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Honda Civic Si

Ele retorna ao mercado brasileiro no ano que vem na forma de cupê e traz na bagagem 201 cv de prazer ao dirigir

Por Fernando Valeika de Barros | Fotos Isaac Hernández Atualizado em 9 nov 2016, 01h12 - Publicado em 10 set 2013, 01h33
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Quando o Civic Si saiu de linha no Brasil, em 2011, deixou órfão um considerável fã-clube, que prezava o desempenho interessante e compatível com o preço. Nos seus cinco anos de existência, ele conquistou respeito e deferência que até então eram reservados a dois outros esportivos que viraram ícones nacionais: Golf GTI e Gol GTi. Para aplacar a tristeza desse público sedento por carros de sangue quente, damos uma boa notícia: o novo Civic Si está de malas prontas para o Brasil. A previsão da Honda é que ele desembarque no país no primeiro semestre do ano que vem, com uma diferença em relação ao antecessor: em vez do antigo sedã de quatro portas fabricado em Sumaré (SP), ele virá importado dos Estados Unidos como um cupê de duas portas.

Por isso fomos a Palm Springs (EUA) conhecer ao vivo o modelo, que acabou de ser reestilizado no mercado americano. Nesse primeiro contato, já deu para perceber que o Si continua sendo um herdeiro à altura do nosso saudoso esportivo. O sucesso por aqui estará garantido se ele despertar o mesmo interesse de quando foi exposto no último Salão do Automóvel de São Paulo de 2012 (na verdade, era uma versão anterior a esta, que começou a ser vendida em julho nos EUA). Mas isso vai depender do preço: lá ele custa 22 500 dólares (51 500 reais); no Brasil, o valor estimado seria em torno de 110 000 reais.

Montado sobre a mesma base do Civic da atual geração, porém com a pouco conhecida carroceria Coupé, o novo Si é capaz de provocar sensações logo à primeira olhada. Pintado com a cor Rallye Red e ostentando a vistosa inscrição i-VTEC DOHC na lateral (uma alusão ao motor com duplo comando de válvula variável), ele seduz com seu aerofólio traseiro, saída de escape mais larga e ronco do motor afinado para soar mais grave. O visual esportivo do exterior entra em sintonia com o interior: revestimento que imita fibra de carbono no painel, pedais vazados e pomo do câmbio esculpidos em alumínio, rodas de liga leve de 17 polegadas, volante revestido de couro e tons de vermelho no conta-giros e nos bancos, com as letras Si estampadas.

Mas todos esses detalhes soariam falsos se o prazer de dirigir o Si não tivesse evoluído. Tão em voga nos modelos atuais, faltou ao cupê de alma esportiva o recurso do botão de ignição. Deslize perdoado quando ao girar a chave no contato se ouvem os primeiros acordes da experiência sonora: o urro imponente do motor, agora com 201 cv, quase 10% de potência a mais do que os 192 cv do Si nacional.

Entre Los Angeles e Santa Barbara, os engates curtos do câmbio manual de seis marchas, qualidade já observada em seu antecessor, a suspensão mais rígida que nos outros Civic, a direção ainda mais direta (passou de 3,1 voltas para 2,9) e a posição de dirigir mais baixa que no sedã mostram o caráter do carro logo ao primeiro contato.

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O motor, semelhante ao que equipa o CR-V, também evoluiu. Comparado com nosso antigo Civic Si, passou de 2 litros para 2,4, enquanto a potência subiu de 192 para 201 cv e o torque saltou de 19,2 mkgf a 6 100 rpm para 23,4 mkgf a 4 400 rpm. Assim, pelos números oficiais, ele agora acelera de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos e atinge a máxima de 219 km/h. Ou seja, deixa comendo poeira até mesmo rivais respeitáveis como o Hyundai Veloster Turbo (201 cv), que faz o 0 a 100 em 7,2 segundos.

Quando acelerei por trechos mais sinuosos, dessa vez cortando as montanhas entre Santa Barbara e Palm Springs, além dos cavalos adicionais sob o capô, o que também empolgou foi o bom funcionamento da direção com assistência elétrica leve, precisa e rápida, que combinou harmonicamente com a suspensão firme e estável.

Com 4,47 metros de comprimento (ele é 5 cm menor que o Civic sedã vendido atualmente no Brasil), 1,75 metro de largura (igual), 1,40 de altura (5 cm mais baixo) e distância entre-eixos de 2,62 metros (5 cm mais curto), ele se mostra um carro fácil de manobrar, mas inferior em espaço traseiro. O bom senso recomenda levar um passageiro a menos no banco de trás, para que ele não fique espremido nos ombros e incomodado pelo elevado ressalto central do banco. Passageiros que tenham como eu 1,88 metro de altura precisarão de uma sessão de massagem ao fim de viagens mais longas, pois vão viajar com a cabeça curvada.

Mas nada disso tira o brilho desse esportivo que honra a tradição do nosso antigo Civic Si, que deixou uma legião de apaixonados que certamente vão esperar ansiosos para conhecer a nova geração.

VEREDICTO

Num mercado carente de esportivos de preço acessível, o novo Civic Si ainda oferece o charme das duas portas e a reputação da marca. Os fãs vão esperar no aeroporto…

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