Por que revisar seu carro é a parte mais importante da viagem de férias
Conferir o estado geral e preparar o carro antes de pegar a estrada é fundamental para que tudo corra bem em uma viagem
Falta de manutenção é o principal motivo das ocorrências em rodovias. Segundo a concessionária Arteris, em 2024, na Régis Bittencourt, no trecho da BR-116 que liga São Paulo (SP) a Curitiba (PR), dos 3.684 atendimentos feitos pela empresa, 3.035 estão relacionados a falhas mecânicas, o equivalente a 82%. Já em outro trecho, chamado Litoral Sul (que contempla as rodovias BR-116, BR-376 e BR-101, entre Curitiba e Florianópolis (SC), 86% dos eventos foram em decorrência de problemas técnicos: 4.254 casos de um total de 5.318.
Para esses motoristas e seus caronas, as viagens, que deveriam ser momentos de prazer, se transformaram em algo ruim e arriscado, uma vez que defeitos técnicos podem provocar acidentes.

Para evitar ficar pelo caminho, é importante revisar o estado geral do veículo. E a preparação para uma viagem deve começar de 7 a 15 dias antes, pelo menos, de acordo com o especialista Marcelo Martini, gerente de vendas do Aftermarket da fábrica de lubrificantes FUCHS. “Esse é o tempo mínimo necessário para você conseguir deixar seu carro em um mecânico para uma revisão e reparar os prováveis defeitos”, diz.
“Porém, todo esse processo pode começar já na garagem de casa: o proprietário pode fazer uma ‘revisão visual’ vendo se luzes, buzina, óleo e pneus estão em boas condições”, explica Marcelo.
A mecânica Luciana Félix, proprietária da Oficina da Lu, em Belo Horizonte, e da Car Care da Lu, em São Paulo, acrescenta a essa lista a água do motor e do reservatório do limpador, assim como as palhetas dos limpadores de para-brisa.
Ao chegar à oficina, Luciana recomenda que a primeira coisa a se fazer é compartilhar seu roteiro de viagem com o mecânico: “É nesse momento que nós (mecânicos) vamos entender qual é a manutenção adequada para o carro. Se for pegar uma serra, vamos trabalhar mais forçadamente o sistema de arrefecimento do carro, por exemplo”.
O mecânico também pode ajudar a conhecer e usar os recursos do carro, além de indicar as melhores condições para usá-los: “Se a pessoa quer ir para uma estrada de terra porque o carro tem quatro por quatro, mas não sabe como ativá-la, o mecânico pode ajudar”, indica a especialista.
Durante a revisão, há um checklist dos principais itens que devem ser averiguados pelo mecânico. O primeiro é o nível do óleo, que você também pode verificar em casa, mas sempre com o carro frio. Luciana afirma que, mesmo não estando na hora da troca, pode ser que esse momento chegue no meio da viagem, sendo necessário fazer troca antecipada. “Isso reforça a importância de compartilhar o roteiro de viagem com o mecânico”, diz a mecânica.
Os pneus são os próximos da lista. O bom estado é importante não só para segurança como também para evitar infrações. E, no caso dos pneus, Marcelo lembra do estepe, que também pode render multa, caso esteja careca.
A bateria é outro item fundamental, aponta o gerente da FUCHS, uma vez que é uma das principais causas de paradas nas estradas. Freios, suspensão, ar-condicionado e até o óleo do câmbio automático também devem ser verificados, mesmo este último item, que tem intervalo de troca de cerca de 50.000 km.
O custo do serviço vai depender do estado do carro. Uma revisão que seja mais uma checagem do que uma reparação sairá por aproximadamente R$ 250, segundo a mecânica Luciana. Mas se for necessário trocar um ou mais componentes, o preço pode variar (se não tiver um mecânico de confiança, fique atento à prática da “empurroterapia” de alguns profissionais).
Feita a revisão, como o seguro morreu de velho, é importante pensar em levar na viagem coisas que podem ajudar em caso de emergência, como um cabo de transferência de carga de bateria, mais conhecido como “cabo de chupeta”, e um calibrador portátil, por exemplo. Um selante de pneu também pode ajudar, mas é melhor contar com o estepe, quando um pneu fura.
Durante a viagem, preste atenção aos postos em que para a fim de abastecer. A longo prazo, o combustível adulterado causa problemas sérios ao motor, e, em situações extremas, é possível sentir os primeiros sintomas já depois de alguns quilômetros: “Se o combustível for muito ruim, o motorista pode sentir perda de potência durante a viagem”, alerta a mecânica. Também é preciso ficar atento, novamente, à empurroterapia.
Uma das práticas mais comuns é a recomendação para completar o nível do lubrificante. “O óleo vai estar com nível baixo mesmo, já que ele terá percorrido todo o sistema para refrigerar o motor. Óleo só se verifica com o carro frio”, alerta Luciana.
Tomando os devidos cuidados, a viagem tem tudo para acabar bem. Mas, na volta, lembre-se de calibrar os pneus conforme as especificações do seu carro e verificar os níveis de óleo e água. Dependendo do que acontecer durante a viagem, Luciana ainda aconselha um retorno à oficina: “Você pode pegar algum buraco, principalmente se for para estrada de terra, e desalinhar a direção ou mesmo ter algum vazamento inesperado”.






