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Mercedes-Benz A 200 x BMW 118i

Até que enfim, um Mercedes para alinhar no grid do Série 1. Prepare-se para um belo pega

Por Péricles Malheiros | Fotos Marco de Bari Atualizado em 9 nov 2016, 01h42 - Publicado em 17 jun 2013, 13h55
comparativos

O equilíbrio é o ponto alto deste comparativo. Mercedes-Benz Classe A e BMW Série 1 são hatches premium do mesmo porte, são impulsionados por um conjunto de motor e câmbio com alta tecnologia, têm cabine repleta de itens de segurança e conforto e custam, dependendo da versão, convidativos 110 000 reais. Apesar de tantos pontos em comum, cada um destes dois alemães tem sua própria (e forte) personalidade. Enquanto o A foca na racionalidade, o 1 é pura emoção.

Os dois modelos aqui reunidos são concorrentes de um mesmo segmento, mas devem disputar clientes distintos. Inicialmente, o Classe A será vendido em duas versões: A 200 Style (de 99 900 reais) e A 200 Urban (de 109 900 reais). Dirlei Santos, gerente de vendas da Mercedes, diz: “Pelo perfil do consumidor brasileiro, o mix deve ficar em torno de 80% das vendas com a Urban e 20% com a Style). Assim, solicitamos uma unidade do A 200 Urban e rumamos para Limeira, cidade do interior paulista onde fica nosso campo de provas. Na BMW, pedimos um exemplar do 118i básico, de 106 950 reais, pois é ele quem tem conteúdo similar e deve encarar o estreante. A diferença de preço entre os hatches fica ainda menor quando se considera o fato de que a pintura metálica é cobrada à parte na BMW (1000 reais), enquanto que na Mercedes ela sai de graça. Apesar de ter cedido uma unidade completa do 118i (de 123 950 reais), os números do teste se referem à versão de entrada.

A análise da ficha técnica revela uma receita mecânica muito parecida. Mercedes A 200 e BMW 118i têm motor quatro-cilindros 1.6 16V com turbo e injeção direta – com, respectivamente, 156 e 170 cv. Tocado por um sistema de dupla embreagem com acionamento automatizado, o câmbio 7G-DCT do Mercedes tem sete marchas e guarda algumas peculiaridades de funcionamento. A alavanca seletora fica na coluna de direção, à direita do volante, liberando espaço no console central para práticos porta-objetos. As trocas podem ser feitas por meio de borboletas no volante. O 118i, por sua vez, é mais tradicional – mas não menos competente. Trata-se de uma caixa automática com conversor de torque e oito marchas. Os puristas e amantes de uma condução mais “nervosa” destacam positivamente dois pontos dessa transmissão: o fato de ela conduzir a força do motor para o eixo de trás (sim, o Série 1 tem tração traseira!) e ter trocas à moda antiga, por meio da alavanca no console, sem opção de trocas no volante, com movimentos para a frente para reduzir e para trás para “subir” as marchas, tal qual se vê nos carros de competição. Ponto para a emoção.

Com praticamente a mesma distância de entre-eixos – 2,69 metros o 118i e 2,70 o A 200 -, o Mercedes tem a cabine mais bem aproveitada. Pura razão. Na traseira do BMW, o túnel central que acomoda o eixo cardã é alto, roubando um valioso espaço para as pernas. Essa questão deve incomodar os consumidores mais cartesianos, mas nem sequer será notada pelos mais sanguíneos. Em termos de esportividade, o 118i é superior ao A 200. Os dois hatches têm sistema que permite selecionar o modo Sport de gerenciamento do câmbio e motor, mas é no BMW que o sangue ferve, com saídas de traseira (provocadas ou não) corrigidas com um contraesterço do volante. O Mercedes, com sua tração dianteira e respostas menos imediatas aos movimentos da direção e pedais, oferece condução mais pacata.

Menos intenso, o A 200 é também mais econômico. Em nossos testes, registrou 12 km/l na cidade e 19,2 na estrada, ante, respectivamente, 10,7 e 15,4 km/l do 118i. O sistema start-stop, que desliga o motor em paradas curtas – situação comum em trânsito urbano -, acompanha os dois modelos. A preocupação com a aerodinâmica foi levada ao extremo nos dois projetos: assoalho, caixas de rodas e até as suspensões apresentam defletores de ar para reduzir o arrasto e, por consequên cia, o consumo de combustível.

Bom de pilotar, bom de abastecer

Na pista, as provas de desempenho traduziram a diferença de “alma” dos carros. Na aceleração de 0 a 100 km/h, A 200 e 118i cravaram 9 e 7,1 segundos. A mesma superioridade nos testes de retomada era aguardada, mas o 118i foi melhor também nas medições de frenagem e de nível de ruído interno.

A atmosfera da cabine do Mercedes-Benz é mais arejada, uma prova de que os designers de interior da marca souberam aliar o requinte e bom acabamento dos sedãs a um layout capaz de agradar um consumidor novo na casa: o jovem. É para encher os olhos deles que o A 200 Urban carrega bancos com desenho esportivo e molduras metalizadas com leds, na altura da cabeça – no 118i de entrada, os bancos são convencionais.

Todo o painel, incluindo o quadro de instrumentos, segue uma linha mais retrô no 118i. Conta- giros e velocímetro têm fundo preto e iluminação convencional vermelha. No rádio, mais sobriedade, com teclas grandes e grafismo pequeno. O sistema de climatização é eficiente em ambos, mas o do Mercedes é mais sofisticado, com ajuste automático de temperatura (não individual).

Um pouco mais alinhado ao desejo da maioria (modernidade e baixo consumo), o A 200 sai do confronto vitorioso. Entretanto, se você gosta mais de pilotar do que de dirigir, o melhor a fazer é inverter o resultado e ficar com o 118i.

BMW 118i DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Mais esportivo, o 118i tem suspensão com acerto firme e direção com resposta rápida.

★★★★

MOTOR E CÂMBIO

A caixa trabalha em silêncio, com trocas rápidas. As borboletas no volante combinariam perfeitamente com o 118i de entrada.

★★★★

CARROCERIA

Uma nova geração está prevista para 2015. Ainda assim, o Série 1 é atual e bem construído.

★★★★

VIDA A BORDO

O alinhamento de preço coloca o 118i de entrada para brigar com o A 200 topo de linha. Aí, não tem jeito: o BMW perde em conteúdo.

★★★☆

SEGURANÇA

Airbags frontais, laterais e do tipo cortina são de série, assim como controles de tração e estabilidade.

★★★★☆

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SEU BOLSO

Para quem prioriza a esportividade, o 118i é uma boa pedida.

★★★☆

Mercedes-Benz A 200 DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Os pneus de perfil baixo não comprometem o conforto. Na pista, os freios se mostraram menos eficientes que os do Série 1.

★★★★

MOTOR E CÂMBIO

O consumo de combustível do A está entre os mais baixos já registrados por QUATRO RODAS.

★★★★★

CARROCERIA

As linhas e volumes dão ao Classe A um ar jovial, mas sem exageros que o deixariam vulgar.

★★★★

VIDA A BORDO

A ausência um sistema de auxílio de manobra (câmera de ré ou sensor de estacionamento) é grave. Ainda assim, a cabine do A tem mais a oferecer que a do 1.

★★★★

SEGURANÇA

O Classe A, assim como o Série 1, obteve cinco estrelas no teste de impacto do Euro NCap. Mas só o Mercedes tem airbag de joelho para o motorista.

★★★★☆

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SEU BOLSO

Mais versátil, o A é bom de dirigir, não faz feio ao ser exigido e é mais atual que o rival.

★★★★

VEREDICTO

A Mercedes reinventou o A de olho num mercado que o Audi A3 descobriu ao se apresentar como um hatch mais premium que o Golf. Esperta, a BMW chegou antes. A vitória do A 200 diante do 118i foi dada pelo fato de o Mercedes estar mais alinhado às necessidades práticas da maioria do que aos desejos de esportividade da minoria.

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