Testamos o único Fiat Grand Siena que permite kit GNV sem perder garantia
Com kit de preparação oficial de fábrica, Fiat Grand Siena 1.4 dribla o fim da versão Tetrafuel para rodar no gás. Mas como fica o desempenho?
O gás natural veicular (GNV) andava um pouco esquecido, mas a Fiat quer voltar a explorá-lo como argumento de venda no Grand Siena. Não, a versão Tetrafuel (lançada em 2007 no antigo Siena e fora de linha desde 2016) não está de volta.
Mas algumas peças do motor 1.4 preparado para usar GNV, gasolina com mistura de etanol, gasolina pura e etanol podem equipar a versão 1.4 Attractive para facilitar uma futura instalação de um kit para GNV.
É uma estratégia diferente do que já se viu. O Astra Sedan Multipower, lançado em 2002, e o Siena Tetrafuel saíam de fábrica com kit GNV instalado ainda na linha de produção (com direito a indicadores do gás integrados ao computador de bordo, no caso do Fiat).
Volkswagen Santana e Kombi tiveram opção de receber gás natural ainda na concessionária, sem comprometer a garantia, a partir de 2003. Já a Ford Ranger 2.3 ficou liberada para ter o kit instalado em oficinas credenciadas em 2006.
Qualquer Grand Siena pode receber um kit GNV, mas, para não perder a garantia (de um ano para o carro e 3 anos para motor e câmbio), só se for da versão Attractive 1.4, de R$ 53.990, e tiver a predisposição para GNV, que custa R$ 690, e inclui componentes preparados para lidar melhor com as características do gás. Não é caro e evita custo extra em regiões sem postos de gás.
Além disso, a instalação precisa ser feita em uma empresa homologada pelo Inmetro e o kit usado, um de quinta geração, o mais moderno para carros com injeção multiponto.
Tem injetores independentes para cada um dos cilindros em vez de mangueira ligada aos dutos de admissão, como nos kits de terceira geração, e sistema de gerenciamento eletrônico capaz de corrigir seus parâmetros automaticamente, evitando as constantes regulagens manuais.
Além disso, a partida é sempre feita com o combustível líquido que estiver no tanque. O custo do kit fica ao redor dos R$ 4.500, mas a Fiat estima que quem roda mais de 3.000 km por mês consegue recuperar a diferença em menos de um ano.
A predisposição inclui o mesmo cabeçote da versão Tetrafuel, com com válvulas e sede de válvulas feitos de material mais resistente e com ângulos otimizados, e o coletor de admissão com paredes reforçadas e já com as pré-furações para a instalação dos bicos injetores de gás na posição ideal e sem risco de quebra.
O carro também acompanha um guia de instalação para a convertedora, com procedimento para a desmontagem dos componentes necessários para o serviço e recomendações para a colocação das peças do kit.
A unidade testada recebeu dois cilindros assimétricos, com capacidade total de 15 m³ (2 m³ a mais que o Tetrafuel), mas o porta-malas com capacidade original de 520 litros ainda preserva espaço maior que o de um hatch compacto, por exemplo.
Se a versão com GNV de fábrica gerenciava sozinha qual combustível usar, dependendo de como o motor era exigido, no Grand Siena convertido o motorista precisará agir caso demande mais força: neste carro a chave comutadora fica à frente do porta-copos. A transição entre combustíveis é suave e por vezes necessária.
Mesmo que a diferença entre as medições de desempenho com gasolina e GNV seja pequena (veja quadro abaixo), o Grand Siena é naturalmente lento.
Mas a principal qualidade do 1.4 8V de até 88 cv e 12,4 kgfm, que é o torque em baixas rotações com gasolina, some com o GNV.
A perda de desempenho inerente ao combustível gasoso o deixa com o pique da versão 1.0 (que custa R$ 48.990).
Por sinal, a versão Tetrafuel tinha 75 cv e 10,7 kgfm usando GNV, mesma potência do 1.0 8V, que tem 9,9 kgfm. Mas quem vai correr no trânsito?
Posicionado abaixo do Cronos, o Fiat Grand Siena tem visual antigo (ganhou apenas nova grade e logotipos na linha 2020), acabamento mais simples e só o trivial de série: ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, direção hidráulica, computador de bordo e rodas de aço aro 15 (as rodas de liga leve custam R$ 1.290).
A Fiat aposta na mecânica barata e na possibilidade de manter a garantia usando GNV para conquistar quem roda muito. Mas quem roda muito também precisa de conforto e boa parte dele está na lista de opcionais.
Ajuste de altura da direção, retrovisores elétricos e na cor do veículo, banco do motorista com ajuste de altura somam R$ 2.000. Já o volante de couro com comandos do som, o rádio com CD e Bluetooth, e os sensores de estacionamento traseiro custam mais R$ 2.300.
Haja gás natural para compensar a instalação do kit e tantos opcionais que deveriam ser de série.
Teste com gasolina |
Teste com GNV |
Aceleração 0 a 100 km/h: 15,8 s 0 a 1.000 m: 36,8 s – 141 km/h Velocidade máxima n/d Retomada 3ª 40 a 80 km/h: 9,7 s 4ª 60 a 100 km/h: 15,2 s 5ª 80 a 120 km/h: 22,9 s Frenagens 60/80/120 km/h – 0 m: 15,8/28,1/66,1 m Consumo Urbano: 12,5 km/l Rodoviário: 16,2 km/l |
Aceleração 0 a 100 km/h: 16,5 s 0 a 1.000 m: 37,3 s – 141 km/h Velocidade máxima n/d Retomada 3ª 40 a 80 km/h: 9,8 s 4ª 60 a 100 km/h: 15,3 s 5ª 80 a 120 km/h: 23,1 s |
Ficha técnica – Fiat Grand Siena 1.4 Attractive
- Preço: R$ 59.580 + R$ 4.500 (kit GNV)
- Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.368 cm³; 8V, 72 x 84 mm, 12,35:1, 88/85 cv a 5.750 rpm, 12,5/12,4 kgfm a 3.500 rpm
- Câmbio: manual, 5 marchas, tração dianteira
- Suspensão: McPherson (dianteiro), eixo de torção (traseiro)
- Freios: disco ventilado (dianteiro), tambor (traseiro)
- Direção: hidráulica, 10,2 (diam. de giro)
- Rodas e pneus: liga leve, 185/60 R15
- Dimensões: comprimento, 429 cm; largura, 170 cm; altura, 150,6 cm; entre-eixos, 251,1 cm; peso, 1.094 kg; tanque, 48 l; porta–malas, 520 l (sem GNV)
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