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Fiat 126: o avô do 147 levava 36 segundos para chegar aos 100 km/h

Evolução do Nuova 500, o 126 nasceu na Itália, mas encontrou o caminho da prosperidade no Leste Europeu

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 abr 2025, 09h00 • Atualizado em 13 abr 2025, 09h15
FIAT 126
Parece um Fiat 147 encurtado. Mas é muito mais que isso... (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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  • No final da década de 1960, a Fiat precisava de um sucessor para o Nuova 500, presente no mercado desde 1957. Projetado por Dante Giacosa, o Nuova 500 (e seu irmão 600) foi o responsável pela motorização da Itália: era imbatível nos custos de aquisição, uso e manutenção. Essa filosofia seria mantida no Fiat 126.

    FIAT 126
    Foi o último carro urbano europeu com motor traseiro até a chegada do Smart Fortwo. (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Atração do Salão de Turim de 1972, o 126 surgiu para atender (também) a novas exigências de conforto e segurança. Foi inspirado no conceito City Taxi do designer Pio Manzù de 1968. Falecido em 1969, Manzù foi sucedido por Sergio Sartorelli, que finalizou o 126 com base nas mesmas linhas do 127 (do qual se originou o 147 brasileiro).

    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Extremamente racional, o projeto foi desenvolvido a partir do Nuova 500, mantendo o entre-eixos de 1,84 m e o motor traseiro de dois cilindros refrigerado a ar, aclamado por consumidores e mecânicos. O reposicionamento do motor de partida proporcionou 10 cm no espaço longitudinal da cabine, melhorando o espaço para dois adultos no banco traseiro.

    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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    A direção recebeu coluna retrátil, os freios ganharam duplo circuito hidráulico e o tanque de combustível saiu da dianteira e foi reposicionado abaixo do banco traseiro. Mesmo maior e mais pesado que o Nuova 500, o 126 continuava sendo um peso-pena: 3,1 m de comprimento, 1,37 m de largura, 1,33 m de altura e 580 kg.

    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O motor de 594 cc de 23 cv a 4.800 rpm e 4 kgfm a 2.400 rpm o levavam de 0 a 100 km/h em 36 segundos, com máxima de 106 km/h. Bem escalonado, o câmbio de quatro marchas tinha sincronização nas últimas três marchas e garantia consumo médio de 15 km/l.

    Apesar do desempenho modesto, era um carro ágil e fácil de dirigir: a suspensão era independente nas quatro rodas, com braços simples e mola semielíptica transversal no eixo dianteiro e braços arrastados com molas helicoidais no eixo traseiro. Os freios a tambor e os pneus 135 R 12 eram suficientes para uma boa dinâmica.

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    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Para produzir o 126, a Fiat desenvolveu a lendária fábrica de Cassino, ainda hoje ativa na província italiana de Frosinone. Entre 1973 e 1975, o 126 também foi fabricado na Áustria pela Steyr: foram produzidas pouco mais de 2.000 unidades, sempre com motor Steyr boxer de 643 cc e 25 cv.

    A produção na Polônia teve início em 1973, país onde a Fiat já tinha parceria com a FSO (Fabryka Samochodów Osobowych, ou “Fábrica de Auto-móveis de Passageiros”).

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    FIAT 126
    No quadro de instrumentos, velocímetro, marcador de combustível e luzes espia (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Integrante do bloco soviético, a Polônia tinha uma economia planificada e criou a FSM (Fabryka Samochodów Małolitrażowych, ou “Fábrica de Automóveis Pequenos”) especialmente para o 126p (de “Polski”, ou “polonês”). Apelidado de Maluch (“pequenino”), o 126p foi para os poloneses o que o Nuova 500 foi para os italianos, mesmo com uma fila de espera de alguns anos.

    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    O 126 também foi montado na extinta Iugoslávia pela Zastava, sempre com peças importadas da FSM. A segunda geração do 126 chegou ao mercado italiano em 1976, com melhor acabamento e para-choques de plástico. No ano seguinte, foi a vez do motor de 652 cc, mais forte, potente e econômico: apesar de mais lento, era capaz de chegar aos 110 km/h.

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    A produção italiana foi encerrada em julho de 1979, após 1.352.912 unidades produzidas: a partir de então o pequeno Fiat seria produzido apenas na Polônia. Sucedido pelo Panda, o 126p continuou no mercado italiano até 1982. Em 1987, surge o 126 Bis: montado na horizontal, o novo motor de 704 cc refrigerado a água aumentou o espaço para bagagem na parte traseira.

    Fiat 126
    Encostos não eram reclináveis (Fernando Pires/Quatro Rodas)
    Fiat 126
    Espaço era algo raro na traseira (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Boa parte dos 126p foi exportada para países como Alemanha, Hungria, França, China, Inglaterra, Tchecoslováquia, Bélgica, Bulgária, Suíça, Grécia, Holanda, Dinamarca, Chile e Nova Zelândia. Ainda são popularíssimos em Cuba, onde muitos foram trocados por automóveis norte-americanos anteriores à revolução de 1959.

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    Para marcar a despedida do 126p, em setembro de 2000, as últimas 1.000 unidades integraram a série especial Happy End: 500 carros pintados de vermelho e 500, de amarelo. A produção global do 126 totalizou 4.673.655 exemplares produzidos em 28 anos: foi o último Fiat a representar a época de ouro de Dante Giacosa.

    Fiat 126
    Alavancas no console acionavam
    o afogador e o motor de partida (Fernando Pires/Quatro Rodas)
    FIAT 126
    (Fernando Pires/Quatro Rodas)

    Ficha Técnica

    Polski Fiat 126p 1981
    Motor: long., 2 cilindros em linha, 652 cm3, com carburador Potência: 24 cv a 4.500 rpm;  Torque: 4,25 kgfm a 3.000 rpm
    Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
    Carroceria: fechada, 2 portas, 4 lugares
    Dimensões: comprimento, 305 cm; largura, 137 cm; altura, 133 cm; entre-eixos, 184 cm; peso, 595 kg; pneus, 135 SR 12

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