Renault E-Space Concept volta a 1984 para definir o futuro das minivans elétricas
Revelado no Salão de Paris, conceito resgata o formato da geração de 1984 com cabine de vidro, bancos giratórios e direção "by-wire"
A Renault mostra no Salão de Paris o Renault E-Space Concept, um estudo de design que projeta o futuro dos carros familiares na marca. Ao resgatar a filosofia da primeira geração da Espace, de 1984, o conceito distancia o modelo novamente dos SUVs para apostar no formato monovolume. O objetivo da fabricante é priorizar o espaço interno, a entrada de luz natural e a modularidade da cabine para os passageiros.
Pode ser que a Renault tenha se arrependido do que fez com a última geração do Espace, lançada em 2022. Foi quando o carro que inventou o conceito de monovolume foi transformado em um SUV. Agora, a fabricante francesa dá um reset e volta à origem do modelo.
O E-Space Concept exibe proporções generosas, com 4,70 m de comprimento, 2,02 m de largura e 1,67 m de altura. Para otimizar o habitáculo, as rodas de 23 polegadas foram deslocadas para as extremidades da carroceria, garantindo balanços reduzidos. O pacote de baterias fica alojado no assoalho plano, camuflado por uma saia preta lateral que diminui o peso visual do carro e remete à arquitetura aerodinâmica da Fórmula 1.
A dianteira traz um capô alinhado à inclinação do para-brisa e uma lâmina móvel no para-choque, desenhada para se aproximar do solo e atenuar o arrasto em altas velocidades. A nova identidade luminosa da marca é marcada por um grande “U” que contorna a grade frontal e abriga um logotipo flutuante.
Portas sem coluna central e bancos de mobília
A estrutura externa tenta anular a barreira visual entre os ocupantes e a rua. Inspirada na arquitetura Bauhaus, a cabine de vidro se prolonga para baixo da linha de cintura metálica da carroceria, enquanto a coluna traseira exibe aspecto flutuante. Sem a tradicional coluna B central, o acesso ao interior ocorre por amplas portas duplas de abertura invertida.
A quebra de padrões da cabine continua na distribuição dos seis bancos individuais. Em vez de assentos esportivos tradicionais, puseram poltronas inspiradas em design de mobiliário, finalizadas com marchetaria de palha pintada e tecidos texturizados.
Os dois bancos da segunda fileira giram 180 graus para formar uma sala de estar de frente para os passageiros da terceira fileira. Na posição convencional, quem viaja no meio conta com mesas do tipo aviação e telas de 12,3 polegadas instaladas nos encostos dianteiros. O ambiente é complementado por um console central deslizante que embute purificador de ar, refrigerador e controles de videogame.
Direção sem ligação mecânica
O posto de condução dispensa painéis de instrumentos volumosos. A interface principal é a tela OpenR Panorama, um visor curvo contínuo de 1,13 m de largura que se estende de uma coluna à outra. O sistema, previsto para equipar os futuros Rafale e Scénic, não possui tecnologia sensível ao toque. A interação do motorista ocorre exclusivamente por meio de duas telas móveis instaladas na base do volante.
Para garantir mais espaço para as pernas na frente, o conceito adota direção “steer-by-wire” (por fios). O veículo transmite os comandos de esterçamento por impulsos elétricos, eliminando a coluna de direção mecânica tradicional. Isso permite ajustar a relação e o diâmetro de giro eletronicamente, além de abrir espaço para esconder todo o sistema de pedais em um compartimento arredondado no assoalho frontal.
A paleta de cores da cabine aposta em tons de vermelho, com transições entre escarlate e grená, e um carpete felpudo de lã de 3 cm de espessura na cor laranja. Materiais de origem natural predominam: o volante mescla algodão orgânico com óleo de rícino, a pintura interna utiliza resina natural e os pneus levam borracha de manejo sustentável.





