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Audi A4

Apesar do visual conservador, o A4 chega à quinta geração com novos motores, plataforma e equipamentos

Por Joaquim Oliveira - Atualizado em 9 nov 2016, 14h41 - Publicado em 16 set 2015, 13h18
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Desenhar a nova geração de um sedã sempre foi tarefa desafiadora para as fábricas pelo risco de as mudanças desagradarem os consumidores mais conservadores, importante parcela dos compradores desse tipo de veículo. A Audi, porém, foi demasiado cautelosa ao criar o novo A4, que estreia no Salão de Frankfurt, em setembro, e chega ao Brasil em meados de 2016. Repare na foto ao lado. É difícil identificar o que mudou no sedã. O sinal mais evidente de novidade, na comparação com o modelo da geração anterior, que é de 2008 e foi reestilizado em 2012, está nos espelhos retrovisores. No A4 antigo, eles eram encaixados nas vigias dianteiras, agora estão ancorados na lateral das portas. Há também a grade dianteira com contorno mais retilíneo e o desenho do filete de leds dentro dos faróis, mas esses são detalhes muito sutis.

Contribui para a sensação de déjà vu o fato de o novo A4 ter o mesmo porte que seu antecessor. As proporções foram mantidas com apenas alguns centímetros adicionados no comprimento (2,5 cm, para um total de 4,72 metros), na largura (1,6 cm para 1,84 metros) e no entre-eixos (1,2 cm para 2,82 metros). A altura permaneceu em 1,42 m. Por dentro, o painel mudou. Ele deixou de ter o console central vertical e destacado do cockpit e ganhou um conjunto horizontal, como o do A6. Mas, como não houve alteração significativa no espaço, os donos do A4 anterior vão se sentir em casa.

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O conservadorismo do design não influenciou outras áreas de desenvolvimento, no entanto. Nos demais aspectos, o A4 foi totalmente renovado. A prova disso é que, mesmo sem ousadia no visual, o perfil aerodinâmico da carroceria foi aperfeiçoado, resultando em um coeficiente de arrasto menor: o Cx caiu de 0,29 para 0,26. Esse índice, o melhor da indústria no segmento de sedãs médios, é conseguido na versão topo de linha, que possui aletas móveis na grade dianteira, que se fecham para favorecer a aerodinâmica, assim que o motor atinge a temperatura de trabalho.

A plataforma, peça fundamental do projeto porque agrega todos os sistemas do veículo, também é nova. O A4 é derivado da matriz MLB, que servirá de base para os modelos das marcas do Grupo VW com motor longitudinal, como Audi Q5, Porsche Macan e Bentley Bentaga. No que diz respeito à estrutura (que antes era inteiramente de aço), o novo A4 combina agora aços de alta e ultrarresistência, alumínio e materiais compostos, o que aumentou sua rigidez torcional e reduziu seu peso entre 80 e 120 kg, dependendo da versão.

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SAI O 1.8, ENTRA O 1.4

A suspensão continua a ser do tipo McPherson, na dianteira. Mas, na traseira, um conjunto multilink substitui o de braços sobrepostos. E a direção hidráulica cedeu lugar a um sistema de assistência eletro-hidráulico. No que diz respeito à motorização, as novidades se concentram nas versões movidas a gasolina, com três configurações: 1.4 TFSI de 150 cv (substituto do 1.8 TFSI) e dois 2.0 TFSI com potências de 190 cv e de 252 cv. Todos têm turbocompressor, injeção de combustível dupla (direta e indireta) e comando de válvulas variável.

APENAS AUTOMATIZADO

A Audi ainda não se pronunciou sobre as versões que virão para o Brasil, mas, considerando os rivais BMW Série 3 e Mercedes Classe C, ela poderia trazer as três para fazer frente à concorrência. Na Europa, há disponibilidade de câmbio manual de seis marchas e automatizado de dupla embreagem de sete marchas, com tração dianteira e integral Quattro. Mas por aqui devem chegar apenas as automatizadas.

A unidade que dirigimos era uma 2.0 TFSI (de 190 cv) completa. Além de rápido – segundo a fábrica, essa versão acelera de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e atinge 240 km/h de velocidade -, o A4 se mostrou muito confortável, com direção leve e câmbio de trocas suaves.

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Entre os equipamentos de série, o sedã avaliado contava com o painel de instrumentos digital (igual ao que estreou no TT), que é opcional nas demais versões, head-up display, piloto automático adaptativo, freio autônomo (funciona até 40 km/h) e o Drive Select, que ajusta motor, câmbio, suspensão e direção. Um dos destaques é o assistente de condução em trânsito urbano, que assume o volante em velocidades até 65 km/h (desde que a rua tenha sinalização nítida). Assim, ele freia e acelera automaticamente para seguir o veículo da frente e movimenta a direção para se manter dentro da faixa.

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A Audi ainda não divulgou os preços do A4, que começa a ser vendido somente em janeiro de 2016, na

Europa. A expectativa do mercado, porém, é de que a fábrica seja conservadora também nessa hora, sem mexer muito nos preços. Esperamos que seja assim também no Brasil.

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VEREDICTO

Ao volante, a evolução do A4 é evidente. Ele ficou mais gostoso de dirigir, confortável e bem-equipado, incluindo recursos como painel digital, sistema de injeção direta e indireta e assistente de condução no trânsito.

★★★★

 

FICHA TÉCNICA
Motor diant., longit., 4 cil., 16V, VVT, turbo, injeção direta e indireta
Cilindrada 1 984 cm3
Potência 190 cv a 5 000 rpm
Torque 32,6 mkgf a 1 450 rpm
Câmbio automatizado, embreagem dupla, 7 marchas, tração dianteira
Dimensões comprimento, 472,6 cm; altura, 142,7 cm; largura, 184,2 cm; entreeixos, 282 cm
Peso 1 330 kg
Porta-malas/caçamba 480 l
Tanque 60 l
Suspensão dianteira McPherson
Suspensão traseira multilink
Freios discos ventilados (diant.), sólidos (tras.)
Direção pinhão e cremalheira, eletro-hidráulica
Equipamentos painel de instrumentos digital, head-up display, piloto automático adaptativo, freio autônomo, ESP, Drive Select e assistente de condução no trânsito
0 a 100 km/h 7,3 s
Velocidade máxima 240 km/h
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