Por Péricles Malheiros
03 424 km
Cumprindo o programa, após ter rodado ao menos 1 000 km, o recém-chegado tem passaporte carimbado para o primeiro teste em nosso campo de provas, em Limeira (SP). Os resultados (veja quadro ao lado) são guardados para uma comparação com os números obtidos no fim da jornada, aos 60 000 km, quando o carro passa pela mesma bateria de testes.
Às vésperas do teste de estreia, aos 1 052 km, o Versa passou por seu primeiro susto. Em São Paulo, no encontro das movimentadas Rebouças e Gabriel Monteiro da Silva, um Civic resvalou na lateral traseira direita. O motorista desatento se desculpou e se prontificou a arcar com o custo do reparo, mas felizmente as marcas do esbarrão de parachoque saíram com cera e nenhuma presilha foi danificada.
Na nossa pista, o Nissan Versa de Longa Duração revelou números similares aos do modelo testado em novembro, quando chegou ao mercado. A maior diferença ficou na prova de aceleração. Enquanto o carro cedido pela Nissan registrou um 0 a 100 km/h em 10,9 segundos o nosso apontou 11,4. No entanto, houve empate no tempo necessário para percorrer 1 000 metros: 32,1 segundos.
Os outros testes de desempenho foram equilibrados. O modelo de fábrica cumpriu as provas de retomada (40 a 80, 60 a 100 e 80 a 120 km/h) em 7,2, 10,4 e 16,7 segundos, respectivamente, ante 6,9, 10,5 e 15,3 segundos do Versa de Longa Duração. Na frenagem (de 60, 80 e 120 km/h a 0), os gêmeos pararam em 18, 32 e 69,6 metros e 16,8, 29,9 e 71 metros. Os números de consumo de combustível (na cidade e na estrada) do Versa testado em 2011 foram ligeiramente piores: 8 e 11,5 km/l ante 8,2 e 12 km/l.
Sobre o cabo para conexão de iPod que a concessionária Kin inicialmente disse não acompanhar o carro, tudo resolvido: duas semanas após a retirada do Versa, a vendedora entrou em contato e enviou o componente.
Consumo
No mês (29,1% na cidade): Etanol – 8,1 km/l
Desde janeiro/12 (29,1% na cidade): Etanol – 8,1 km/l
Principais Ocorrências
9 km – cabo do polo negativo da bateria solto
Pé na estrada: além de Limeira, o Versa foi até São Pedro, também no interior de São Paulo.
Por Péricles Malheiros
2085 km
Com pouco mais de 50 km rodados, o J3 assustou ao apresentar ruídos na suspensão dianteira. Fizemos o que qualquer consumidor faria: ligamos para a concessionária onde foi feita a compra – a JAC Gastão Vidigal, em São Paulo – e mostramos indignação. Ao retornarmos com o carro, o atendimento foi imediato. Depois de uma volta por ruas de paralelepípedo, o consultor foi direto com nosso J3 para a oficina. E dela saiu após 40 minutos. “Às vezes, o material elástico é danificado na montagem. Por isso, substituí a bandeja direita da suspensão, que estava com uma das buchas rompida”, disse o técnico. O alinhamento de direção, segundo o técnico, também foi refeito em garantia.
Sanado o problema, rodamos os primeiros 1000 km sem esticar as marchas nem ultrapassar os 80 km/h, conforme indica o manual do proprietário – consultores de três concessionárias disseram que esse zelo poderia ser dispensado. Aos 1331 km, o J3 passou pela primeira prova de fogo no Longa Duração: o teste completo no Campo de Provas da TRW, em Limeira (SP).
De volta às ruas e estradas, o hatch começou a ser observado por todos os lados. O editor Paulo Campo Grande destacou pontos negativos e positivos: “Gostei da qualidade do revestimento dos bancos e do trabalho silencioso das palhetas tipo flat-blade, mas acho que o volante poderia ser mais macio e que a sobreposição de conta-giros e velocímetro dificulta a consulta rápida”. O redator-chefe Zeca Chaves também notou deslizes no acabamento: “Há um chicote elétrico muito próximo aos pedais. Meu pé esquerdo chegou a enroscar nele”.
Testamos o sistema de agendamento de revisões do site da JAC – a primeira acontece aos 2500 km. Preenchemos o formulário na noite de uma terça-feira. Na quarta-feira, bem cedo, uma atendente entrou em contato conosco por telefone para confirmar as informações. A qualidade da revisão em si, porém, é assunto para o próximo mês.
Consumo:
No mês (40,3% na cidade): Gasolina – 9,4 km/l
Desde mar/11 (40,3% na cidade): Gasolina – 9,4 km/l
Principais ocorrências
216 km: Bandeja da suspensão com bucha danificada é substituída em garantia

Sistema de regulagem de altura do volante emperrado: quem dirigiu o J3 reclamou dele (esq.); Olhe onde pisa: o pé pode enroscar no chicote elétrico que passa próximo aos pedais (dir.).
5759 km
Em janeiro, o Peugeot 3008 encarou um comparativo com o Dodge Journey. E se deu bem. Na ocasião, o editor Gustavo Ruffo pontuou o conjunto motor-câmbio com 4,5 estrelas, dizendo: “O trem de força do 3008 fez a diferença em sua vitória. Forte e eficiente”. De fato, nosso 3008 de Longa Duração tem sido alvo de elogios pelo bom desempenho: “O motor 1.6 turbo é muito eficiente”, deixou anotado no diário de bordo do carro o diretor do Núcleo Motor Esporte da Editora Abril, Marcos Emílio Gomes, após rodar 444 km em trechos urbanos e rodoviários.
Da pista de teste, em Limeira (SP), o 3008 retornou com números muito próximos aos obtidos com a unidade cedida pela Peugeot para o comparativo com o Journey. Nosso crossover foi ligeiramente melhor em aceleração, mas se mostrou um pouco mais lento nas provas de retomada. Na frenagem e no consumo urbano, empate técnico. A única diferença mais significativa foi notada no consumo rodoviário, com pequena vantagem para o modelo utilizado no comparativo.
Quando retiramos nosso 3008 na concessionária Aquitaine, o responsável pela entrega afirmou que a revisão deveria ser feita a cada 10 000 km, mas notamos que o manual previa uma parada aos 5 000 km. Ligamos, então, para o 0800 da Peugeot, que confirmou que o correto era o que previa o manual. Assim, com 5 054 km registrados no hodômetro, nosso 3008 encostou na autorizada Paris Alphaville, de São Paulo. Aproveitamos a oportunidade para pedir a verificação de um barulho chato de plástico vibrando no console, na região do câmbio. Após um dia, o carro estava liberado, com o óleo trocado e livre dos ruídos de acabamento. E o melhor: tudo grátis, pois essa primeira revisão é por conta da casa – ou melhor, da Peugeot.
Consumo:
No mês (48,4% na cidade): Gasolina – 9,4 km/l
Desde mar/11 (47,7% na cidade): Gasolina – 9 km/l

Em dias de chuva, a turbulência “puxa” a água para o vidro traseiro. O uso do limpador é indispensável (esq.). Tampa do bocal de abastecimento com chave: incômodo que não combina com o cordial 3008 (dir.).
60023 km
“O carrinho é duro demais, mas vou sentir saudade dele.” Foi com essa frase que nosso auxiliar de testes, Jorge Luiz Alves, recebeu o Smart na pista de Limeira para a realização da última avaliação antes de o carro ser encaminhado para o desmonte. De fato, o comportamento nervoso e a agilidade em meio ao trânsito urbano fizeram do Smart o carro preferido para quem precisava sair da redação para um serviço externo rápido. Mas também é verdade que, do primeiro ao último dia em que esteve entre nós, o pequenino recebeu pesadas críticas sobre a dureza excessiva da suspensão.
Confrontados os números do teste inicial com os do final, poucas surpresas – e suspeitas. A boa notícia veio da melhora do consumo de combustível. Na cidade, passou de 13,5 para 14,1 km/l e, na estrada, de 16,3 para 17,8 km/l. Ele também ficou mais “econômico” nas provas de desempenho.
Na aceleração de 0 a 100 km/h, os números pioraram de 11,4 para 11,8 segundos. As provas de retomada de velocidade (40 a 80 km/h, 60 a 100 km/h e 80 a 120 km/h, sempre com o câmbio no modo automático) comprovam a perda da vitalidade: respectivamente, registrou no teste inicial 5,2, 6,4 e 9,2 segundos, contra 5,4, 6,7 e 9,3 segundos anotados na prova final. O único “mistério” ocorreu nas passagens de frenagem. Apesar de ter apontado números bastante próximos nas provas que iam de 60 e 80 km/h à imobilidade (14,5/14,6 metros e 25,3/25,9 metros), a tomada de 120 km/h a 0 foi discrepante, com 57,6/61,5 metros. Como a frenagem mais longa submete o sistema de freios a elevadas temperaturas por um período maior de tempo, pode ser que haja algo de errado nos discos ou, mais provavelmente, desgaste irregular das pastilhas. Mas isso é assunto para o capítulo final, o desmonte.
Consumo:
No mês (37,6% na cidade): Gasolina – 11,5 km/l
Desde set/09 (40,6% na cidade): Gasolina – 12,2 km/l
Porta-trecos na tampa do porta-malas: objetos soltos nele sempre foram sinônimo de barulho (esq.). Porta-objetos ineficiente: raso, instável, pequeno e mal localizado. Que falta faz um console central (dir.).
Depois de um convívio de um ano e 60000 km, o coreano prova que é confiável e robusto, mas expõe os furos da rede de assistência. Confira o desmonte, o check-up e nosso veredicto.
61351 km
Nosso i30 já passou dos 60 000 km e se encaminha para o desmonte sem problemas mecânicos. Ao contrário, a quilometragem parece ter feito bem a ele, como mostra nosso teste final. Acelerou mais rápido (11 segundos, contra 12,7), freou em espaços mais curtos (61,9 metros de 120 km/h a 0, contra 64,4), retomou melhor (8,2 segundos de 80 a 100 km/h, contra 13,1), foi tão econômico quanto antes (9,9 km/l na cidade) e até mais silencioso (64,3 contra 65 dB). Pena que as boas marcas não ajudaram a elevar o valor de revenda.
Dois fatores sempre pesam contra os carros de Longa Duração: são seminovos (pouca diferença de preço para um modelo novo) e muito rodados (60 000 km em menos de um ano). Segundo a tabela Fipe, um i30 como o nosso custa 57 425 reais, mas, novo, é vendido a 62 000, preço que pode cair para 60 000, se você souber pechinchar. Para que um comprador comum se interessasse pelo carro, teria de custar algo em torno de 55 000 reais. Não tentamos vendê-lo a particulares, mas a lojas e concessionárias. Para nossa surpresa, as revendas que pagam menos são as que mais deveriam zelar pelo seu valor: todas da Hyundai.
Na primeira Hyundai Caoa, a do Piqueri, em São Paulo, o vendedor nos disse que pagaria 50 000 reais se o i30 tivesse até 15 000 km, quilometragem esperada para um veículo 2009/2010. Com 60 000 km, ele avaliou o nosso em 45 000 reais. Ainda insistimos para conseguir um valor melhor e o avaliador, depois de dar uma volta em torno do carro, manteve o preço.
Seguimos para as lojas de usados da avenida Edgar Facó e, nas três primeiras, não quiseram nem olhar o carro. “É muito novo e muito rodado”, nos disse o vendedor da RGM Automóveis. Na Pantanal Veículos, ali perto, recebemos a mesma resposta do vendedor, que se ofereceu para vender o carro em consignação. Fomos para a Thidi Car, onde nossa impressão de que o i30 era ruim de venda se desfez. O vendedor ficou impressionado com o estado do carro e nos ofereceu 47 000 reais. Não sem antes nos explicar a mecânica da coisa: “O carro tem de estar muito bonito, para vender fácil. O ganho varia. Se for um carro de 30 000 reais, a gente compra por 27 000 para ganhar 3 000. Se for de 60 000, compramos por 53000, para ganhar 7 000”. Recusamos a proposta e seguimos para a Chevrolet Palazzo, onde recebemos a oferta de 48 000 reais. E uma ligação da Thidi Car, que queria melhorar a oferta e comprar o i30 de qualquer jeito. Se quiséssemos vender, ele possivelmente teria ficado com o Hyundai – pela tenacidade e disposição em negociar.
As ofertas seguintes que recebemos, sempre vinculadas à troca por um modelo novo, foram de 46 000 reais (Peugeot Pavillon, Hyundai Caoa Perdizes e Renault Grand Brasil) a 49 000 reais (Volkswagen Sorana, nossa melhor proposta). Na concessionária Hyundai, a venda do carro só ocorreria se fizéssemos a revisão dos 60 000 km. Por nossa conta.
Só com a revisão
A pior proposta veio da Hyundai Caoa Santana, onde também ficamos surpresos com a “boa vontade” no atendimento. Entramos na loja e esperamos alguém nos atender. Só não desistimos porque tínhamos uma reportagem a escrever. Nenhum vendedor se levantou da cadeira. Foi a moça da recepção, que estava com outros clientes, que nos encaminhou a uma vendedora, que ofereceu de 43 000 a 44 000 reais. Insistimos, pedindo para o avaliador ver o estado do i30. Acompanhamos o avaliador para a foto que ilustra esta reportagem. Enquanto mostrávamos como o carro estava inteiro, com quatro pneus praticamente novos, ele nos disse que seria preciso fazer a revisão dos 60 000 km. “Pode não parecer, mas todas as peças desse carro são caríssimas. Se não estiver na garantia, não consigo vendê-lo. A quilometragem também atrapalha. Estou com um Azera encalhado aqui. E ele não está tão rodado como o seu i30.” Agradecemos a sinceridade e nos despedimos, deixando o Hyundai em seu destino final neste teste de Longa Duração: a Fukuda Motorcenter, para a desmontagem. E, quem sabe, a confirmação de nossos elogios à durabilidade do carro, apesar de seus custos de manutenção acima dos razoáveis, como a própria rede Hyundai, quem diria, reconheceu.
Consumo
No mês (5,8% na cidade): Gasolina – 10,5 km/l
Desde dez/09 (22,2% na cidade): Gasolina – 10 km/l
30258 km
Pensando no bolso, qual o jeito mais esperto de dirigir o Smart? No modo automático ou no manual? Aproveitando o torque do motor ou subindo o giro nas trocas de marcha? Para desvendar esse mistério, nosso editor de testes Paulo Campo Grande fez uma maratona noturna com o mais compacto da frota de Longa Duração.
Na experiência, usamos o medidor de vazão de combustível PLU, o mesmo adotado na pista de teste. Ao buscar economia, pé leve no acelerador e trocas de marcha feitas no momento indicado pelo veículo – através de uma seta no painel. Quando o desempenho era a prioridade, PCG esticava as marchas, com o o giro alto, e raramente usava a quinta marcha. O trajeto urbano, feito à noite, foi de 19,2 km, com direito a faróis, subidas e descidas.
A primeira passagem, no modo automático, visou a economia. Com uma velocidade média de 32,9 km/h, Paulo encarou 17 semáforos fechados, rodando com a rotação média de 1 900 rpm. Os 19,2 km foram feitos em 35 minutos e o consumo foi de 14,9 km/l.
No segundo teste, ainda usando o câmbio no modo automático e visando desempenho, o tempo gasto foi exatamente o mesmo: 35 minutos, e a velocidade média também foi a mesma, de 32,9 km/h. Mas, rodando na média de 2 100 rpm e cruzando 16 semáforos fechados, o consumo foi para 13 km/l. Ou seja, a sede aumentou e o tempo de viagem não se alterou.
Já no modo manual, visando economia, fizemos o trajeto nos 35 minutos, encarando dez semáforos fechados. A velocidade média foi a mesma e o consumo, ainda melhor: 15,1 km/l. A rotação média foi de 1 900 rpm. No último teste, pé mais embaixo e com o câmbio no modo manual, a velocidade média foi de 40,8 km/h e o tempo gasto foi de 30 minutos. Elevando o giro, com média de 3 000 rpm, e com velocidade mais alta, mas dentro da lei, economizamos apenas 5 minutos no trajeto, encarando 13 semáforos fechados. A suposta economia de tempo repercutiu no bolso: o consumo foi o pior do teste, com 12,2 km/l, uma diferença de 23,8% em relação à melhor passagem.
Se repetíssemos o melhor e o pior comportamento em 1 000 km, gastaríamos 66,2 litros de gasolina na situação de melhor consumo e 82 litros de combustível com o pé mais fundo. Com o preço médio de 2,55 reais da gasolina, segundo levantamento do mês de maio da Agência Nacional de Petróleo, esse pé fundo nos custaria, em 1 000 km, 40,30 reais. Se você não fizer questão de luxo, dá para pagar um almoço.
Consumo
No mês (66,1% na cidade): Gasolina – 12,4 km/l
Desde set/09 (42,5% na cidade): Gasolina – 11,8 km/l
Ensaio – Automático/consumo
Tempo – 35 min
Velocidade média – 32,9 km/h
Consumomédio – 14,9 km/l
Rotaçãomédia – 1 900
Semáforos no trajeto – 17
Ensaio – Automático/desempenho
Tempo – 35 min
Velocidade média – 32,9 km/h
Consumomédio – 13,0 km/l
Rotaçãomédia – 2 100
Semáforos no trajeto – 16
Ensaio – Manual/consumo
Tempo – 35 min
Velocidade média – 32,9 km/h
Consumomédio – 15,1 km/l
Rotaçãomédia – 1 900
Semáforos no trajeto – 10
Ensaio – Manual/desempenho
Tempo – 30 min
Velocidade média – 40,8 km/h
Consumomédio – 12,2 km/l
Rotaçãomédia – 3 000
Semáforos no trajeto – 13
4759 km
“É elétrico? Quanto custa? Anda bem?”, perguntou um curioso ao editor Paulo Campo Grande. Ao saber que se tratava de um carro a gasolina, ele justificou a dúvida pela ausência da chave de ignição na coluna do volante (no Smart ela fica atrás da alavanca de câmbio). Desde que ele chegou, é assim: causa curiosidade por onde passa e é tão carismático quanto misterioso. “Nunca fiz isso quando morava na Espanha, mas posso tirar uma foto dentro dele?”, disse um colega da Editora Abril.
Situações como essas são comuns. Mais difícil é nos acostumarmos com as reduzidas dimensões externas do carrinho. Até porque seu interior proporciona uma sensação de espaço surpreendente para um ser do seu porte. O trânsito, dentro de um Smart, fica mesmo menos estressante: para um tímido disposto a fazer novas amizades, mais que um meio de locomoção, ele é um relações-públicas. As crianças perguntam se é um carro de verdade. Nosso caçula na frota quase nunca fica sozinho, sempre tem alguém rodeando. Em frente a um salão de beleza, um corretor de imóveis entregou um panfleto de condomínio de luxo para a cabeleireira. “Você pode entregar para a dona do Smart?”, disse, sem imaginar que o automóvel pertence à QUATRO RODAS. Claro que em casa, quer dizer, na redação, o assédio é igual. Há fila de espera para passar um fim de semana com ele, pois todos querem saber como vai ser a convivência. Houve até quem o levasse a dar uma volta de elevador…
Para responder à pergunta sobre como ele anda, nós o levamos para a pista de Limeira, quando registrava 1916 km no hodômetro. E não é que ele tem desempenho de gente grande? Fez de 0 a 100 km/h em 11,4 s, praticamente o mesmo pique do Focus 2.0: 11,3 s. O teste inicial traduziu números muito próximos aos do modelo cedido pela fábrica na época do lançamento. O nosso teve pequena vantagem na frenagem de 120 a 0 km/h, parando 2,7 metros antes.
Consumo
No mês (42,8% na cidade): Gasolina – 11,7 km/l
Desde set/09 (41,6% na cidade): Gasolina – 11,8 km/l
8346 km
Desde a reportagem sobre dirigir com economia, faço questão de melhorar minha marca de consumo na Via Dutra, em direção ao Rio de Janeiro. O cenário era bastante favorável: feriado só na cidade de São Paulo e com previsão de chuva no litoral. Estrada vazia, portanto, e uma ótima oportunidade de avaliar, com mais atenção, o consumo de nosso i30.
O computador de bordo não tem funcionamento tão prático. Os registros de consumo médio e quilometragem parcial precisam ser zerados separadamente, quando o normal é fazer tudo junto. E em vez de km/l ele usa a unidade europeia, litros/100 km. Nessa conta ao contrário, quanto menor o valor, melhor.
Por isso o número que aparecia no painel não me empolgava: logo antes do primeiro pedágio, a tela digital azul registrava 11,8 (equivalentes a 8,5 km/l), sempre com ar-condicionado ligado. A velocidade média (88 km/h, numa estrada com limite entre 100 e 120 km/h) mostra que trânsito não era problema.
Conforme a estrada ganhou relevo, desliguei o piloto automático. Seu conforto é inegável, mas, em nome de manter a velocidade programada, ele fica variando bruscamente a aceleração a cada subida e descida – quando o ideal, do ponto de vista do consumo, é variar suavemente. Nessa hora, o mais econômico é comandar o acelerador com os próprios pés. Para afinar a comunicação, a pedida é usar um par de tênis de solado sensível, tipo All Star.
O número melhorou para 11,4 em Roseira (SP), para 11 redondos em Resende (RJ) e alcançou 10,6 em Nova Iguaçu (RJ). Mas continuou alto. Equivale a 9,4 km/l, bem distantes dos 12,8 km/l registrados pelo nosso C4 Pallas – e olha que ele pegou três horas de congestionamento na estrada.
A transmissão automática não ajuda o i30. O escalonamento do câmbio até que é bem feito – a 100 km/h, o motor trabalha a confortáveis 2 500 rpm. Mas, como a maioria de nossos carros médios, tem apenas quatro marchas. O consumo de um carro com quatro marchas varia mais, conforme a condição de uso, do que o de um carro com cinco marchas. Isso porque aumenta a chance de o motor funcionar distante de seu ideal. Bastou andar com limite de velocidade um pouco mais baixo (80 km/h, na avenida Brasil) para o consumo melhorar bastante: 13,7 km/l.
Esperava melhorar a marca do i30 na viagem de volta, mas a chuva e o trânsito invalidaram a prova. Já em São Paulo, o i30 teve seu para-choque dianteiro raspado por um motoboy que nem quis parar. Como resultado, há dois pequenos riscos paralelos na borda da peça. Como o dano é mínimo, e apenas estético, vamos orçar o reparo da pintura apenas na primeira revisão do i30, aos 10 000 km.
Principais ocorrências
6623 km: ralado no para-choque
Consumo
No mês (31,1% na cidade): Gasolina – 9,1 km/l
Desde dez/09 (32,1% na cidade): Gasolina – 9,5 km/l
4355 km
Mal chegou à redação, o Hyundai i30 saiu em férias. Mas pouco descansou. Foram 2 400 km acompanhando a família do revisor da revista, Renato Bacci, em três semanas no fim do ano, entre São Pedro, no interior paulista, e Bertioga, no litoral. E, nesse período, o primeiro coreano da nossa frota foi um bom companheiro de viagem, conforme mostra seu relato abaixo.
“De cara, o que impressionou foi a qualidade de construção. Sem ruídos internos e com ótimo isolamento acústico, pouco se ouve de extraordinário na cabine, com os vidros fechados. No trânsito, com o som ligado, a gente desconfia até que não apertou direito a buzina, pois nem ela se escuta.
A tranquilidade auditiva se estende ao motorista e ao passageiro… dianteiro. Quem vai no banco de trás sente um pouco as imperfeições do asfalto. Consequência provável da configuração da rodas de aro 17 com largos e baixos pneus, que grudam o carro no chão, mas sacrificam o conforto.
De resto, o i30 é muito boa companhia. Seu câmbio automático, apesar de ter apenas quatro marchas, é ‘esperto’. Diferente do primeiro período com o carro, quando rodamos quase que 100% na cidade, desta vez, o consumo foi mais animador. O i30 marcou 10,3 km/l de média. Bom, para um carro automático recém-amaciado e carregado de equipamentos.
Por falar em amaciamento, no meio da viagem ele chegou aos 2 500 km, marca da primeira revisão obrigatória, para a qual o manual prevê a troca de óleo do motor e filtro. Com agendamento tranquilo pelo telefone, o carro foi levado à concessionária Caoa Morumbi, na capital paulista. “Vai ser feito apenas o previsto na revisão”, disse a consultora técnica Solange. Mas a ordem de serviço trouxe, além das trocas previstas, ‘descarbonização da injeção’ e ‘Oil Miralube’, um aditivo do óleo do motor, por 30 e 69 reais, respectivamente. Isso elevava a conta de 153 para 252 reais.
Questionamos, pois o manual não listava nenhum daqueles procedimentos. ‘É recomendação do departamento de engenharia da fábrica’, disse a consultora. Insistimos em que deveríamos ter sido avisados da inclusão de qualquer serviço adicional – já feitos -, e a solução foi rápida: os dois itens foram suprimidos da nota que seria emitida. Simples assim.”
O primeiro teste
Após as férias de fim de ano e a revisão de 2 500 km, era hora de o i30 encarar a pista de testes para as avaliações iniciais. E aos 3 750 km, em Limeira (SP), apresentou números de desempenho inferiores aos do primeiro i30 testado por QUATRO RODAS. No 0 a 100 km/h, foram 12,7 segundos, contra os 11,8 do modelo de teste, enquanto os 1 000 metros foram atingidos em 33,5 segundos, contra os 33,2 do carro de fábrica.
Na frenagem, nosso i30 se saiu melhor em uma das passagens e pior nas outras: foram necessários 15 metros para alcançar a imobilidade, vindo a 60 km/h, enquanto o carro de teste fez a mesma prova em 16,6 metros. Nas demais frenagens, partindo de 80 e 120 km/h, o i30 da Hyundai se saiu melhor que o nosso.
No ruído, o carro de Longa Duração confirmou o silêncio já notado no modelo. Quase que o decibelímetro não capta o ruído do i30 em ponto-morto, pois a menor escala do equipamento é de 34 decibéis. O nosso mexeu apenas meio decibel acima dessa marca. Na rotação máxima, marcou 67 decibéis. No consumo, nos testes, foi melhor que em nossa média mensal: fez 10,1 km/l no ensaio urbano e 12,4 km/l no teste rodoviário. Agora, que venham os 60 000 km.
Principais ocorrências
2489 km: primeira troca de óleo
3750 km: primeiro teste
Consumo
No mês (24,6% na cidade): Gasolina – 10,6 km/l
Desde dez/09 (33,1% na cidade): Gasolina – 9,9 km/l
O mais completo teste de automóvel realizado por uma publicação no Brasil. QUATRO RODAS compra os carros como se fosse um consumidor comum e, depois de rodar por 60 mil quilômetros, desmonta até o último parafuso.