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Carros elétricos ficam mais caros na China após aumento no custo de produção

Alta no preço de chips, lítio e metais pressiona montadoras chinesas e pode afetar até o mercado brasileiro

Por Nicolas Tavares 17 Maio 2026, 11h45 | Atualizado em 17 Maio 2026, 18h05
Concessionária Deepal, marca de elétricos e híbridos da Changan que terá modelos vendidos no Brasil
Concessionária Deepal, marca de elétricos e híbridos da Changan que terá modelos vendidos no Brasil (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)
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Depois de uma intensa guerra de preços que obrigou o governo chinês a intervir, os carros elétricos na China começaram a ficar mais caros. Mais de 15 fabricantes na China, incluindo marcas locais como BYD e Xiaomi, além de joint ventures formadas por Volkswagen e Toyota, anunciaram reajustes nas tabelas de seus veículos ou em pacotes de equipamentos opcionais. O motivo é o mesmo para todas elas: o encarecimento abrupto na cadeia de suprimentos.

A expansão massiva dos servidores dedicados à inteligência artificial generativa desviou o foco da produção global de semicondutores. Como resultado, a oferta de chips de armazenamento despencou, gerando repasses de até 180% nos últimos três meses. Componentes de memória RAM DDR5 de alto desempenho subiram mais de 300%. O impacto direto no custo de produção de um veículo conectado varia entre 400 e US$ 1.000 (cerca de R$ 2.000 a R$ 5.000 em conversão direta).

Xiaomi SU7
Xiaomi SU7 (Xiaomi/Divulgação)

Em paralelo, o carbonato de lítio, matéria-prima essencial para as baterias, quase triplicou de valor no mercado internacional. A tonelada do mineral saltou de US$ 11.000 em julho de 2025 para quase US$ 29.400 neste mês (R$ 147.000). Cobre e alumínio também registraram recordes de cotação. Somados, esses metais adicionam US$ 300 (R$ 1.500) ao custo de fabricação de um modelo de porte médio.

Na prática, as fabricantes repassam essa conta ao consumidor de diferentes formas para evitar perdas no lucro. A BYD optou por encarecer o pacote opcional de assistência à condução (ADAS) de sua linha de veículos. O sistema passou de US$ 1.500 para US$ 1.800, um acréscimo de R$ 1.500 na conversão direta. O sedã Xiaomi SU7, recém-lançado, sofreu um aumento linear de US$ 600 (cerca de R$ 3.000) em todas as versões disponíveis.

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Marcas tradicionais também ajustaram tabelas para manter as operações saudáveis. A linha de elétricos ID da Volkswagen na China encareceu entre US$ 600 e US$ 1.000, enquanto o SUV Toyota bZ4X teve o preço elevado em US$ 900. A Tesla negou reajustes nos preços de vitrine do Model Y, mas eliminou os planos de financiamento com taxa zero, o que aumenta o custo efetivo do carro ao fim do prazo de pagamento por conta da incidência de juros.

VW ID. UNYX 08
(Divulgação/Volkswagen)

O repasse aos clientes é uma manobra de sobrevivência financeira. Dados da associação chinesa de carros de passeio (CPCA) indicam que a margem de lucro da indústria local caiu para 3,2% no primeiro trimestre deste ano, atingindo um piso histórico. O lucro total do setor recuou 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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Fabricantes focadas em modelos de alto custo, com margens superiores a 20%, conseguem absorver o impacto de forma mais eficiente sem penalizar o cliente. No entanto, montadoras generalistas e de entrada operam perto do prejuízo.

A elevação dos custos de produção na China também pode afetar outros países como o Brasil. A maioria dos carros chineses chegam importados e os que estão sendo montados aqui utilizam peças importadas. Com o repasse na origem, a tendência é que as matrizes reduzam a margem de manobra de suas filiais estrangeiras, limitando futuros descontos em mercados.

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