BYD U9 tem posição de dirigir de SUV mas realmente anda como supercarro
O primeiro superesportivo da BYD tem mais 1.300 cv, custa mais de R$ 1 milhão, mas até dança com sua suspensão inteligente

A BYD concentra seus carros mais inovadores e luxuosos na submarca Yangwang. Pertencem a ela o U8, o SUV que gira 360 graus, navega por 30 minutos e anda com pneu furado, e também o superesportivo U9, que não fica devendo em nada para o SUV em tecnologia.
Um dos grandes segredos do YangWang U9 é a suspensão Disus-X, que ficou conhecida por permitir que o esportivo dance e até pule. Seu objetivo, porém é lidar com todo o peso de um supercarro elétrico, como pudemos conferir neste primeiro contato com o carro na pista, na China.
Já havíamos conhecido o YangWang U9 em janeiro, mas desta vez pudemos, finalmente, experimentá-lo na pista. O contato foi extremamente curto, apenas duas voltas em uma pista de kart, mas já foi possível tirar algumas conclusões.
O dia do teste amanheceu chuvoso e permaneceu dessa maneira, portanto tivemos a condição de pista molhada durante todo test-drive. O lado bom disso foi poder avaliar a estabilidade do carro nessa circunstância, que exige mais dele.
Outros modelos também participaram do test-drive, todos SUVs, como o FangChengBao Bao 5, que deve chegar ao Brasil mas categorizado como a marca de luxo da BYD, a Denza. E o famoso U8, e eles por terem o centro de gravidade mais elevado saiam de traseira com frequência devido a pista molhada e com um pouco de óleo também, segundo o instrutor chinês que me acompanhava.
Já na primeira curva da pista, bem sinuosa, chama a atenção a estabilidade e como se o esportivo tivesse grudado no chão e esse atributo pode ser atribuído a suspensão Disus-X, que controla os movimentos laterais, longitudinais e verticais da carroceria de maneira independente em cada uma das rodas.
E o fato da suspensão ser pneumática permite deixar o U9 bem rente ao asfalto, condição que vivenciamos na pista. Com um centro de gravidade atuando a favor por ser tão baixo, a carroceria praticamente não rola ao contornar curvas com pista molhada a cerca de 50 km/h e esse sistema também contribui para suavizar a inclinação da carroceria em frenagens mais bruscas, tornando a condução ainda mais agradável.
Pudemos experimentar três carros na pista, o Bao 5, o U8 e o U9, mas foi apenas com o U9 que sentimos segurança para acelerar um pouco mais, devido a chuva constante. A estabilidade elogiável também pode ser atribuída a elementos de aerodinâmica ativa, como um braço no extrator traseiro que se estende para controlar o fluxo de ar na traseira a seu favor.
De acordo com a BYD, há 12 modos de atuação dos kits de aerodinâmica ativa e passiva, que também modifica a atuação da enorme asa traseira de fibra de carbono.
Falando de vida a bordo, a primeira situação que já faz qualquer admirador de velocidade sorrir é abertura elétrica das portas para cima, estilo borboleta, inspirado em modelos como Ferrari Enzo e McLaren F1. Além da chave é possível abrir as portas com duas batidas na carroceria e só esse gesto já um show a parte, para fechar basta o mesmo gesto na parte inferior da porta.
E se há algum incômodo de ter um esportivo é a dificuldade de acesso à cabine e o BYD U9 não sofre desse mal. Afinal, devido ao pacote de baterias sob o assento, o mesmo está mais elevado o que facilita o acesso. Estranho é estar em um supercarro com uma posição de dirigir mais elevada. Pelo menos facilita o acesso e a saída da cabine.
Em termos de conectividade, nada de uma grande tela giratória no centro do painel, há apenas um console elevado e inclinado verticalmente que abriga uma tela da multimídia igualmente vertical. Na horizontal há duas telas idênticas posicionadas na frente do motorista e do passageiro, que exibem informações distintas.
Os bancos são mais confortáveis do que o tipo de carro sugere. Indo além dos ajustes elétricos, tem bolsas laterais que atuam ativamente em curvas para controlar o movimento da coluna do passageiro.
0 a 100 km/h em apenas 2,36 segundos
Nessa condição, de pista de molhada e num circuito tão travado, não houve como fazer um 0 a 100 km/h no modo mais rápido, mas no dia anterior, como passageira, pude vivenciar essa aceleração.
Ao sair da concessionária assim que consegui um espaço à frente em uma avenida bem larga, como é característico na China, o motorista pisou fundo e eu grudei no banco. É difícil mensurar o quão rápido foi, mas os números oficiais são animadores: 0 a 100 km/h em 2,36 segundos.
Tudo isso graças aos quatro motores, um em cada roda que rendem até 326 cv cada, portanto o pico é de 1.305 cv e 130,5 kgfm de torque. A velocidade máxima é de 309 km/h, segundo a marca, o que é um número incrível tendo em vista que o U9 é bem mais pesado que outros esportivos equipados com motor a combustão e que carros elétricos têm máxima limitada.
O YangWang U9 pesa 2.475 kg e o conjunto de baterias é responsável por cerca de 750 kg. É 275 kg mais pesado que um Lamborghini Urus. E poderia ser ainda mais pesado se não fosse o alívio de peso proporcionado pelo emprego de materiais ultra leves como fibra de carbono, que é encontrada na estrutura e na carroceria e fibra de carbono forjada que está nas portas, capô e tampa do porta-malas.
A bateria Blade de 100 kWh oferece até 700 km de autonomia, segundo o ciclo WLTP – cerca de 200 km a mais que do que um Koenigsegg Nevera.
O superesportivo da BYD começou a ser vendido oficialmente na China em março desde ano pelo equivalente a R$ 1.150.000 – preço bem acima dos R$ 700.000 esperados.
Mas o valor faz sentido pois é a mesma faixa de preço do seu principal rival, o GAC Aion Hyper SSR, com 1.241 cv. E dentro do universo dos supercarros elétricos nenhum preço impressiona tanto quanto do Rimac Nevera custando o equivalente a R$ 9,9 milhões.