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Impressões: Hyundai Creta 1.6 anda bem, mas brilha com motor 2.0

SUV compacto da Hyundai traz preços na média do segmento, boa oferta de equipamentos e dinâmica acertada

Por Henrique Rodriguez 8 dez 2016, 18h50
Hyundai Creta 1.6 Pulse automático
Versões 1.6 não têm faróis com DRL de leds Divulgação/Hyundai

Não dá para dizer que a Hyundai não tem tradição com SUVs. Dos estranhos Galloper e Terracan aos bem-sucedidos Santa Fe, Veracruz, Terracan e, principalmente Tucson, que está nas lojas brasileiras desde 2005. O Hyundai Creta, contudo, é o primeiro SUV compacto da marca no Brasil – e é aí que está a importância dele.

A primeira vista, o Creta parece um filho bastardo da Hyundai. Se os Creta vendidos na Rússia, China e Índia têm design mais próximo do Santa Fe, o nosso segue um caminho diferente, com a grade mais alta e larga, e prolongamento cromado que termina nos faróis. O para-choque dianteiro também muda, com neblinas horizontais e peça prateada que simula protetor de motor maior, a ponto de envolver a entrada de ar inferior. Tudo isso o deixa mais próximo do New Tucson.

Hyundai Creta 1.6 Pulse automático
Carros brasileiros têm lanternas diferentes e régua de placa cromada Divulgação/Hyundai

Na traseira, além das lanternas com disposição diferente das luzes, a régua sobre a placa é cromada e o plástico sem pintura na base do para-choque é maior a ponto de envolver os refletores. As rodas diamantadas aro 17″ (as versões manuais trazem rodas aro 16″ convencionais) também ajudam a dar aspecto mais imponente ao carro brasileiro.

Cidadão urbano

A versão Pulse 1.6 com câmbio automático de seis marchas custa R$ 85.240 e traz de série sistema start-stop, direção elétrica, travas elétricas nas portas e porta-malas, retrovisores externos com ajuste elétrico, repetidores de seta, monitor de pressão dos pneus e sistema Isofix são de série, bem como controles de estabilidade (ESP) e tração (TCS), assistente de partida em rampa (HAC), sensor de estacionamento traseiro, piloto automático com comandos no volante e rodas aro 17″.

Motor Hyundai 1.6 dual vvt
Motor 1.6 tem duplo comando de válvulas variável Divulgação

É a configuração mais próxima de Jeep Renegade Sport automático (R$ 85.900) e Nissan Kicks SV Limited (R$ 84.900) e também a mais completa com o motor 1.6 16V com duplo comando variável e coletor de admissão variável, que com etanol gera 130 cv a 6.300 rpm e torque de 16,5 mkgf a 4.850 rpm.

Não são números extraordinários, mas estão na média. Com 1.359 kg (intermediário entre o Renegade e o HR-V) o Creta também não é dos mais leves, mas as três primeiras relações curtas do câmbio automático ajudam tirá-lo da imobilidade. A propósito, a marcha mais utilizada em uso urbano é a terceira, o que é bom: em vez de esticar a segunda marcha, o câmbio tem trocas rápidas o suficiente para fazer reduções apenas quando é necessário. Em ladeiras, isso é inevitável.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Painel com parte central marrom, central multimídia e bancos de couro são exclusivos da versão Prestige de R$ 99.490 Divulgação

Quando o ambiente muda para rodovias, o Creta 1.6 mostra alguma limitação em retomadas e acelerações – principalmente depois de romper a barreira dos 100 km/h. Isso não tira dele o rodar confortável. A suspensão é firme o suficiente para não permitir que a carroceria incline muito em curvas, mas confortável o suficiente para não passar a vibração de uma rua de pedras ou o impacto com uma lombada. E, como um bom Hyundai, a traseira afunda um pouco ao passar em ressaltos da via.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Versões 2.0 têm saídas de ar traseiras, equipamentos de carros mais caros Divulgação

Boa surpresa vem da direção elétrica, bastante leve em manobras mas pesada a ponto de parecer artificial demais em velocidades elevadas. Alguns podem estranhar, mas é uma característica que transmite segurança ao motorista sem prejudicar o tempo de resposta das rodas.

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Vida a bordo

Já falamos anteriormente que o Creta usa a mesma plataforma de Elantra e Kia Soul. Isso fica mais visível quando se abre o capô e vemos o motor em posição baixa no cofre, ajudando a reduzir o centro de gravidade. Mas a melhor herança desta plataforma são as dimensões generosas: 4,27 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,63 m de altura e 2,59 m de entre-eixos, com 431 L de porta-malas.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Espaço interno é amplo e bancos são confortáveis Divulgação

Por dentro, o espaço não é tão amplo quanto no HR-V, mas satisfaz. O banco do motorista é confortável e tem variação de altura considerável, enquanto o volante tem bom ajuste de altura e profundidade. Quem sentar atrás não poderá reclamar de espaço para as pernas nem do conforto dos bancos. Não sobra muito espaço para os ombros do passageiro do meio, mas o túnel central baixo não o incomodará.

Ao contrário dos concorrentes, o Creta não tem material de toque macio em nenhuma parte do painel – há apenas textura diferente na faixa central dele. Apesar de bem encaixados, os plásticos são duros e brilham tanto quando os de um HB20, o que prejudica a percepção de qualidade. Ao menos as portas recebem couro sintético no apoio de braços.

Potência extra

Por R$ 92.490 (ou R$ 7.250 a mais que o Pulse 1.6 AT) leva-se o Creta 2.0 Pulse. Além do motor mais potente, com até 166 cv a 6.200 rpm e torque de 20,5 mkgf a 4.700 rpm, o modelo ganha faróis do tipo projetor com luzes de posição e DRL de leds, faróis com iluminação lateral Cornering Light, saídas de ar-condicionado para o banco traseiro e abertura e fechamento dos vidros elétricos pela chave.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Todas as versões automáticas têm rodas aro 17″ Divulgação/Hyundai

Na prática, é o mesmo conjunto mecânico do ix35 em um SUV 17 cm menor e 200 kg mais leve. O câmbio automático de seis marchas trabalha com as mesmas relações do 1.6, mas com relação de diferencial final mais longa para compensar a força extra.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Versões 2.0 responderão por 60% das vendas, de acordo com a Hyundai Divulgação

Uma diferença gritante está nas respostas ao acelerador. A não ser que você goste de reduções de marcha para qualquer pressão mais forte no pedal, a reação normal será dosar o pé para aproveitar ao máximo as marchas mais elevadas – o que melhora o consumo e o conforto acústico, já que o motor trabalhará com rotações mais baixas.

Hyundai Creta 2.0 Prestige automático
Uma das qualidades do Creta é o conforto de rodagem, mesmo que a traseira fique baixa com facilidade Divulgação

O Creta 2.0 passa a sensação de ser mais vigoroso que todos os concorrentes, com exceção ao novo Chevrolet Tracker, que ganhou motor 1.4 turbo. Talvez por isso a Hyundai espere que 60% das unidades vendidas sejam do 2.0. O preço é competitivo: por R$ 92.490, ele fica na mesma faixa de Renegade Longitude 1.8 flex (R$ 90.990) e Honda HR-V EX 1.8 (R$ 93.000).

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