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Honda CR-V x Hyundai ix35

Ambos flex, ix35 e CR-V travam disputa particular num dos segmentos mais quentes

Por Ulisses Cavalcanti | Fotos Marco de Bari - Atualizado em 9 nov 2016, 10h44 - Publicado em 21 jun 2013, 13h18
comparativos

O namoro do CR-V com o mercado brasileiro demorou para engatar. Eles só se conheceram em março de 2000, quando o Honda estava prestes a entrar em sua segunda geração. A fase do flerte foi longa e durou até 2007. Naquele ano, a terceira geração chegou por aqui e a troca de chamegos virou namoro sério. O namoro deu em casamento e, no ano passado, a estreia da quarta geração renovou as juras de amor pelo japonês naturalizado mexicano. Circulando com desenvoltura por aqui, tornou-se o líder de vendas em seu segmento. Por isso, era uma questão de tempo até o oriental vindo do México se render ao nosso álcool. Não deu outra. A partir deste mês, ele já pode ser encontrado nas lojas com motor bicombustível.

A Honda abriu mão do tanquinho de gasolina para auxiliar as partidas a frio. O CR-V vem com o mesmo sistema inaugurado pelo Civic 2.0, chamado de Flex One. A tecnologia conta com um sistema de velas aquecedoras que controlam a temperatura do combustível, eliminando a necessidade de injeção de gasolina durante a partida em locais com baixa temperatura. A nova solução aposentou o subtanque blindado próximo ao cofre do motor, todos os bicos injetores auxiliares do sistema flexível anterior, as linhas de combustível secundárias, além de evitar a abertura de uma portinhola sobre o paralama dianteiro – comum aos Honda flex nacionais.

Vindo de ainda mais longe, o sul-coreano ix35 teve o mesmo destino etílico. Sua versão flex roda entre nós desde maio do ano passado, mas não abriu mão de carregar uma garrafinha para gasolina junto ao motor. Honda e Hyundai lançam mão de uma fórmula de sucesso inquestionável: motor flex, tração 4×2 e transmissão automática. Juntamos os rivais dotados dessa receita similar para um confronto. Apesar do porte elevado e da pose de valente, ambos gostam mesmo é de asfalto liso.

O novo CR-V aposta suas fichas em tecnologia, conforto e praticidade voltados para uso familiar. Seu painel conta com botões grandes, quadro de instrumentos fácil de ler e um ar de modernidade instigante. Do lado esquerdo do volante, um botão verde tenta ajudar o motorista a economizar e poluir menos. O ECON aciona um mapa de comando que amansa as respostas do motor, câmbio e até do arcondicionado. As trocas de marcha são antecipadas e as acelerações ficam mais lentas e progressivas. “O sistema não faz milagres. Ele é um auxiliar, pois a economia tem de vir por iniciativa do motorista, que precisa ficar atento aos seus hábitos e ao intuito de poupar combustível”, diz Alfredo Guedes, engenheiro- especialista da Honda.

A cabine do Honda vence o Hyundai em conforto, embora o coreano tenha bancos envolventes e mais eficazes em apoiar o corpo em curvas. Outro ponto positivo é o esmero no acabamento e na qualidade dos materiais. O design do ix35 se destaca, mas não consegue disfarçar os plásticos duros e o couro sintético simples. Isso não significa que seja desconfortável, ao contrário. Os dois tratam bem os ocupantes e se equivalem em ergonomia. Ambos trazem ajustes de altura para o banco do motorista e coluna de direção com regulagem de altura e profundidade. O ix35 Flex perdeu os registros de consumo médio e instantâneo, presentes na versão a gasolina. O Hyundai tenta se redimir com sistema de som completo, com GPS, touch screen maior e mais bem posicionada, no centro do painel, e sensor de estacionamento que combina câmeras de ré e avisos sonoros. O japonês tem apenas uma câmera com imagens exibidas em um display pequeno e distante dos olhos do motorista. A versão EXL conta com o rádio superior com navegador integrado. Bluetooth e comandos no volante são itens de série nos dois.

Com os porta-malas abertos lado a lado, não é difícil notar que o Honda oferece mais espaço, apesar de as fichas técnicas sugerirem o contrário. Os dados fornecidos pelas fábricas informam 591 (ix35) e 589 litros (CR-V), mas uma possível diferença na metodologia de medição apresenta resultados incompatíveis. Mesmo com o estepe de uso temporário, mais fino, a área do Hyundai é menor. Além disso, o assoalho do japonês é mais baixo, facilitando o manuseio de volumes. O Honda oferece outra vantagem: duas alavancas nas laterais do bagageiro rebatem o encosto, sem a necessidade de baixá-los manualmente. Até o assento pode ser rebatido, elevando a área de bagagem para 1 146 litros.

O principal trunfo do ix35 é a superioridade em desempenho. Vence em potência e obteve números bem melhores nos testes. O Honda foi ligeiramente mais econômico nas provas de consumo, mas a diferença é pequena. Ele também fica na frente em autonomia, já que a marca aumentou a capacidade do tanque em 13 litros, de 58 para 71 litros.

A versão manual do CR-V deixou de ser trazida, reduzindo o catálogo para duas: LX e EXL 4WD, mas a EXL 4×2 chega no fim do ano. Nessa disputa por corações, o Honda é um conquistador mais bem preparado, a menos que você faça questão do câmbio manual. Aí, só o ix35 tem o que você precisa.

CR-V DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Associa direção leve, suspensão suave e freios eficientes. É a receita ideal para agradar em vários mercados.

★★★★

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MOTOR E CÂMBIO

O motor trabalha com discrição e o câmbio evita trancos, mas continua devendo opção de trocas sequenciais.

★★★★★

CARROCERIA

Ficou mais sóbrio e imponente, preservando a qualidade do anterior. Fica atrás do coreano no quesito beleza.

★★★★★

VIDA A BORDO

Ótimo em conforto e é bem equipado desde a versão de entrada. O sistema de rebatimento do banco traseiro é o melhor do segmento.

★★★★★

SEGURANÇA

Poderia ter controle de estabilidade e airbags laterais mesmo na versão LX. A EXL resolve essas ausências.

★★★★

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SEU BOLSOTem boa aceitação entre os usados, o que lhe rende pontos. Oferece mais que a concorrência pelo mesmo preço.

★★★★

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ix35 DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Tem direção rápida, precisa de menos espaço para frear e é bom de curva.

★★★★

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MOTOR E CÂMBIO

As respostas são imediatas, mérito do mapa eletrônico bem adaptado ao país. O câmbio de seis marchas não dá trancos nas mudanças.

★★★★

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CARROCERIA

Seu design de grife já completou três anos, mas não perdeu a linha. Continua atraente, equilibrado e atual.

★★★★★

VIDA A BORDO

Confortável e gostoso de guiar, passou a vir com volante ajustável em profundidade na versão flex, mas perdeu o registro de consumo no computador de bordo.

★★★★

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SEGURANÇA

Deveria ter controle de estabilidade e cinto de três pontos para o assento do meio.

★★★★

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SEU BOLSO

Boa compra, mas oferece menos que o rival e custa o mesmo. O visual e a garantia são um trunfo decisivo.

★★★★

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VEREDICTO

Aos 3 anos, o ix35 é vistoso e não dá sinais de cansaço no design, mas o desenho inspirado não se sobrepõe à superioridade tecnológica nem à lista de equipamentos do CR-V. O Honda é maior e mostra mais rigor na qualidade de construção e de acabamento. Não impressiona pela potência, mas é a melhor opção de compra

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