Citroën DS3 Racing

Pintura especial e grafismo militar idenitifcam a versão envenenada do DS3. O próximo alvo pode ser o Brasil

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Em vez dos 165 cv de potência da versão “normal”, a versão Racing do já esportivo DS3 carrega uma preparação ainda mais nervosa do motor 1.6 turbo desenvolvido pela BMW, com 202 cv. Apesar de ter sido mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, o DS3 Racing não chega ser uma novidade no mercado. São dois os motivos: primeiro, o modelo estreou no fim de 2010, no Salão de Genebra, e, segundo, sua comercialização no Brasil ainda não está confirmada pela marca.

“A presença do DS3 Racing no Salão foi um teste de receptividade com o público. Queríamos aferir sua popularidade e não havia melhor oportunidade que essa”, diz Jeremie Martinez, executivo de marketing da Citroën. Na condição de visitante do Salão, fui testemunha ocular do sucesso que fez a carroceria compacta com pintura laranja e preta e os adesivos com letras de estilo militar. Toda a linha Citroën estava no estande, inclusive com os próximos modelos da família DS (DS5 e DS4) em destaque, mas as câmeras do público miravam mesmo era o DS3 Racing.

Mais do que pintura e grafismo chamativos, o esportivo francês é, segundo a fábrica, um modelo preparado de verdade. O veneno é introduzido pela Citroën Racing, divisão que cuida dos carros da marca que disputam o campeonato mundial de rali. Não se trata de nada muito pesado. Por intermédio de um remapeamento da central eletrônica, a pressão de trabalho do turbo foi elevada (o pico é de 2,2 bars), o escapamento foi redimensionado para garantir uma sonoridade mais encorpada e molas e amortecedores exclusivos foram incorporados, com ajuste mais firme e altura 15 mm mais baixa que a do DS3 convencional. Como a potência máxima saltou de 165 para 202 cv, os freios dianteiros também passaram por um upgrade. Os discos são um pouco maiores, mas o maior destaque são as pinças de freio (com quatro pistões cada) da italiana Brembo.

Além da mecânica apurada, o DS3 Racing tem outro diferencial poderoso: a estética. Spoiler, saias laterais e arcos de para-lamas são de fibra de carbono. “Nada de plástico serigrafado. É fibra de carbono de verdade”, diz Martinez. Os detalhes cor de laranja também estão no painel e na base da alavanca do câmbio. Para segurar o corpo nas curvas, os bancos do tipo concha têm abas elevadas que são macias o suficiente para não machucar as pernas na entrada e saída do piloto. O espaço no banco traseiro, lógico, é mínimo, quase claustrofóbico.

Combustível europeu

A pedido da Citroën, o teste ficou restrito ao nosso campo de provas, em Limeira.Além de a documentação de importação temporária não permitir o uso em vias públicas, o DS3 Racing veio sem nenhuma preparação para nossa gasolina. Portanto, os números extraídos foram obtidos utilizando o carro abastecido com gasolina de especificação europeia, sem adição de álcool anidro.

A ficha técnica oficial era empolgante: 202 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em 6,5 segundos. Na prática, porém, a cavalaria não se apresentou como deveria e, em Limeira, o DS3 Racing apontou um 0 a 100 km/h em 7,3 segundos – apenas 0,3 segundo melhor do que os 7,6 obtidos pelo DS3 normal, avaliado na edição de junho de 2012. A decepção foi ainda maior quando foram confrontados os resultados das provas de retomada de velocidade, nas quais o DS3 Racing foi inferior ao irmão “civil” nas três avaliações – 40 a 80 km/h em terceira marcha, 60 a 100 km/h em quarta e 80 a 120 km/h em quinta. A explicação só veio quando a bateria de testes se encerrou, com a medição do consumo de combustível: 12,1 km/l na cidade e 19,2 km/l na estrada. De novo, é preciso levar em consideração que o Racing foi testado com gasolina europeia, sem álcool, daí o fato de o consumo ter sido bem melhor que o do DS3 de 165 cv – respectivamente, 11,4 e 16,9 km/l. “O câmbio do Racing tem a mesma relação de marchas do DS3. Se vier para o Brasil, a calibração da central eletrônica da injeção para nossa gasolina priorizará a performance, em detrimento do consumo”, disse Martinez.

É bom mesmo que o DS3 Racing receba um tempero brasileiro mais apimentado que o distancie do irmão calmo. Em julho de 2011 testamos um Mini John Cooper Works, que tem basicamente o mesmo powertrain (motor 1.6 turbo e câmbio manual de seis marchas) do francês, e ele registrou 0 a 100 km/h em 7 segundos e média de consumo urbano de 11 km/l e rodoviário de 15,4 km/l, além de impressionar pelo comportamento notadamente mais nervoso que o de suas versões mais simples e menos potentes.

Caso venha para o Brasil, o DS3 Racing deverá ter, no mínimo, um pacote de equipamentos tão completo quanto o do DS3 normal, com ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, som, ABS, airbags frontais, laterais e do tipo cortina e controles de tração e estabilidade. Ainda que com um layout exclusivo, o DS3 Racing não se provou tecnicamente superior ao DS3 normal – até porque quem busca um esportivo costuma relegar um peso menor ao consumo de combustível.

DIREÇÃO, FREIO
E SUSPENSÃO


O upgrade do freio
não mostrou resultados práticos. Na comparação com o DS3 normal, só houve melhora
na frenagem de 120km/ha0,de
60 para 58,5 metros.

★★★

MOTOR E CÂMBIO

Testado com gasolina europeia, o 1.6 turbo de injeção direta decepcionou nas provas de aceleração e retomadas, mas foi muito bem nas de consumo.

★★★★

CARROCERIA

Apesar de chamativos, os adesivos são de bom gosto. Os apêndices
de fibra de carbono e os bancos esportivos deixam o visual mais agressivo e refinado.

★★★★☆

VIDA A BORDO

O banco traseiro tem cintos para três ocupantes, mas o espaço acomoda apenas dois com um mínimo de conforto.

★★★

SEGURANÇA

Seis airbags (frontais, laterais
e do tipo cortina), ABS e controles de tração e estabilidade são de série.

★★★★☆

SEU BOLSO

Se confirmado o valor estimado de 95 000 reais, o maior rival
do DS3 Racing sera o próprio DS3.

★★★☆

OS RIVAIS

Citroën dS3

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O motor é o mesmo do DS3 racing, mas com um acerto eletrônico que limita a potência a 165 cv. Custa 79 900 reais.

Volkswagen Fusca

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Custa de 76 600 a 102 271 reais e faz de 0 a 100km/h em 7,3 segundos com seu eficiente conjunto 2.0 turbo de 200 cv.

VEREDICTO

Ao menos com gasolina europeia, o lado racing do dS3 não se fez presente. Se vier a ser importado, o esportivo terá que mostrar mais performance. Caso contrário, o investimento extra em relação ao dS3 normal não vale a pena.

>> Confira a Ficha Técnica do carro

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