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Fiat planeja limitar velocidade dos carros a 117 km/h para deixá-los mais baratos

CEO da marca defende travar eletronicamente a velocidade máxima dos compactos para eliminar a obrigatoriedade de sistemas ADAS e reduzir o preço final

Por Nicolas Tavares
16 jan 2026, 08h17 •
Fiat Grande Panda
Versão RED terá visual mais simples e será exclusivamente elétrica (Divulgação/Fiat)
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  • A Fiat estuda implementar uma mudança técnica profunda em seus próximos lançamentos para conter a escalada de preços na Europa. A estratégia passa por limitar a velocidade máxima dos novos Fiat 500 e Panda a 117 km/h. Segundo a marca, isso permitiria eliminar uma série de sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) hoje obrigatórios na região, considerados caros e pouco relevantes para o uso urbano.

    Olivier François, CEO da Fiat, disse à revista britânica Autocar que o excesso de tecnologia embarcada fez o preço médio dos carros urbanos subir cerca de 60% nos últimos cinco anos. A lógica da fabricante é que, ao restringir o desempenho, o veículo poderia se enquadrar em requisitos de segurança menos rigorosos, dispensando câmeras, radares e sensores de longo alcance projetados para rodovias de alta velocidade.

    Fiat Grande Panda
    (Divulgação/Fiat)

    Essa manobra busca viabilizar preços mais competitivos para os compactos de entrada. A proposta dialoga com as discussões em torno da futura norma M1E na Europa, que prevê uma categoria específica de microcarros e compactos elétricos com regulamentação simplificada. A ideia é estimular a indústria local diante do avanço de fabricantes chineses.

    Não se trata de uma limitação mecânica dos motores, mas de um bloqueio eletrônico via central de gerenciamento (ECU). Na prática, o Fiat Grande Panda, por exemplo, já adota uma restrição de velocidade a 132 km/h em sua versão elétrica, como forma de preservar a autonomia das baterias.

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    Com a nova diretriz, tanto as versões elétricas quanto as híbridas teriam a velocidade máxima reduzida para algo em torno de 117 km/h. Isso abriria espaço para a engenharia eliminar o hardware de suporte ao ADAS, como radares frontais de ondas milimétricas e câmeras estereoscópicas de alta resolução, substituindo-os por soluções mais simples ou removendo-os por completo. O objetivo é reduzir a complexidade do projeto elétrico e os custos de produção.

    Fiat 500 Hybrid Torino

    Para o consumidor urbano, a mudança no Fiat 500 e Panda tende a ser pouco perceptível. A aceleração de 0 a 50 km/h ou mesmo de 0 a 100 km/h deve permanecer inalterada, preservando a agilidade no trânsito. O impacto mais relevante aparece no uso rodoviário.

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    Hoje, versões a combustão desses modelos alcançam cerca de 160 km/h, enquanto o Fiat 500e chega a 150 km/h. A aposta da marca é que o cliente desse segmento prefere pagar menos pelo carro a manter uma velocidade final que raramente utiliza. “Não acho que os carros urbanos de 2018 ou 2019 fossem extremamente perigosos”, afirma François, em referência ao período anterior à obrigatoriedade do ADAS.

    A justificativa técnica para a dispensa dos sistemas está na física: em velocidades mais baixas, a energia cinética envolvida em um impacto é significativamente menor. O pacote ADAS inclui recursos como frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo.

    Ao limitar o carro a 117 km/h, a Fiat sustenta que o motorista mantém controle total em um ambiente onde a tecnologia preditiva é menos crítica do que em rodovias como as Autobahns alemãs. Suspensão e freios continuariam dimensionados para garantir a segurança, mas sem a camada eletrônica que encarece tanto a produção quanto a manutenção.

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    O design dos novos Fiat 500 e Panda não sofreria alterações visuais externas, mantendo as proporções compactas — o Panda atual tem cerca de 3,6 metros de comprimento. A mudança seria “invisível”, perceptível apenas pela ausência de comandos de assistência no volante ou no painel e, principalmente, no preço final.

    A medida ainda não tem data oficial para entrar em vigor, mas surge como uma resposta direta à crise de acessibilidade no mercado automotivo europeu. Resta saber se a flexibilização regulatória citada pela Fiat será de fato aprovada nos moldes defendidos pela marca.

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