenta, o motor está se desgastando, não? – Jonatas Elias, por e-mail

Sim, o motor se desgasta nessa situação que, por sinal, é ainda mais comum para quem vive no anda-e-para do trânsito – condição que caracteriza uso severo. No entanto, a quilometragem é adotada em vez do tempo de rodagem por facilidade na interpretação da informação.

Normalmente, em veículos que percorrem longas distâncias a velocidades quase constantes, como aviões, a informação é dada em horas de uso. No outro extremo, os tratores trabalham muitas horas percorrendo pouca distância. Sua vida útil também é medida em horas – no caso, por um instrumento chamado horímetro.

Automóveis estão entre esses extremos. Percorrem grandes distâncias em relativamente pouco tempo. Acrescente-se no caso dos automóveis as grandes variações de velocidade e também de rotações do motor.

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Por causa dessa variedade de condições, convencionou-se medir o uso do motor em função da distância, como quilômetros ou milhas. É uma forma de facilitar a vida do motorista: é mais fácil prever quando será uma revisão definida por quilômetros do que por hora – pelo menos para o consumidor comum, que no máximo recebe lembretes no computador de bordo.

Uma forma de contornar problemas com o motor é ter uma troca de óleo entre revisões em carros com uso severo. Essa definição aplica-se a carros que enfrentam grandes engarrafamentos (com velocidade média inferior a 10 km/h), estradas com muita poeira, barro ou lama, ou quando o veículo roda no máximo 5 km por viagem.

A BMW resolveu fazer diferente: o momento da revisão de seus carros mais recentes é definido pelo próprio carro. É a chamada manutenção preditiva, na qual sensores do veículo analisam o estado de óleo, filtros, microfiltro do ar condicionado, fluído e pastilhas dos freios. No caso específico do óleo, o sensor que afere seu estado analisa a temperatura, o nível do óleo e a condutibilidade elétrica, aspectos que definem a perda de propriedades do lubrificante com o passar do tempo. A propósito, este sensor substitui a vareta do nível do óleo. 

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É um sistema que faz sentido, mas alguns clientes não ficam nada contentes com isso. Em agosto de 2014, o sistema variável de revisões da BMW foi assunto do Autodefesa. O prazo de revisão programada pela concessionária não batia com os alertas do carro – em alguns casos, a quilômetragem para a revisão era reduzida pela metade

Na época, a BMW explicou que neste sistema, criado justamente pela quilometragem não indicar de forma precisa o desgaste do carro, além das informações obtidas pelos sensores o carro analisa o modo de condução do motorista e a qualidade da queima do combustível do motor (que é reflexo da qualidade do combustível queimado).

Usar gasolina adulterada e mesmo álcool (nos carros flex da marca) encurtaria o intervalo de revisões (que, em sua grade maioria, não vão muito além de uma troca de óleo). Saídas bruscas de semáforos e aceleradas mais intensas também são consideradas pelo sistema e encurta o prazo – que originalmente é de 12.000 km ou 12 meses.

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“O plano de cada revisão é feito no momento de acionamento do veículo”, disse a BMW. O consultor da concessionária analisa os dados e a revisão passa a contemplar apenas itens relatados pelo veículo. Se por um lado evita-se trocas desnecessárias, por outro as visitas nas concessionárias podem tornar-se mais recorrentes. Só depende do motorista… 

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