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Mitsubishi Outlander GT V6 3.0

Completamente redesenhado, ele antecipa a futura cara dos SUVs e crossovers da marca

Por Péricles Malheiros | Fotos Marco de Bari - Atualizado em 9 nov 2016, 00h54 - Publicado em 19 out 2013, 00h20
testes

O Outlander estreou no Brasil em 2003, ainda com o nome Airtrek. O nome atual só veio quatro anos mais tarde, acompanhado de uma cirurgia plástica que lhe tirou a grade com nariz adunco. Mas foi no fim de 2009 que ele, já como linha 2010, caiu de vez no gosto do brasileiro. Com o desenho da dianteira notadamente inspirado no do sedã Lancer, não demorou a ganhar o apelido de Outlancer entre os fãs dos carros da marca. Agora, de maneira surpreendente, a marca abandona a tradicional frente esportiva e pende para um lado mais clássico. Como toda a indústria automotiva, a Mitsubishi mantém a estratégia de traçar um desenho básico que identifique seus produtos, mas fará isso de uma maneira não convencional. “Em vez de um face-family único, teremos linhas distintas. Basicamente, crossovers e SUVs terão uma ou duas caras e os carros de passeio, outra”, diz uma fonte ligada à marca no Brasil.

O fato é que o Outlander está completamente renovado, pronto para disputar sua garagem. Para isso, ele manteve a gama atual, com uma versão de entrada (4×2, com motor 2.0 de 160 cv e câmbio CVT) e outra topo de linha (4×4, com um V6 3.0 de 240 cv e câmbio automático de seis marchas). Outra diferença importante está no número de ocupantes: cinco na 2.0 e sete na V6.

Infelizmente, a Mitsubishi cedeu para teste apenas a topo de linha – como o atual Outlander, a previsão para o novo é que a versão básica seja a líder de vendas, com mais de 60% do mix.

Os preços sofreram um pequeno reajuste, passando no modelo 2.0 de 100 290 para 102 990 reais e no V6 de 130 290 para 130 990 reais. A partir de agora, o V6 ganha o que a Mitsubishi chama de Full Pack, um pacote opcional de equipamentos que custa 9 000 reais extras. Ele é composto por abertura elétrica do porta-malas, piloto automático adaptativo, chave presencial, câmera de ré e sistema atenuador de colisões frontais.

Base de segurança

De acordo com a Mitsubishi, o Outlander é o primeiro modelo da marca a utilizar a plataforma RE. A marca diz que esta seria uma arquitetura completamente nova, mas não é bem assim. Fruto da parceria com a Daimler-Chrysler, a antiga plataforma GS foi, na verdade, atualizada e “se transformou” na atual RE. Isso explica as medidas tão parecidas entre a antiga e a nova geração do Outlander: as duas e o recém–nacionalizado ASX (este, baseado na plataforma GS) têm, por exemplo, o mesmo entre-eixos, com 2,67 metros. Comprimento, largura e altura sofreram alterações mínimas. Apesar da concepção antiga, a RE faz bonito. No Outlander, segundo a Mitsubishi, proporcionou uma redução de peso de cerca de 100 kg, graças à adoção de aços especiais de alta resistência. Os benefícios foram notados ainda na segurança: enquanto a geração anterior conquistou quatro estrelas no teste de colisão do Euro NCap, o novo Outlander atingiu cinco. Claro que colaboraram para o bom resultado no rigoroso teste de impacto os airbags frontais, laterais, do tipo cortina e de joelho (para o motorista), além de um pacote de dispositivos de segurança (cintos com pré-tensionadores e alarme de não utilização e controles de tração e estabilidade), pacote que não havia no carro que recebeu as quatro estrelas.

Ao volante, pouca novidade. E isso é bom. O test-drive no autódromo Velo Città, em Mogi-Guaçu (SP), permitiu relembrar que o Outlander é um utilitário esportivo estável e previsível – respeitadas as limitações impostas pela relação entre altura e peso, claro. Para completar a avaliação, o carro foi enviado posteriormente para nossa pista de teste, em Limeira, também no interior paulista. As enormes borboletas atrás do volante, herdadas do esportivo Lancer Evo, são um convite a uma tocada mais esportiva. Acelerador e direção (com assistência elétrica) são um tanto anestesiados, mas basta ativar o modo Sport do câmbio Invecs-II para deixar o Outlander mais arisco.

Como convém a um bom crossover, a versatilidade é o ponto alto do Outlander. Enquanto a modularidade interna (com dois bancos individuais e escamoteáveis no porta-malas) o aproxima das hoje quase extintas minivans, o sistema 4WD distribui a tração entre os eixos dianteiro e traseiro de acordo com as condições de aderência do terreno. Coisa típica de SUV 4×4. Há ainda o conforto a bordo próprio de sedãs familiares, apesar de as dimensões externas serem pouco maiores do que as de um hatch médio – com 4,66 metros de comprimento, o Outlander é apenas 15 cm maior do que um Chevrolet Cruze hatch, com 4,51 metros.

Portas bem alinhadas e com vãos simétricos combinam com a cabine igualmente bem montada. Um passeio pelo percurso off-road do Velo Città e uma passagem pela pista de paralelepípedos do nosso campo de provas em Limeira comprovaram a boa impresão inicial obtida no circuito de asfalto: nada de rangidos plásticos. Essa característica serve como indicador de que a carroceria do Outlander tem bom índice de rigidez torcional. Não espere, porém, grandes soluções de estilo na decoração interna: ainda mais discreta que a carroceria, a cabine é sóbria. Um típico produto da indústria automotiva japonesa.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Os bons números de frenagem traduzem a segurança transmitida aos ocupantes nas paradas de emergência.

★★★★

MOTOR E CÂMBIO

Um motor de baixa cilindrada com turbo e uma transmissão automatizada de dupla embreagem atualizariam o Outlander diante da concorrência, sobretudo na versão de entrada.

★★★☆

CARROCERIA

O novo visual distanciou as gerações. Lanternas tunadas, com lente transparente e máscara cromada, destoam do estilo discreto.

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★★★★

VIDA A BORDO

GPS, DVD, telefonia e áudio são controlados pelo LCD. Bancos têm movimentação intuitiva e leve. Os vários porta-objetos facilitam a vida dos ocupantes.

★★★★

SEGURANÇA

O Outlander conta (como opcional) com piloto automático adaptativo e sistema de frenagem autônoma na iminência de colisão. Controles de estabilidade e tração, ABS e múltiplos airbags são de série.

★★★★★

SEU BOLSO

O novo Outlander chega com revisões com preço fixo e seguro Mitsubishi com valor especial. Há 182 pontos de assistência. Uma rede maior, portanto, do que a de marcas como Toyota (141), Peugeot (165) e Citroën (165).

★★★★

OS RIVAIS

Fiat Freemont Precision 2.4

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Concorrente do Outlander de entrada (2.0, 5 lugares), é superequipado, tem 7 lugares e 172 cv e custa 102 000 reais.

Dodge Journey SXT

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Seu motor V6 3.6 tem 280 cv e consumo moderado (7,6 km/l na cidade e 11 na estrada). Sai por 109 900 reais.

VEREDICTO

A boa fama da Mitsubishi no mundo 4×4, onde a confiabilidade e a robustez são prioridade, conta a favor do Outlander. O problema, em especial da versão GT, é que o segmento de sete lugares tem rivais de melhor custo-benefício.

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