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Volkswagen Passat

Oitava geração do modelo adere à plataforma MQB. Resultado: uma cabine com espaço de sobra e um porta-malas de 586 litros

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 8 nov 2016, 17h44 - Publicado em 8 dez 2014, 20h13
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Quando um carro muda de geração, seus engenheiros ficam felizes quando conseguem aumentar o entre-eixos em 3 ou 4 cm sem crescer por fora. Dá para imaginar o orgulho dos alemães da Volks quando atingiram 7,9 cm no novo Passat? Esse feito só foi possível graças à plataforma modular MQB, espécie de base multiuso para veículos de tração dianteira ou integral e motor dianteiro transversal da marca. No restante, as proporções mudam pouco: mesmo comprimento, mais 1,2 cm de largura e menos 1,4 cm de altura. As rodas foram aproximadas dos para-choques, contribuindo para o aumento da habitabilidade, atributo no qual o Passat já era um dos mais elogiados do segmento.

É sem surpresa que percebemos que o habitáculo está mais espaçoso. Impressiona em especial a área livre deixada para as pernas dos passageiros traseiros. A largura é suficiente para cinco pessoas e, em altura, não existe qualquer restrição, a não ser para jogadores de basquete da NBA (e mesmo assim…). Sobrou até para o porta-malas, que cresceu 21 litros. Agora ele comporta generosos 586 litros – ganha inclusive dos 514 litros do enorme Ford Fusion, que é 10 cm mais comprido. Quanto ao design, saltam aos olhos os faróis e lanternas mais afilados e horizontais, o capô mais baixo, a grade frontal maior e o aumento da quantidade de cromados, sobretudo nas versões mais completas. O estilo da cabine conserva a mesma distribuição dos elementos que já conhecemos bem desde as duas últimas das sete gerações anteriores. As mudanças estão em detalhes sutis, como as saídas de ventilação que agora se prolongam por todo o painel. O elemento mais arrojado é o quadro de instrumentos todo digital, na verdade uma enorme tela – de layout multiconfigurável – à frente do motorista.

A direção com assistência elétrica de série pode ter um sistema de desmultiplicação variável (opcional) que deixa as respostas do volante mais diretas e facilita o contorno de curvas. No Brasil, esse desmultiplicador estreou no Golf GTI – nele e no Passat, são apenas 2,1 voltas do volante. Outra novidade é o seletor de perfis de motorista, que, em conjunto com o controle dinâmico de chassi (DCC), permite escolher entre cinco modos de condução: Eco, Sport, Normal, Individual e Comfort. O sistema ajusta parâmetros como a resposta do acelerador, o peso da direção, as relações de marchas, a ação dos amortecedores e até o funcionamento do ar-condicionado.

No Brasil em 2015

Nosso encontro com o novo Passat aconteceu nas sinuosas estradas da Sardenha (Itália). Infelizmente, entre as versões disponíveis, não havia nenhuma com a motorização 2.0 turbo a gasolina, justamente a mais cotada para marcar a estreia da oitava geração no Brasil – o que, segundo uma fonte ligada à marca, acontecerá no segundo semestre de 2015. Então, focamos nosso test-drive no único motor a gasolina disponível, um 1.4 TSI de 150 cv.

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Todos os modelos do evento estavam equipados com DCC e direção progressiva, o que se refletiu numa impressão mais positiva sobre o comportamento em estrada. A sensação de conforto é muito forte, especialmente pela capacidade da suspensão de engolir irregularidades no asfalto. Equilibrado, o Passat não se mostra oscilante no modo Comfort nem duro no Sport. Por outro lado, não se nota uma diferença clara de comportamento entre os diferentes níveis. E isso não é algo irrelevante. Em pouco tempo, a atuação limitada do sistema desestimula seu uso e, no lugar, fica a sensação de um investimento malfeito.

A resposta do motor de 150 cv é sentida com intensidade a partir de 1 600 rpm, prolongando-se até acima de 3 500 rpm. A alavanca do câmbio manual de seis marchas é rápida, silenciosa e suficientemente precisa. Fica claro que a sexta marcha, de escalonamento longo, visa à redução do consumo rodoviário. Com a caixa DSG, automatizada de dupla embreagem, há mais diversão ao volante no modo manual (seja trocando as marchas pela alavanca no console central, seja brincando com as borboletas atrás do volante), além de se ganhar em conforto quando o motorista resolve utilizar o modo automático.

Este motor tem sistema de gestão ativa dos cilindros (ACT), que desliga temporariamente os cilindros 2 e 3 quando o motorista levanta o pé do acelerador. Assim, ele consegue reduzir o consumo de combustível em até meio litro a cada 100 km. Aqui também ajudou a redução de peso de 85 kg do sedã, graças à aplicação de alumínio em carroceria, estrutura e motor. O ACT opera entre 1 400 e 4 000 rpm e a até 130 km/h. Mas, assim que o motorista acelera forte, os cilindros “adormecidos” despertam suavemente. Aliás, toda essa transição é quase imperceptível.

O fato é que a oitava geração do Passat está mais atraente, mesmo sem fazer palpitar o coração pelas formas que exibe – é a estratégia antienvelhecimento da Volkswagen. Mais espaçoso, seguro e completo, oferece melhor desempenho e baixo consumo. Aproxima-se claramente dos rivais, que passaram a ser os dominadores do segmento premium (Mercedes, BMW e Audi), compensando com espaço adicional e preços mais baixos o status que não ainda consegue dar ao dono.

VEREDICTO

Maior, mais bem equipado e tão discreto quanto as gerações anteriores, o Passat novo segue como uma das melhores alternativas aos conterrâneos premium de Audi, Mercedes e BMW.

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