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Bugatti Mistral é a despedida em grande estilo do Chiron e do motor W16

Enquanto os clientes aguardam a chegada do Tourbillon, o Chiron se despede na pele do Mistral

Por Joaquim Oliveira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 dez 2025, 11h24 •
bugatti mistral
Esta é a última variação do Chiron, lançado em 2016 (Divulgação/Quatro Rodas)
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  • O mistral é um vento forte e frio que sopra entre o sul da França, as Ilhas Baleares e a Córsega. Felizmente, não há vestígios dessa brisa intensa nos arredores da pacata Molsheim, no leste francês, onde tivemos a rara oportunidade de guiar a última edição do Bugatti Chiron.

    A Bugatti sempre foi sinônimo de superlativos. Não há um único modelo da marca, sediada na fronteira com a Alemanha, que não ostente ao menos um recorde. Essa tradição remonta a mais de um século, quando Ettore Bugatti construiu seus primeiros automóveis.

    bugatti mistral
    O Mistral terá apenas 99 unidades produzidas (Divulgação/Quatro Rodas)

    Sob a liderança do italiano Romano Artioli, a fabricante artesanal renasceu nos anos 1990. Mas o impulso definitivo veio quando o Grupo Volkswagen assumiu o controle, na virada do milênio, e lançou o Veyron. Agora, com o fim da era de Wolfsburg e a Bugatti sob comando do croata Mate Rimac, CEO da Bugatti Rimac, o Mistral se despede deixando novos recordes.

    Há sempre um sentimento de solenidade ao se aproximar de um carro com o logotipo da Bugatti na grade em forma de ferradura e o motor W16 montado na traseira. O conjunto estreou no Veyron, em 2005, e agora sai definitivamente de cena.

    No Chiron, esse motor foi responsável por performances únicas ao longo de 20 anos de experiências intensas, quase sempre vividas na faixa da esquerda das autoestradas. São 1.600 cv de potência e 163,1 kgfm de torque, números incomparáveis, assim como os resultados: 380 km/h em modo normal ou até 420 km/h após acionar a segunda chave. No fim do ano passado, na pista de testes da Bugatti, o piloto de fábrica Andy Wallace atingiu 453,9 km/h, estabelecendo um novo recorde mundial. Nenhum outro roadster é tão rápido quanto o Mistral.

    bugatti mistral
    Para os dias de chuva, Mistral possui uma capota (Divulgação/Quatro Rodas)
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    Durante nossa experiência ao volante, não chegamos perto dessas marcas. Não estávamos em uma pista de alta velocidade, mas em estradas rurais da região da Alsácia. O cenário pede moderação no acelerador, mas isso não significa ausência de adrenalina dentro da cabine de dois lugares.

    Embora o Mistral seja tão fácil de conduzir quanto um Mini Cooper, é preciso lembrar que o emblemático número 1.600 está presente tanto na potência quanto no torque. Basta um leve toque no acelerador para que o superesportivo ultrapasse com facilidade os limites legais, mesmo nas mãos de um motorista mais contido.

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    Piloto da fábrica estabeleceu o recorde de 453,9 km/h (Divulgação/Quatro Rodas)

    É verdade que muitos já se acostumaram à entrega imediata de torque dos carros elétricos, mas o W16 está em outro patamar. Se os motores elétricos surpreendem como um raio inesperado, no Mistral a aceleração provocada pelo kickdown se assemelha a um golpe direto no estômago, acompanhado de um rugido ensurdecedor que projeta o motorista para outro mundo. Em 2,4 segundos, o roadster atinge 100 km/h. Em 12,1 segundos, chega a 300 km/h.

    Por mais que desafie os limites da física, o Mistral se torna quase um carro “normal” quando a meteorologia interfere. Em dias de chuva, a recomendação é não ultrapassar 160 km/h, e tudo passa a parecer menos estratosférico.

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    bugatti mistral
    Motor W16 gera 1.600 cv de potência e 1.600 Nm de torque (Divulgação/Quatro Rodas)

    Isso não chega a ser um problema para os proprietários. Em uma chuva rápida, basta instalar a capota e seguir em velocidade de cruzeiro. Afinal, não é apenas a velocidade que torna o Mistral tão especial, mas a forma como ele entrega desempenho: o motor praticamente explode em potência e empurra o carro rumo ao horizonte. E, acima de tudo, o som.

    O motor borbulha ao sugar até 70.000 litros de ar por minuto através dos dutos esculpidos em fibra de carbono logo atrás dos encostos de cabeça. A resposta vem em forma de uma fanfarra estridente, capaz de confundir os sentidos. Primeiro, com dois turbos; a partir de 3.000 rpm, entram em ação as quatro turbinas.

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    No acabamento: couro, alumínio e fibra de carbono azul exposta (Divulgação/Quatro Rodas)

    Os primeiros zumbidos arrepiam até os ouvidos mais experientes. A apoteose acontece logo depois, quando os 16 cilindros liberam a pressão pelas válvulas de descarga, soltando um suspiro poderoso.

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    Um carro com esse motor dispensa central multimídia e distrações. Este é, provavelmente, o melhor sistema de som do mundo. Nem mesmo o elefante criado por Rembrandt Bugatti, irmão mais novo de Ettore, consegue competir com esse rugido. Por isso, ele aparece encolhido, eternizado em resina na manopla do seletor de câmbio.

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    Volante reúne os comandos básicos de condução. Pneus têm medidas diferentes entre os eixos. Na dianteira, são 285/30 R20. Na traseira, 355/ 25 R21 (Divulgação/Quatro Rodas)
    bugatti mistral
    (Divulgação/Quatro Rodas)

    Oásis de luxo 

    Em muitos superesportivos, o conforto fica em segundo plano. No Mistral, acontece o oposto. Ele é um verdadeiro oásis de luxo. Os bancos lembram poltronas; a suspensão consegue filtrar imperfeições mesmo no modo mais esportivo, o Top Speed, que reduz a altura do solo de 115 mm para 80 mm na dianteira e 89 mm atrás. A fibra de carbono azul exposta se mistura ao couro refinado como se joalheiros da Faubourg Saint-Honoré tivessem colaborado no acabamento.

    Onde outros exibem telas gigantes, o Bugatti apresenta um esqueleto prateado central, com quatro mostradores alinhados como vértebras, exibindo informações de forma elegante e discreta.

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    Exclusividade absoluta não tem preço, mas o Mistral chega perto disso. Ele custa 5,5 milhões de euros, algo em torno de R$ 34 milhões, de acordo com o câmbio atual. E isso antes das personalizações, que podem elevar o valor em mais 1 milhão de euros, cerca de R$ 6,16 milhões.

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    Pequena reprodução de escultura de Rembrant Bugatti (Divulgação/Quatro Rodas)

    Nada disso preocupa os multimilionários que fazem parte da seleta lista de clientes da marca. A prova é que todas as 99 unidades do Bugatti Mistral foram vendidas antes mesmo do início da produção. Quem ficou de fora agora aguarda pelo Tourbillon, que deve estrear apenas como cupê, ao menos até que uma nova tempestade perfeita se forme sobre Molsheim.

    Guardar o melhor para o fim é um clichê da indústria, mas raramente essa expressão fez tanto sentido quanto neste roadster.

    Veredicto Quatro Rodas

    O Mistral honra sua linhagem para os fãs da marca e apaixonados por hiperesportivos em geral.

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    Ficha Técnica

    Preço: 5,5 milhões de euros (R$ 34 milhões)
    Motor: gas., tras., long. W16, 64V, DOHC, quadriturbo, intercooler, dois injetores por cilindro, 1.600 cv  a 7.050 rpm, 1.600 Nm (163,1 kgfm)
    Câmbio: automático DSG, 7 marchas, tração integral
    Direção: elétrica variável
    Suspensão: duplo A, nos dois eixos
    Freios: disco carbocerâmico nas quatro rodas
    Pneus: 285/30 R20 (diant.) 355/25 R21 (tras.) Dimensões: compr., 469,4 cm; larg., 203,8 cm; alt., 120,9 cm; entre-eixos, 271,1 cm; peso, 2.040 kg; tanque 97 l
    Desempenho*: 0 a 100 km/h, 2,4 s; veloc. máx. 420 km/h (recorde 453,9 km/h)

    *Dados de fábrica

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