Lincoln Continental: um monumento em nome do filho

Resgatado por Lee Iacocca, o Lincoln Continental manteve a tradição de luxo e exclusividade da família Ford por exatos 30 anos

Lanternas eram escamoteáveis por capa acionada eletricamente Lanternas eram escamoteáveis por capa acionada eletricamente

Lanternas eram escamoteáveis por capa acionada eletricamente (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Único filho do casal Henry e Clara Ford, o jovem Edsel imprimiu seu espírito criativo aos automóveis da empresa da família. Ele teve papel decisivo na aquisição da Lincoln Motor Company e no desenvolvimento de dois de seus mais famosos produtos: o Continental e o Zephyr. Apresentado em 1940, o Continental era oferecido como cupê ou conversível, ambos de duas portas, e dono de um possante V12.

O primeiro modelo durou apenas oito anos, mas ressurgiu independente da Lincoln em 1956. O cupê Mark II trocou o V12 por um V8 de 6 litros e 300 cv, com luxo e requinte para conquistar Nelson Rockefeller, Frank Sinatra e até Elvis Presley, um dos mais notórios clientes da rival Cadillac. A produção foi encerrada em 1957, em virtude do elevado custo de fabricação e da delicada situação financeira da Ford na segunda metade da década de 1950.

Os sucessores Mark III, IV e V voltaram a ser espalhafatosos Lincoln de duas ou quatro portas, diferenciando-se apenas pela linha do teto. O Continental abandonou a denominação Mark em 1961, adotando um desenho limpo e minimalista de quatro portas, nas versões sedã e conversível. De volta em 1966, o Continental de duas portas não agradou o vice- presidente Lee Iacocca, que buscava recuperar o prestígio e o requinte idealizados por Edsel Ford.

Na linha 1973, estepe moldava a tampa traseira Na linha 1973, estepe moldava a tampa traseira

Na linha 1973, estepe moldava a tampa traseira (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Baseado no Ford Thunderbird, um novo Mark III deu as caras em abril de 1968: o cupê reafirmava a sofisticação dos Continental, afastando a atmosfera formal dos sedãs executivos da marca. Tal qual o Cadillac Eldorado, o Lincoln estava mais vinculado ao status do que ao luxo: os proprietários do Mark III ostentavam a condição de usufruir o automóvel mais caro e exclusivo do fabricante de Dearborn.

A distinção começava no estilo. Inspirada nos Rolls-Royce, a proeminente grade dianteira era ladeada por um conjunto de quatro faróis circulares, cobertos por capas escamoteáveis na cor da carroceria. A saliência na tampa traseira evocava o tradicional estepe continental que se popularizou na década de 1940.

Capô compunha quase 1/3 do comprimento total: rival do Eldorado e do New Yorker Capô compunha quase 1/3 do comprimento total: rival do Eldorado e do New Yorker

Capô compunha quase 1/3 do comprimento total: rival do Eldorado e do New Yorker (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Sob o capô estava um V8 big block, com 7,5 litros e 365 cv: era o mínimo necessário para embalar as mais de 2 toneladas de 0 a 100 km/h em pouco mais de 8 segundos. Vinha com câmbio automático, direção hidráulica, ar-condicionado e vidros elétricos. Entre os opcionais, piloto automático e o avô dos freios ABS: o sistema Sure-track, que impedia o travamento das rodas traseiras.

Painel quase vertical, repleto de madeira Painel quase vertical, repleto de madeira

Painel quase vertical, repleto de madeira (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Considerado seu ápice, o Mark IV chegou em 1972. Mantinha os elementos de estilo do Mark III, inovando pelas janelas Opera nas colunas traseiras. Nas fotos, um modelo 1973, cuidado pela PJS Restaurações Especiais. A despedida do Mark IV (em 1976) foi marcada pelas séries especiais Designer Editions, batizadas pelos estilistas Bill Blass, Givenchy, Emilio Pucci e pela joalheria Cartier.

Relógio analógico Cartier traz sofisticação para o painel Relógio analógico Cartier traz sofisticação para o painel

Relógio analógico Cartier traz sofisticação para o painel (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ciente de que a clientela abastada também sentira os efeitos da crise energética de 1973, a Lincoln deu início a uma reformulação que culminou com a chegada do Mark V em 1977. Foi o último grande Lincoln.

Em 1980, o racionalizado Mark VI desvirtuou o trabalho de Edsel Ford. Era o primeiro quatro portas em 20 anos e abria mão do V8 7.5 – usava um V8 Windsor 5.0 ou 5.7, com injeção eletrônica e câmbio automático de quatro velocidades. Foi um fiasco.

Controles elétricos dos vidros, portas e espelhos retrovisores Controles elétricos dos vidros, portas e espelhos retrovisores

Controles elétricos dos vidros, portas e espelhos retrovisores (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Extremamente luxuoso, assento traseiro era quase um sofá Extremamente luxuoso, assento traseiro era quase um sofá

Extremamente luxuoso, assento traseiro era quase um sofá (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A redenção veio em 1984, com o Mark VII. Tinha poucas referências ao passado e vinha com suspensão a ar e freios a disco nas quatro rodas. A versão esportiva LSC o deixava em paridade com Oldsmobile, Buick, Cadillac, Mercedes-Benz e BMW.

A opulência do estilo parecia muito à frente do já distante ano de 1993: para-choques pintados, maçanetas embutidas nas portas, faróis afilados e lanternas envolventes. O interior era ainda mais ousado, com o painel integrado às laterais de porta.

O Mark VIII era impulsionado por um motor menor: o V8 4.6 rendia 280 cv. Mas o VIII encerrou a carreira do modelo. As últimas unidades saíram da fábrica de Wixom em junho de 1998, deixando o Cadillac Eldorado como o último remanescente dos cupês norte-americanos de alto luxo.

Janelas Opera são ícones de estilo dos anos 70 Janelas Opera são ícones de estilo dos anos 70

Janelas Opera são ícones de estilo dos anos 70 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ficha técnica – Lincoln Continental Mark IV 1973

  • Motor: 8 cilindros em V de 7,5 litros; 202 cv a 3.800 rpm; 49,2 mkgf a 2.200 rpm
  • Câmbio: automático de 3 velocidades
  • Dimensões: comprimento, 579 cm; largura, 202 cm; altura, 136 cm; entre-eixos, 305 cm, peso, 2.388
  • Desempenho: 0 a 100 km/h em 12 s; vel. máx., 187 km/h
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