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Audi TTS Quattro

Audi busca inspiração na primeira geração do TT para resgatar a aura de ícone esportivo

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 8 nov 2016, 17h55 - Publicado em 1 nov 2014, 00h00
impressoes

Quando o Audi TT surgiu, em 1998, ele virou um ícone instantâneo da marca. Os fãs de seu design cativante, porém, nunca enxergaram na segunda geração, de 2006, o mesmo magnetismo visual. Com a estreia da nova versão, a marca alemã quer mudar essa história e resgatar o charme do original. Por isso, os designers receberam a missão de criar essa ponte com o passado. Daí vieram recursos estilísticos como as ponteiras de escape mais centralizadas e a coluna traseira que termina um pouco antes, dando à cabine uma separação maior do resto da carroceria. Mas não estranhe se você achar que a identificação do TT 3 com o TT 1 não é tão clara assim. De fato, ao vivo, essa identificação entre as gerações não é tão óbvia, o que vai obrigar que a equipe de publicidade trabalhe duro. A tarefa, pelo menos, será facilitada pela pegada esportiva, reforçada principalmente no interior mais focado na pilotagem, onde se destaca o inovador quadro de instrumentos totalmente digital e configurável.

Feito sobre a plataforma modular MQB, usada nos novos modelos de tração dianteira do Grupo VW, o TT renovado ficou 2,1 cm menor, mas com entre-eixos esticado em 3,7 cm. Também ganhou 23% de rigidez torcional e ficou 50 kg mais leve (1 230 kg, no caso do TTS avaliado), apesar de usar menos alumínio e mais aço do que antes – mérito da moderna base MQB. Impressiona ainda a qualidade de materiais e de construção neste Audi, mesmo se comparado aos BMW ou Mercedes-Benz. A cabine pode receber quatro pessoas, mas os assentos traseiros são recomendados para crianças até 1,45 metro de altura. Já na frente não há problemas de espaço mesmo para quem tenha 1,90 metro – em parte porque os bancos estão em posição mais baixa, o que também contribui para reforçar seu caráter esportivo.

Um dos seus aspectos mais interessantes é o revolucionário Virtual Cockpit, quadro de instrumentos numa tela digital de 12,1 polegadas com desenho 3D e totalmente configurável – no TTS, o conta-giros é maior e está ao centro, mas pode ser ajustado para o navegador ocupar toda a tela ou apenas metade. É aqui que se concentram todos os dados do veículo e da central multimídia, que nos outros carros costumam ficar num monitor instalado no meio do painel. O volante multifuncional deixa espaço livre para novas teclas de controle, publicidade tindo ainda o MMI (Multi Media Interface), composto por um comando giratório no console central e seis botões ao lado. Tudo isso deixa o painel quase sem botões – tanto que a temperatura e a intensidade da ventilação são ajustadas diretamente nas saídas de ar centrais. À primeira vista, parece que há muita informação concentrada numa única região da cabine, mas após duas horas ao volante do novo TT já nos tínhamos acostumado a esse sistema inovador. Quem estranhará mais é o passageiro, pois ele terá problemas para programar o sistema de navegação ou procurar uma emissora de rádio, já que só há uma tela, atrás do volante, e só para o motorista.

A suspensão, McPherson na frente e multilink atrás, recebeu amortecedores de dureza variável (de série no TTS e opcional nas outras versões). O novo sistema de tração Quattro, também de série no TTS, divide de maneira mais rápida e por igual o torque entre os dois eixos em condições normais, mas pode enviar 100% da força do motor para um deles. Agora ele também varia a entrega de potência entre as rodas do mesmo eixo. E não falta o conhecido sistema Drive Select (com seus programas Comfort, Auto, Dynamic, Efficiency e individual), que altera a resposta do acelerador, da direção, do câmbio automático e da suspensão magnética adaptativa.

Bom de curva

Entre os motores, o destaque é o 2.0 TFSI, turbo, que pode ter 230 ou 310 cv (no TTS), este substituindo o antigo 2.5 de 340 cv. Tratando- se de um cupê de motor dianteiro e com maior peso na dianteira (58%/42%), seria normal a tendência a sair de frente, o que não ocorreu no TTS Quattro avaliado no circuito de Ascari, região de Málaga (Espanha), devido à precisa e comunicativa direção elétrica e à função de distribuição de torque entre as rodas. A ótima estabilidade é o padrão dominante, em especial nos ajustes mais firmes da suspensão. Ainda bem que o TTS é bom de curva, pois não lhe falta ímpeto quando se pisa fundo. Ele tem acelerações vertiginosas (4,6 segundos no 0 a 100 km/h) e retomadas muito fortes, ambas favorecidas pela disponibilidade total do torque de 38,7 mkgf numa ampla faixa de rotações (entre 1 800 e 5 700 rpm) e pelo excelente câmbio automatizado S-tronic de dupla embreagem e seis marchas.

No fim das contas, se os designers da Audi foram mais discretos ao tentar resgatar o visual do TT original, os engenheiros cumpriram sua missão de reforçar a esportividade de um dos cupês mais cativantes da marca. Ele deve chegar às lojas no Brasil no início do ano que vem, mas já estreia no Salão do Automóvel, ainda sem preços confirmados – hoje seu antecessor começa em R$ 216 230.

VEREDICTO

Apesar de no design a conexão com a primeira geração ser mais discreta, no espírito o novo TT é seu legítimo herdeiro: rápido, divertido ao volante e com um interior que faz qualquer um se sentir no comando da máquina.

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