Teste: Mercedes-Benz GLA 200, SUV e jovem?

A marca jura que ele é um SUV e busca trazer um novo público para suas lojas. Será que ele cumpre suas promessas?

Não parece, mas está na dianteira a maior parte das alterações do GLA 2018

Não parece, mas está na dianteira a maior parte das alterações do GLA 2018 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O GLA é um dos responsáveis pela renovação da imagem da Mercedes-Benz em todo o mundo. Junto do hatch Classe A e do sedã CLA, o SUV busca um público mais jovem para juntar-se aos compradores mais tradicionais da marca.

Para reforçar toda essa ideia, o modelo passou por algumas alterações estéticas na linha 2018.

Para apresentá-las, escolhemos a versão intermediária e mais vendida do modelo, a GLA 200 Advance, que sai por R$ 175.900. É equipada com motor 1.6 turbo, entre a Style (R$ 158.900) e a Enduro (R$ 203.900).

No entanto, as mudanças são discretas e, muitas, difíceis até mesmo de serem descritas.

Na traseira, a novidade fica para o arranjo interno das lanternas – estas com controle automático de luminosidade

Na traseira, a novidade fica para o arranjo interno das lanternas – estas com controle automático de luminosidade (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A maior parte das alterações está na dianteira: a grade perfurada (exatamente a mesma do grandalhão GLS) e o aplique metalizado na base do para-choque. Já os faróis redesenhados e full led são o chamariz tecnológico. As rodas também são novas, com desenho esportivo – têm 18 polegadas e pneus 235/50.

Na traseira as novidades são menores. Apenas a lanterna tem novo arranjo interno, com um interessante (e bonito) efeito brilhante causado por pequenos cristais. O visual se une à função de controle automático do brilho da iluminação das lanternas. Durante o dia, a luz emitida é mais forte.

À noite, a luminosidade é reduzida. Já quando o carro permanece aceso, mas parado, a emissão de luz atinge seu menor nível. Tudo para não ofuscar quem vem atrás.

Embora muito parecidos com os antigos, os faróis full led também passaram por alterações

Embora muito parecidos com os antigos, os faróis full led também passaram por alterações (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Por dentro, as alterações seguem o ritmo do exterior. Os materiais utilizados no acabamento, como os tecidos dos bancos e a porção central do painel em alumínio escovado, são novos.

A versão Advance ganha ainda a opção de revestimento dos bancos na cor cinza, além do tradicional preto, sem custo adicional. Permanecem os bancos em concha e os pontos de luz indiretos por diversas partes do habitáculo.

O que também não muda é a iluminação amarelada dos botões, que dá aspecto de carro dos anos 90 e destoa completamente da proposta jovem do GLA, além de não conversar com o quadro de instrumentos mais moderno, com luz branca e visor digital ao centro. Os diversos botões no centro do painel, com comandos de telefone, também parecem vindos de algumas décadas atrás.

Por dentro, além dos novos padrões de acabamento, o GLA ganha central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay. Iluminação amarela, porém, destoa da proposta jovem do modelo

Por dentro, além dos novos padrões de acabamento, o GLA ganha central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay. Iluminação amarela, porém, destoa da proposta jovem do modelo (Mercedes-Benz/Divulgação)

Para compensar, a central multimídia – embora de visual polêmico por estar destacada do painel, como um tablet – está mais moderna. Agora é possível conectar um smartphone com Apple CarPlay e Android Auto, com comandos de voz, leitura de mensagens, conexão com streaming de áudio, como Spotify, e os sistemas de navegação Waze e Google Maps.

Além da modernidade e da praticidade, a integração com as plataformas corrige (ou minimiza) mais um deslize do GLA: a falta de interatividade do sistema de entretenimento.

O sistema tem navegação e manuseio complicados, com funções espalhadas e a falta de seleção por toques na tela. Tudo é feito por botões físicos.

Nada práticos também são o câmbio e o botão do freio de estacionamento do GLA. O primeiro fica em uma alavanca na coluna de direção, normalmente onde ficam os comandos para os limpadores de para-brisa dos demais modelos. Já o segundo, fica à esquerda, próximo do joelho do motorista.

Comandos para ajustes dos bancos fazem parte da tradição dos Mercedes

Comandos para ajustes dos bancos fazem parte da tradição dos Mercedes (Mercedes-Benz/Divulgação)

Mas e as funções dos limpadores? Bom, estes vão para a alavanca esquerda, a qual usamos para seta e faróis altos. Para faróis baixos e lanternas, há um seletor logo abaixo, abaixo do volante, como nos Volkswagen. Complicado? Sim! Porém, nada fora dos padrões utilizados há anos pela Mercedes-Benz.

Com exceção da configuração AMG, todos os GLA têm pacotes de equipamentos fechados, sem opcionais. No caso da Advance (lembrando, R$ 175.900), a lista é grande, mas tem seus poréns.

Câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, faróis automáticos full led, leds diurnos, rodas aro 18, partida do motor por botão, sistema multimídia completo, banco do motorista com ajustes elétricos e assistência de partida em rampas são de série.

O modelo passou a ter a mesma grade do GLS, SUV topo de linha da marca

O modelo passou a ter a mesma grade do GLS, SUV topo de linha da marca (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Entre os itens de segurança, ele traz sete airbags, controles de estabilidade e tração, Isofix, pré-carregamento dos freios para situações onde o veículo identifica uma frenagem de emergência e secagem automática dos discos de freio quando os limpadores do para-brisa estão ligados.

Contudo, alguns mimos fazem falta, como ar-condicionado digital e teto solar (algumas pessoas se frustram ao entrar, olhar para cima e não se deparar com um tet0 envidraçado). Estranho também é o fato de que a chave é presencial apenas para ligar o motor, não para entrar no veículo.

UTILITÁRIO? ESPORTIVO?

A resposta para ambas as perguntas acima é sim. O modelo é o um caso raro de SUV que honra a sigla. Equipado com motor 1.6 turbo flex de 156 cv e 25,5 mkgf, o GLA tem boa disposição em circuitos urbanos e rodoviários, com retomadas e saídas ágeis.

Isso também graças ao câmbio de dupla embreagem com sete marchas, com bom escalonamento e trocas rápidas e suaves. Com gasolina, o modelo foi de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos. Consumo também é seu forte: as médias ficaram em 11,4 km/l em ciclo urbano e 15,3 km/l no rodoviário.

Em curvas o modelo também tem comportamento exemplar – e raramente você precisará dos sistemas de segurança descritos há pouco. Além da boa rigidez da carroceria e da direção firme, a suspensão traseira multilink ajuda a manter o carro grudado ao chão até mesmo em altas velocidades, como em rodovias a 120 km/h.

Mantendo o formato, as lanternas ganharam novo arranjo interno com efeito cristalizado

Mantendo o formato, as lanternas ganharam novo arranjo interno com efeito cristalizado (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mais do que um carro urbano com desempenho satisfatório, o GLA faz jus ao visual aventureiro. A suspensão off-road, que equipa os GLA 200 e 250, tem bom acerto para trechos com buracos e desníveis, tanto no asfalto, quanto na terra batida.

Firme, porém sem ser duro, o conjunto absorve as imperfeições sem que os ocupantes sofram com os impactos. Os pneus de perfil alto (235/50) também reforça o conforto a bordo.

Mas é bom pensar antes de se aventurar em lamaçais ou areia, são grandes as chances de o Mercedes de tração dianteira atolar. Apenas a configuração mais cara, GLA 45 AMG de R$ 359.900, tem tração nas quatro rodas – e, mesmo assim, focada em alto desempenho.

Todas as aptidões do GLA podem ser reforçadas com os quatro diferentes modos de condução: Sport, Eco, Comfort e Individual.

Sua mistura de utilitário e esportivo também pode ser vista no espaço interno. O porta-malas de 421 litros é bom, embora menor em relação a Audi Q3 (460 l) e BMW X1 (505 L), que dispensam o lado esportivo presente no GLA. Isso também se reflete no espaço para os ocupantes traseiros – apenas suficiente.

VEREDICTO

O GLA Advance tem duas missões no mercado: ser um SUV e conquistar os jovens. Se ele cumpre muito bem e honra as promessas da primeira missão, fica devendo na segunda. O visual, as lista de equipamentos e o desempenho conquistam, mas ainda há tradições que precisam ser deixadas de lado para atrair um novo público.

TESTE DE PISTA (GASOLINA) – MERCEDES-BENZ GLA 200 ADVANCE

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,6 s
  • Aceleração de 0 a 1.000 m: 30,9 s – 171,1 km/h
  • Retomada de 40 a 80 km/h (em D): 4 s
  • Retomada de 60 a 100 km/h (em D): 5 s
  • Retomada de 80 a 120 km/h (em D): 6,9 s
  • Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0: 16/26,7/60,4 m
  • Consumo urbano: 11,4 km/l
  • Consumo rodoviário: 15,3 km/l

FICHA TÉCNICA – MERCEDES-BENZ GLA 200 ADVANCE

  • Preço: R$ 175.900
  • Motor: flex, diant., transv., 4 cil., 16V, 1.595 cm3, 156 cv a 5.300 rpm, 25,5 mkgf 1.200 a 4.000 rpm
  • Câmbio: automatizado, 7 marchas, tração dianteira
  • Suspensão: McPherson (diant.) / multilink (tras.)
  • Freios: discos ventilados (diant.) / discos sólidos (tras.)
  • Direção: elétrica
  • Rodas e pneus: 235/50 R18
  • Dimensões: comp., 441,7 cm; largura, 202,2 cm; altura, 152,4 cm; entre-eixos, 269,9 cm; peso, 1.435 kg; tanque, 50 l; porta-malas, 421 l

VERSÕES – MERCEDES-BENZ GLA 200 ADVANCE

Além das alterações visuais e de equipamentos, o GLA ganhou uma nova versão: a Enduro, com aparência ainda mais aventureira. Com isso, a gama 2018 do modelo fica assim:

  • GLA 200 Style (156 cv): R$ 158.900
  • GLA 200 Advance (156 cv): R$ 175.900
  • GLA 200 Enduro (156 cv): R$ 203.900
  • GLA 250 Sport (211 cv): R$ 232.900
  • GLA 45 AMG (381 cv): R$ 359.900
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  1. Rafael Fonseca

    “Nada práticos também são o câmbio e o botão do freio de estacionamento do GLA. O primeiro fica em uma alavanca na coluna de direção, normalmente onde ficam os comandos para os limpadores de para-brisa dos demais modelos. Já o segundo, fica à esquerda, próximo do joelho do motorista.”
    Não entendo essa implicância dos jornalistas da 4R com a alavanca de câmbio da Mercedes. Passe 2, 3 dias usando um carro assim e você não vai querer voltar para o normal. Você troca as marchas sem tirar as mãos do volante, apenas esticando um dos dedos para trocar de D para R ou apertando o botão da ponta para colocar em P, tudo simples e com acionamento bem leve. Ruim mesmo é ter que tirar a mão do volante, apertar um botão e deslizar uma alavanca para frente, para trás ou para o lado, dependendo do modelo…