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Ford mata F-150 elétrica e anuncia retorno aos motores a gasolina e híbridos

Marca admite que mercado de elétricos não vingou, assume prejuízo de US$ 19,5 bi e transformará fábrica de elétricos no Tennessee em linha de picapes a gasolina

Por Nicolas Tavares
16 dez 2025, 10h46 •
Ford F-150 Lightning Pro
Apesar dos esforços para evitar atrasos, até a venda da primeira picape elétrica da marca será postergada (Divulgação/Ford)
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  • A Ford confirmou uma mudança drástica em sua estratégia global: a F-150 Lightning, picape elétrica que chegou a ser comparada ao Model T por sua importância histórica, está morta. A produção, parada desde outubro, não será retomada.

    Em um movimento que custará cerca de US$ 19,5 bilhões à companhia, a montadora decidiu reduzir drasticamente seus planos para veículos puramente elétricos nos Estados Unidos. O foco agora se volta para onde o dinheiro realmente está: híbridos e motores a gasolina.

    2022 Ford F-150 Lightning Lariat

    A decisão é um reflexo direto de um mercado de elétricos que, nas palavras da própria empresa, “nunca se desenvolveu da maneira imaginada”. A divisão de elétricos da marca, a Model e, registrou prejuízo de aproximadamente US$ 5 bilhões apenas em 2024.

    A F-150 Lightning sai de cena com menos de quatro anos de mercado. Mas a Ford não abandonará totalmente a eletrificação de sua picape mais vendida. O projeto de uma “nova geração” da Lightning foi cancelado para dar lugar a um veículo elétrico de autonomia estendida (EREV).

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    Diferente de um elétrico puro, o EREV utiliza um motor a combustão que funciona exclusivamente como gerador para carregar as baterias, sem conexão mecânica com as rodas. A tração continua sendo 100% elétrica, mas com a segurança da autonomia proporcionada pelo tanque de combustível, tal e qual a Ram Recharger. Esse novo modelo será montado em Michigan e ainda não tem data de estreia.

    Essa solução técnica resolve dois problemas de uma vez: elimina a ansiedade de autonomia (crítica para quem usa picapes para reboque ou trabalho pesado) e reduz a dependência de grandes e pesados pacotes de baterias, que encarecem o produto final.

    Fábrica Ford BlueOval City
    (Divulgação/Ford)

    A Ford projeta que a nova Ford F-150 Lightning EREV entregará mais de 700 milhas de autonomia, o que equivale a aproximadamente 1.125 km. É um salto significativo em relação à versão elétrica anterior, que lutava para manter bons números de alcance quando submetida a reboque ou carga máxima.

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    A estratégia espelha o movimento da rival Stellantis com a Ram. A concorrente também engavetou planos de uma elétrica pura para focar na Ramcharger, que utiliza o mesmo princípio de extensor de autonomia. A Volkswagen, por meio da marca Scout, também planeja picapes com tecnologia semelhante.

    A mudança de rota atingiu em cheio o complexo BlueOval City, no Tennessee. Projetada para ser a fábrica mais eficiente e moderna da marca, dedicada exclusivamente a elétricos a partir de 2028, a unidade teve seu propósito alterado.

    Agora, a planta será responsável por produzir uma nova picape a gasolina, descrita como “acessível”, a partir de 2029. Segundo a Ford, trata-se de um modelo inédito no portfólio atual.

    Transit MINIBUS AUTOMÁTICO
    (Divulgação/Ford)
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    A estratégia se repete na unidade de Ohio. A van elétrica de nova geração, prevista para 2028, também foi descartada. Em seu lugar, os trabalhadores montarão uma nova linha de vans comerciais com motorização híbrida e a gasolina em 2029.

    Com a redução na demanda por veículos elétricos, a Ford precisou encontrar um novo destino para suas fábricas de baterias. A unidade de Kentucky, que operava em joint-venture com a sul-coreana SK On, agora será 100% controlada pela Ford e terá sua produção voltada para sistemas de armazenamento de energia.

    Em vez de picapes, as células de fosfato de ferro-lítio (LFP) produzidas ali alimentarão data centers e residências. O CEO da Ford, Jim Farley, classificou a mudança como um “deslocamento impulsionado pelo cliente”, visando alocar capital em produtos de maior margem e retorno garantido.

    A meta da empresa agora é que 50% de seu volume global seja composto por híbridos, elétricos de autonomia estendida e elétricos puros até 2030 — um salto em relação aos 17% atuais, mas com uma composição muito mais conservadora do que o planejado anteriormente.

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    Contudo, a reestruturação nos Estados Unidos não significa um abandono total da eletrificação global. Na Europa, onde sua participação de mercado caiu drasticamente, a Ford traçou uma rota alternativa ao fechar uma aliança estratégica com a Renault.

    O acordo prevê o uso da plataforma AmpR Small (a mesma do Renault 5) para desenvolver dois novos elétricos acessíveis, sendo o primeiro deles o aguardado sucessor espiritual do Ford Fiesta, confirmado para 2028.

    Produzidos no complexo francês da Renault, esses modelos focarão no custo-benefício, adotando baterias de química LFP (Fosfato de Ferro-Lítio) de 40 a 52 kWh. A estimativa é que os motores entreguem entre 123 cv e 218 cv. Para evitar que sejam apenas cópias dos modelos franceses, a Ford promete uma calibração exclusiva de suspensão e direção, garantindo a dinâmica esportiva da marca.

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