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Land Rover quer transformar antigos Defender em elétricos no Brasil

A marca aproveita equipe de restauradores da fábrica de Itatiaia (RJ) para preservar história e atualizar jipes clássicos com motores elétricos

Por Eduardo Passos Atualizado em 25 nov 2021, 09h13 - Publicado em 24 nov 2021, 18h31

Após cerca de dois anos importando o Range Rover Evoque, a Land Rover celebrou bem à brasileira o retorno da produção do SUV na fábrica de Itatiaia (RJ). Confiante na recuperação econômica do Brasil nos próximos anos, a britânica não apenas retomou a montagem local do Evoque, como também adiantou uma desejada parceria para “atualizar” o passado.

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Em parceria com a Weg — fabricante brasileira de motores elétricos — a Land Rover deverá ampliar os serviços de sua clínica de restauração, oferecendo a conversão de modelos clássicos em elétricos. O primeiro carro apto à mudança será o Defender. O desejo é de que, ainda na primeira metade do ano que vem, os clientes possam levar suas unidades do jipão para a transformação.

clinica de restauração land rover brasil
Técnicos serão treinados para ampliar o escopo de serviços de restauração e atualização de antigos Land Rover Divulgação/Land Rover

O projeto será conduzido por mão-de-obra treinada e com acesso a recursos exclusivos, mas sua viabilidade dependerá de testes, que começarão em janeiro com um Defender 110 convertido para avaliação. Fontes ouvidas por QUATRO RODAS em visita à planta de Itatiaia estimam preço na casa de R$ 120.000 pela mudança.

Torque de sobra

Além da restauração do jipe com acesso a componentes originais e exclusivos, os Defender elétricos usarão um conjunto da catarinense Weg feito para micro-ônibus e pequenos caminhões. Ainda que a potência seja de apenas 110 cv, o torque será de generosos 52,9 kgfm, ampliando as possibilidades de uso do carro.

Modelos clássicos restaurados pela Land Rover em Itatiaia (RJ)
Modelos clássicos restaurados pela Land Rover em Itatiaia (RJ) Divulgação/Land Rover

As baterias do conjunto darão uma autonomia de 200 km ao Defender 110, que irá de 0 a 100 km/h em cerca de 12 segundos, segundo a marca. A capacidade de carga do clássico mais do que dobrará, chegando aos 2.034 kg (incluindo passageiros).

Como as pesadas baterias ficarão próximas ao solo, o Defender 110 terá seu ângulo de ataque reduzido, ao passo que o centro de gravidade mais baixo deverá melhorar o seu problema crônico de rolagem da carroceria.

Mercado quente

Land Rover Defender All-Terrain Electric
Ideia de um Defender 110 elétrico já é testada há tempos pela Land Rover, que está preocupada com conversões feitas por terceiros Divulgação/Land Rover

Por mais que os carros elétricos sejam “inimigos” da maioria dos saudosos, o chamado restomod vem ganhando espaço entre os antigomobilistas. A ideia é preservar a estética do carro ao mesmo tempo que o motor elétrico simplifica a manutenção e oferece ganhos de performance e confiabilidade.

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Tão pequenos que cabem até em uma mochila, os motores elétricos também começaram a ser vendidos à parte, como fez a Ford com a unidade de potência do Mustang Mach-E. A montadora americana também fez um restomod da F-100, adicionando ousadias que a Land Rover não fará, como uma central multimídia que é a mesma da nova Ranger.

Futuro tecnológico

A Land Rover preparou um evento de gala no qual exibiu a primeira unidade do Ranger Rover Evoque montada no Brasil após a retomada.

Jeep Defender 90 tela
Função Capô Transparente é um dos destaque do Evoque nacional Divulgação/Land Rover

O SUV será finalizado na cidade fluminense junto ao Discovery Sport. Por mais que cerca de 90% das peças venham do Reino Unido, o motor é brasileiro: o Ingenium 2.0 turboflex com 250cv e 37,2 kgfm é montado aqui.

O Evoque SE, de entrada, parte dos R$ 377.950, incluindo novo design de rodas, teto solar panorâmico, sistema de som premium e novo sistema de multimídia. O topo de linha R-Dynamic HSE acrescenta couro Windsor, controle de cruzeiro adaptativo e inovações como a função Capô Transparente.

Menos é mais

Land Rover Range Rover
Novo Land Rover Range Rover já adianta tendências minimalistas da fabricante Press Inform/Quatro Rodas

A polêmica em torno do design do novo Range Rover não intimidou a JLR, que seguirá buscando a tendência cada vez mais comum do “luxo moderno”, no qual opulência e ostentação dão lugar à sobriedade, tecnologia e sustentabilidade. 

“Menos é mais. (Teremos) produtos muito mais limpos, com cores mais claras e poucas opções (…). E nada de desconto”, disse François Dossa, executivo da Land Rover na matriz britânica.

Dossa ressaltou bem a inspiração no modelo de negócios da grife francesa Hermès, que mantém seus produtos altamente exclusivos mas vem recorrendo a compostos mais sustentáveis. “A Hermès lançou uma bolsa de cogumelo inacreditável. (…) Estamos trabalhando, no Brasil, com eucalipto”, completou.

Range Rover Evoque nacional já pertence à linha 2022
Range Rover Evoque nacional já pertence à linha 2022 Divulgação/Land Rover

O futuro da Land Rover será mais minimalista, ao contrário dos concorrentes que, na palavra do executivo, tem excessos de funções e recursos. Ao mesmo tempo, porém, a marca quer ser vista como uma “empresa de tecnologia”, ao contrário do papel evidente de fabricante de carros.

Frédéric Drouin, presidente da JLR na América Latina e Caribe, ainda citou o exemplo da Tesla, ressaltando que a semelhança entre as duas teria a ver só com o modo de avaliação dos investidores. Nesse caso, o valor de mercado de uma companhia (assim como a paciência dos acionistas) mudaria, em fenômeno semelhante ao que permitiu a empresa de Elon Musk se tornar a fabricante mais valiosa do mundo.

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A edição 751 de QUATRO RODAS já está nas bancas! Arte/Quatro Rodas
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