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Os pequenos reparos que garantem as maiores economias

Seu carro está bebendo demais? Trocando peças simples e baratas, você pode cortar o gasto com combustível até pela metade

Por Luís Perez - Atualizado em 5 jun 2018, 21h19 - Publicado em 29 nov 2016, 16h56
Consumo de combustível
Componentes que você não vê também interferem no consumo Arte/Quatro Rodas

Você comprou um automóvel usado porque soube que ele é capaz de fazer 10 quilômetros com 1 litro de combustível. Mas descobriu que ele não está passando dos 7 km/l.

Ou, então, você comprou um carro zero e após um ou dois anos de uso percebeu que ele está bebendo bem mais do que quando saiu da concessionária.

Em geral o grande culpado é um só: falta de manutenção. Se for isso, a solução é simples e – melhor de tudo – barata.

Às vezes, basta um filtro de óleo entupido para o gasto ser até 20% maior. Caso várias peças tenham problemas, o consumo pode dobrar.

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Entram nessa lista velas, catalisador e filtros de ar e combustível, sem falar do próprio óleo, que pode estar fora da especificação correta – afinal, não falta motorista que confia mais no frentista que no manual do proprietário.

Os sintomas começam a se agravar por volta dos 50.000 quilômetros, mas podem aparecer já aos 20.000. Tudo vai depender da condição de uso severo (trânsito urbano pesado, excesso de estradas de terra), abastecimento com combustível de má qualidade ou a simples falta de troca de filtros.

“O que acontece é que a pessoa compra um automóvel novo e não faz mais nada. Nem as revisões de autorizada ela respeita. Quando alguém compra esse carro como usado, pode estar levando para casa uma verdadeira bomba-relógio”, afirma o mecânico Vinicius Losacco. “O mais curioso é que basta você gastar uns 400 reais para deixar o carro em ordem.”

Em parte, esse problema ocorre porque os automóveis estão mais duráveis e, portanto, suportam mais tempo sem a manutenção obrigatória. Mesmo assim, não há milagres.

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Um filtro de ar, por exemplo, deve ser trocado em média a cada 10.000 quilômetros. “E não vale dar aquela batidinha, não. A sujeira que é acumulada internamente não sai batendo”, diz Losacco.

Aliás, tanto a tal batidinha quanto o uso de jato de ar comprimido podem provocar danos na estrutura do elemento filtrante.

Filtro de ar: sem a peça em estoque, autorizada premium nem se preocupou em nos avisar que não havia feito a troca
Bater ou sobrar o filtro de ar pode prejudicar sua capacidade filtrante Eduardo Campilongo/Quatro Rodas

A mesma displicência se vê com o filtro de óleo, responsável por impedir a circulação de impurezas no motor. Como quem vai vender o carro geralmente não está tão preo­cupado com a manutenção preventiva, o consumo de combustível a mais causado por um simples filtro de óleo sujo pode chegar a 20%.

O óleo sujo perde suas propriedades de lubrificação, aumentando o atrito entre os componentes móveis dentro do motor. E, assim, ele passa a beber mais.

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Principal veneno para o automóvel, o combustível adulterado é responsável pela “asfixia” do motor. Câmara de combustão contaminada, válvulas com folga além do especificado e filtro sujo fazem com que o automóvel perca rendimento.

A reação do motorista é automática: pisar mais para compensar a falta de potência. Neste caso, checar a abertura da folga da vela determina a qualidade da queima do combustível. Para cada motor, há uma especificação própria.

Troca de óleo
Filtro de óleo sujo também compromete o desempenho do carro Marco de Bari/Quatro Rodas

Por fim, um dos itens que mais sofrem é o catalisador, que chega a derreter com o tempo.

No passado, havia uma moda de retirar o catalisador para ganhar potência. Mas esse ganho só acontece a 6.000 ou 6.500 rpm, sem falar que o carro perde torque. E isso se traduz em maior consumo.

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Vale dizer que tudo é uma reação em cadeia: gasolina batizada entope o filtro, assim como velas ruins com filtros contaminados vão sobrecarregar o trabalho do catalisador. Este último, aliás, é um sofredor. Tudo o que estiver errado antes será descontado no catalisador.

Outro problema do catalisador é a pirataria, estimulada pelos preços altíssimos praticados pelas redes autorizadas.

Segundo o setor de reposição, mais de 80% do mercado é atendido com peças falsas. As conseqüências extrapolam o consumo alto. Os falsos poluem acima do permitido e causam problemas de saúde. Aí o prejudicado deixa de ser só seu bolso.

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Causa O problema Quanto sobe o consumo Quando trocar Quanto custa
Velas Queima incorreta do combustível, por desgaste ou contaminação, ocasionando folga ou obstrução até 25% A cada 20.000 km (uso normal) ou 15.000 km (uso severo), na média 150 reais o jogo, em média
Filtro de ar Pode estar entupido com poeira e outras partículas sólidas, deixando mais rica a mistura ar-combustível 10% a 20% A cada 15.000 km (uso normal) ou 7.500 (uso severo) 50 a 70 reais, em média
Filtro de óleo Quando contaminado por partículas poluentes e combustível adulterado, aumenta o atrito das peças do motor 10% a 20% A cada troca de óleo do motor 40 a 70 reais, em média
Filtro de combustível Se estiver sujo, empobrece a mistura ar-combustível. Além de sobrecarregar a bomba de combustível, ela pode até queimar. Caso isso ocorra, o prejuízo é a partir de 200 reais 20% A cada 10.000 km (uso normal) ou 8.000 (uso severo), em média 50 reais, em média
Catalisador *
Pode ter se derretido parcial ou completamente de 5% a 10% A cada 80.000 km (uso normal) ou 40.000 km (uso severo), em média a partir de 350 reais no mercado de reposição
Óleo O motor pode sofrer carbonização causada por óleo fora de especificação prevista no manual até 10% A cada 10.000 km (uso normal) ou 5.000 (uso severo), em média 40 a 90 reais, em média
Alinhamento e balanceamento Atrito irregular dos pneus com o solo, diminuindo o desempenho. Nesse caso, também há um aumento no desgaste dos pneus até 10% A cada 10.000 km (uso normal) ou 5.000 km (uso em estradas esburacadas), em média 150 reais, em média

* O catalisador pode até ultrapassar os 100.00 km, mas ele se deteriora rapidamente quando o motor não está funcionando com a manutenção perfeitamente em dia.

Obs 1: Na dúvida, siga sempre o manual do proprietário do veículo.

Obs 2: Uso severo entende-se por tráfego urbano intenso, quando a velocidade média é menor que 10 km/h, ou em estradas de terra muito empoeiradas e esburacadas.

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